Agosto Lilás: violência contra a mulher é assunto para todas!
Publicado em 15 de agosto de 2018 às 12:55
Por Purepeople |
Em agosto a Lei Maria da Penha, de 2006, faz aniversário e o tema da violência contra a mulher parece nunca ter sido tão atual. É por isso que foi criada a campanha Agosto Lilás, que defende, desde o ano passado, os direitos da mulher em situação de violência. O Brasil ocupa hoje o 5º lugar no mundo no ranking de violência doméstica e enquanto isso acontecer, o debate deve permanecer em pauta
Agosto lilás: data lembra o aniversário da Lei Maria da Penha e reforça a importância do combate à violência contra a mulher
A cantora Simaria acredita na autoestima como arma de combate à violência contra a mulher
A cantora também reforça a importância da ajuda externa
Cantora, Elza Soares aborda o assunto da violência contra a mulher no disco "A Mulher do Fim do Mundo", de 2015
Elza já foi, ela mesma, vítima de violência doméstica
A autoestima e a crença de não se depende de ninguém (muito menos do agressor) para viver fortalece o combate à violência
A união entre as mulheres em caso de violência (e em todos os casos!) também fortalece o combate à violência
Para denunciar um caso de violência o telefone é 180
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Em agosto de 2018 a Lei Maria da Penha comemora 12 anos e é em função desta data que passou a existir, desde o ano passado, o Agosto Lilás, uma campanha de conscientização sobre a violência contra a mulher que envolve secretarias municipais e estaduais e, sobretudo, as escolas do país. O Brasil ocupa hoje o 5º lugar no mundo no ranking de violência doméstica e, de acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tramitam no Judiciário cerca de 900 mil processos sobre o tema, sendo 10 mil deles sobre casos de feminicídio (crime de morte envolvendo uma mulher pelo fato de ser mulher, uma questão de gênero). Segundo dados da Secretaria de Governo do governo Federal, 15 mulheres são mortas por dia pelo fato de serem mulher. Por ano, 500 mil mulheres são vítimas de estupro e estima-se que apenas 10% dos casos chegam à polícia. A união entre as mulheres é fundamental para reverter esse quadro.

A violência de gênero pode acontecer em qualquer lugar

A violência de gênero, ao contrário do que muita gente pensa, não tem a ver com classe social, religião, raça ou região do país – pelo contrário – casos desse tipo podem acontecer em qualquer lugar e camada social. Para acabar com esse tipo de crime, nada mais importante que a conscientização. Para Ana Paula do Couto Alves, diretora de organização político-sindical do Sindjustiça-RJ (Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário) "Quando acontece uma agressão ou feminicídio que poderia ter sido evitado com um telefonema para as autoridades, toda a sociedade falhou com aquela mulher. Esse é um tema complexo, que envolve afetividades, vida familiar e os limites individuais de cada um. Precisamos conversar sobre isso para entender como tornar o Brasil um país mais seguro e acolhedor para mulheres", afirmou ao site da instituição. Por isso, saber identificar uma violência, seja ela emocional ou física, é o primeiro passo para acabar com o problema.

© Reprodução, YouTube
Autoestima e independência podem prevenir a violência

No início de 2015 a youtuber Julia Tolezano da Veiga Faria, a Jout Jout, ganhou notoriedade ao postar no YouTube o vídeo "Não Tira o Batom Vermelho", que fala de forma bem descontraída sobre relacionamentos abusivos e como identificá-los. De lá para cá o movimento contra a violência de gênero ganhou força e tem sido abordado por artistas de diversos meios. A cantora sertaneja Simaria, por exemplo, já declarou ao Purepeople em matéria sobre o tema acreditar que o ato de se valorizar acima de tudo pode evitar violências futuras e até mesmo o feminicídio. "O cativeiro da alma é a pior prisão que pode existir na vida. Às vezes, você é prisioneiro de uma pessoa só pelo jeito que ela conduz a forma de falar com você, que acaba vivendo um inferno a vida inteira. Isso porque não entendeu que se é livre para fazer qualquer tipo de escolha e o outro não pode decidir o que você quer ou deve ser", declarou a baiana. Nem sempre, no entanto, isso é possível de ser conseguido a tempo.

As mulheres devem ser umas pelas outras

Em diversos casos de violência acontece, por exemplo, de a vítima ter medo, não se sentir à vontade ou simplesmente não conseguir denunciar o agressor por qualquer razão. Por isso, há algum tempo já caiu por terra o ditado "Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher", que vem novamente sendo questionado em função do supernoticiado assassinato da advogada Tatiane Spitzner, estrangulada pelo marido e arremessada do 4º andar de um prédio no Paraná. Tatiane já havia sido agredida pelo marido outras vezes – inclusive em áreas públicas de seu prédio – e não recebeu socorro dos vizinhos. A cantora Simaria acredita que a ajuda dos amigos é muito importante "Você tem um bom amigo, um anjo à sua volta, que te diz: 'Opa, acorda. Você está levando porrada do seu marido? Não está certo'", incentiva, complementando que em briga de marido se mete a colher sim!

© Reprodução, YouTube
Denunciar é fundamental para prevenir

Data de 2015 também o disco "A Mulher do Fim do Mundo", em que a cantora Elza Soares trata do tema da violência contra a mulher, crime do qual já foi vítima. "Acho que tivemos uma mudança, e depois de 'A Mulher do Fim do Mundo', as mulheres se sentiram mais respeitadas. Acredito que participo de um momento em que as mulheres podem falar, que elas têm voz, e isso é uma coisa muito importante", já declarou a cantora ao Purepeople. A redação concorda com essa visão: para evitar a violência é fundamental falar, denunciar, fortalecer a autoestima e focar em ajudar às outras mulheres que estão sem voz. Para denunciar uma agressão ligue 180.

(por Deborah Couto)

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