A disputa judicial entre Ratinho e a bailarina Cintia Mello chegou ao fim. Segundo informações do colunista Gabriel Vaquer, do jornal Folha de São Paulo, o apresentador fez um acordo para encerrar a ação. A dançarina pedia uma indenização de R$ 2 milhões por danos morais sob acusações de racismo no programa do SBT.
No dia 01 de abril de 2024, Ratinho fez “piadas” com o cabelo de Cíntia, um black power. "Cintia, essa peruca sua é a mais bonita", disparou o apresentador. "Não é peruca, é o meu cabelo. Hoje é o meu cabelo", rebateu a dançarina. O comunicador insistiu e ainda pediu a uma assistente que puxasse os fios. "Eu vi um piolhinho", disparou. Menos de 20 dias depois, ela pediu demissão do programa, após quase nove anos como integrante do ballet.
A Justiça homologou o acordo na semana passada. As partes fecharam uma cláusula de confidencialidade, com isso, os valores não foram divulgados. O trato também proíbe manifestações públicas. Agora, o processo deve ser arquivado.
Além da indenização milionária, a bailarina queria que Ratinho lesse um pedido de desculpas em 20 programas diferentes, além de publicar a sentença em jornais de grande circulação durante 30 dias.
Na ação, os advogados de Cintia, Cristiane Linhares e Ed Matos da Silva, destacaram que os comentários ultrapassaram o limite da brincadeira e representam um “insulto que fere gravemente a honra dos negros”.
Os comentários de Ratinho foram classificados como racismo recreativo, ou seja, quando o “humor” é utilizado para manifestar preconceito racial. "A triste realidade é de que há inúmeras práticas racistas naturalizadas em nosso cotidiano, materializadas em microagressões, que partem de comportamentos que, de tão enraizados, são, por vezes, inconscientes", afirmou Cintia à Justiça.
Ratinho, condenado recentemente por propaganda enganosa, argumentou que “possuía um grande laço de amizade" com Cintia e que ela "costumeiramente usava perucas no programa". O apresentador ainda alega que a funcionária lhe enviou mensagens de áudio após o episódio, onde teria afirmado que a “brincadeira” não teve cunho racista.
"Ela deixou claro em suas mensagens que sabia que não houve qualquer ilicitude praticada por Ratinho, mas que estava sendo pressionada por grupos raciais a ingressar com a ação", diz a defesa do apresentador.