Antoine de Saint-Exupéry, autor do clássico livro 'O Pequeno Príncipe': 'Construir um barco não consiste em tecer as velas, forjar os pregos ou ler os astros, mas em despertar o gosto pelo mar'
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 17:43
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Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Em ‘Citadelle’, o escritor francês reflete sobre o desejo compartilhado que transforma diferentes esforços em uma construção coletiva
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Escritor e aviador francês, Antoine de Saint-Exupéry conquistou gerações com “O Pequeno Príncipe”. Publicado em 1943, o clássico transformou os encontros de um pequeno viajante em reflexões sobre amizade, amor e responsabilidade que continuam acompanhando leitores muito depois da última página.

Mas, embora tenha ficado mundialmente famoso por essa história, o autor deixou outras obras e lições. Uma delas aparece em “Citadelle”, conhecido em português como “Cidadela”, livro inacabado e publicado postumamente em 1948, que reúne reflexões filosóficas e espirituais.

O desejo que aproxima diferentes talentos

No capítulo 75, Saint-Exupéry imagina o que acontece quando se desperta em um grupo o amor pela navegação. Cada pessoa passa a contribuir conforme suas habilidades: uma tece as velas, outra derruba uma árvore, outra forja pregos, enquanto algumas observam as estrelas para aprender a orientar o barco.

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É nesse contexto que escreve, em tradução livre: “Construir um barco não consiste em tecer as velas, forjar os pregos ou ler os astros, mas em despertar o gosto pelo mar”.

A passagem continua associando esse desejo comum à união: sob sua luz, aquilo que poderia parecer contraditório se transforma em uma comunidade ligada pelo amor.

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Uma leitura possível da metáfora é que o trabalho ganha outro significado quando as pessoas reconhecem o que desejam construir juntas. Cada habilidade continua sendo necessária, mas encontra seu lugar em uma aspiração que ultrapassa a tarefa individual.

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Essa reflexão pode acompanhar situações bastante próximas de nós. Uma criança pode se envolver mais com a leitura quando descobre o prazer das histórias; uma equipe pode se dedicar mais a um projeto quando compreende como seu trabalho fará diferença na vida de outras pessoas.

O “gosto pelo mar” representa, nessa interpretação, a vontade de participar. O barco começa a existir também nesse desejo: quando cada pessoa percebe que sua contribuição ajuda a tornar possível uma viagem que importa para todos.

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