Faltando quatro dias para o segundo turno das eleições de 2026, disputado entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), uma conversa exibida pelo SBT em 2019 volta a chamar a atenção pelo posicionamento de Silvio Santos diante de uma das principais propostas do então presidente Jair Bolsonaro, hoje preso: a flexibilização do acesso às armas de fogo no Brasil. Na ocasião, o apresentador questionou a possibilidade de adotar o modelo dos Estados Unidos e fez um alerta sobre a segurança no país.
Em reportagem publicada por Leo Dias, em maio de 2019, o jornalista relatou os principais momentos de uma conversa entre Silvio Santos e Jair Bolsonaro no palco do SBT. Durante o encontro, os dois falaram sobre diferentes assuntos, incluindo a facada sofrida pelo então presidente durante a campanha eleitoral, a reforma da Previdência, a inflação, os radares de trânsito e a saúde pública.
Entretanto, o debate sobre o armamento da população foi um dos momentos mais marcantes da entrevista. Ao tentar convencer o apresentador a apoiar a flexibilização das regras para armas de fogo, Bolsonaro citou os Estados Unidos como exemplo.
"Lá a posse e o porte (de arma) são liberados", argumentou o então presidente.
Silvio Santos, porém, não concordou com a comparação e expressou preocupação com as consequências de uma política semelhante no Brasil.
"Isso aqui vai virar um faroeste. Nos Estados Unidos quando um cara faz um negócio qualquer ele vai pra cadeia e fica. Aqui, não", declarou o dono do Baú.
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A fala evidenciou uma divergência entre os dois sobre a segurança pública e as condições necessárias para ampliar o acesso da população às armas.
Diante das ponderações de Silvio Santos, Jair Bolsonaro defendeu uma proposta do então ministro da Justiça, Sergio Moro, que buscava dificultar a progressão de pena e endurecer as punições para crimes cometidos com requintes de crueldade.
O presidente se referia ao projeto de lei Anticrime, enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional em fevereiro daquele ano. Durante a conversa, ele também esclareceu que já havia assinado um decreto para facilitar a posse de armas de fogo, diferenciando essa medida da autorização para circular armado.
"Mas já foi assinado o decreto, Silvio, facilitando a posse de arma de fogo, não é porte!", explicou Bolsonaro.
Surpreso com a informação, o apresentador reagiu com uma pergunta curta: "Já?". Na sequência, o então presidente reforçou que a autorização para o porte de armas dependia do Parlamento. "Mas para o porte de arma eu dependo do Parlamento", completou.
A distinção era importante para o debate: a posse diz respeito à possibilidade de manter uma arma em local autorizado, enquanto o porte se refere à autorização para carregá-la fora desses locais, conforme as regras aplicáveis.
Embora tenha demonstrado resistência à comparação com os Estados Unidos, Silvio Santos também apresentou uma situação hipotética para explicar como reagiria diante de uma possível ameaça dentro de casa.
"Se eu tiver uma arma em casa e ouvir um ruído é claro que eu não vou sair de cueca pra pegar o cara... Eu vou pegar a arma, lógico", afirmou o apresentador.
A declaração foi recebida com entusiasmo por Bolsonaro, que interpretou a fala como um sinal de aproximação entre os dois. "Estamos começando a nos entender", respondeu o então presidente.
A conversa, portanto, não terminou com uma rejeição completa ao assunto por parte de Silvio Santos. O apresentador havia manifestado preocupação com a realidade brasileira e, ao mesmo tempo, admitido que consideraria utilizar uma arma diante de uma possível invasão de sua residência.