A tecnológica e inovadora terapia genética CAR-T: como a ciência fez Sam Neill, de 'Jurassic Park', ter vida totalmente livre do câncer até a morte aos 78 anos
Publicado em 13 de julho de 2026 às 12:00
Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
Descubra como o CAR-T, um tratamento inovador contra o câncer, trouxe anos de esperança e qualidade de vida ao ator Sam Neill, agora morto aos 78 anos
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A morte de Sam Neill, aos 78 anos, deixou o mundo de luto nesta segunda-feira, dia 13 de julho. Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia 'Jurassic Park', o ator passou últimos meses completamente livre do câncer graças a um tratamento considerado um dos maiores avanços da medicina moderna.

Segundo a família, o falecimento aconteceu de forma repentina e não teve relação com o linfoma contra o qual o ator lutou nos últimos anos. O que nem todos sabiam é que, muito além de uma nova rotina produzindo vinho, o ator conseguiu entrar em remissão completa de um câncer agressivo após participar de um tratamento com terapia genética CAR-T.

O tratamento inovador que ajudou Sam Neill a vencer câncer raro 

Anos antes de sua morte, Sam Neill foi diagnosticado com um linfoma angioimunoblástico de células T, um tipo raro e agressivo de câncer do sistema linfático. O diagnóstico aconteceu em 2022 e, desde então, ele passou por diferentes sessões de quimioterapia.

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Com o avanço da doença e a redução da eficácia dos tratamentos tradicionais, Neill ingressou em um ensaio clínico na Austrália para receber a terapia CAR-T, uma técnica desenvolvida para estimular o próprio sistema imunológico a combater o câncer.

O resultado foi positivo e, em abril deste ano, o ator revelou que os exames já não apresentavam qualquer sinal da doença. A remissão completa permaneceu até sua morte.

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O que é a terapia genética CAR-T?

A terapia CAR-T é considerada uma das maiores inovações no tratamento de alguns tipos de câncer. Em vez de atacar diretamente o tumor com medicamentos, o procedimento utiliza as próprias células de defesa do paciente para reconhecer e destruir as células cancerígenas.

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O tratamento começa com a retirada dos linfócitos T, células responsáveis pela defesa do organismo. Em laboratório, esses linfócitos passam por uma modificação genética para receber um receptor especial, chamado CAR, capaz de identificar proteínas presentes nas células do câncer.

Depois dessa alteração, as células são multiplicadas e devolvidas ao paciente por infusão. A partir desse momento, elas passam a procurar e eliminar as células doentes de forma muito mais eficiente. De acordo com o hematologista Renato Cunha, líder nacional de terapia celular da Oncoclínicas, é a lógica do tratamento que o diferencia das abordagens tradicionais.

"São drogas vivas, chamadas de terapia celular, que aprimoram o sistema de defesa do paciente para que ele promova a cura através da destruição das células do câncer. O CAR-T trabalha de forma personalizada, guiado para tratar aquela célula, aquele câncer, aquela mutação, e não de uma maneira geral, em todo o corpo", explica.

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Tratamento é indicado para alguns tipos de câncer e já está em uso no Brasil

A terapia CAR-T é utilizada principalmente em pacientes com cânceres hematológicos, como alguns tipos de leucemia e linfoma, e é usada quando outros tratamentos deixam de apresentar resultados satisfatórios. Embora seja considerada uma técnica muito complexa, estudos internacionais têm mostrado índices elevados de remissão em pacientes que antes tinham poucas chances de vida. 

Aqui no Brasil, a terapia CAR-T recebeu aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em situações específicas e está disponível na rede privada de saúde desde 2022, embora o acesso ao tratamento ainda enfrente desafios de infraestrutura e produção. 

Para Renato Cunha, iniciativas como essa podem ser decisivas para o futuro do tratamento no país. "A produção nacional é um divisor de águas. Não se trata apenas de custo, mas também de soberania terapêutica. Um Brasil capaz de fabricar CAR-T localmente pode se tornar um hub regional, beneficiando outros países da América Latina que hoje não têm nenhum acesso a essa tecnologia", afirma.

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