A morte de Bibi, mulher apontada como filha até então desconhecida de Freddie Mercury, reacendeu uma das histórias mais delicadas e controversas envolvendo o lendário vocalista do Queen.
Segundo informações publicadas pelo Daily Mail, nesta quinta-feira (15), ela morreu aos 48 anos após uma longa batalha contra um câncer raro na coluna vertebral, encerrando de forma silenciosa um capítulo que só veio à tona publicamente no último ano.
De acordo com o Daily Mail, a família confirmou que Bibi enfrentava há anos o cordoma, um tipo raro e agressivo de câncer na coluna. O cantor teria mantido a existência da filha em sigilo absoluto, mesmo no auge da fama. Ainda segundo o jornal britânico, Freddie Mercury a chamava carinhosamente de “Bibi”, além de usar apelidos íntimos como “trésor” e “little froggie”, expressões usadas apenas no círculo mais próximo que, em tradução livre, significam “tesouro” e “pequeno sapinho”, respectivamente.
A revelação sobre sua existência veio com o lançamento da biografia “Love, Freddie”, escrita por Lesley-Ann Jones, que trouxe detalhes inéditos da vida pessoal do astro. Segundo a autora, pai e filha mantiveram uma relação próxima até a morte do cantor, em 1991.
Ainda segundo Lesley-Ann Jones, o intérprete de "Bohemia Rapsody" teria tido a filha em 1976, fruto de um relacionamento extraconjugal, e há provas de DNA que confirmariam a paternidade. A autora contou ao Daily Mail que ficou profundamente abalada com a morte da amiga.
“Estou devastada. Ela me procurou com um objetivo altruísta: enfrentar as versões distorcidas sobre Freddie que circularam por mais de 30 anos e contar a verdade sobre a vida dele”, afirmou.
Conforme a biógrafa, algumas canções do Queen teriam sido compostas tendo Bibi como inspiração direta. Entre elas estariam “Bijou” e “Don’t Try So Hard”, músicas carregadas de emoção e delicadeza. Para a escritora, essas canções revelam um lado íntimo e pouco conhecido de Freddie Mercury, distante da imagem exuberante dos palcos.
O viúvo de Bibi, Thomas, entrou em contato com o Daily Mail para comunicar a morte. Em declaração emocionada, ele afirmou que ela partiu “de forma tranquila, após uma longa luta contra o cordoma, deixando dois filhos, de nove e sete anos”.
Ele acrescentou: “B agora está com seu pai amado, no mundo dos pensamentos. Suas cinzas foram lançadas ao vento nos Alpes”. A família vive atualmente na França e avalia a possibilidade de divulgar fotos inéditas, inclusive registros de Bibi ao lado de Freddie Mercury.
Antes do lançamento de “Love, Freddie”, Mary Austin, ex-noiva e considerada o grande amor da vida de Freddie Mercury, afirmou em entrevista ao Sunday Times que ficaria “chocada” se o cantor tivesse uma filha. Ela disse desconhecer completamente essa possibilidade e negou que o artista mantivesse diários ou cadernos pessoais.
Esses escritos, no entanto, são justamente a base do livro, que reúne 17 volumes de anotações entregues por Freddie à filha pouco antes de morrer. Segundo Lesley-Ann Jones, Bibi sofreu muito com as tentativas de negar sua existência. Advogados ligados a Mary Austin teriam tentado impedir a publicação da obra, sem sucesso.
“Depois que o livro saiu, nunca mais nos procuraram. Não encontraram nada que pudesse virar processo. ‘Love, Freddie’ é a verdadeira história de Freddie”, declarou a autora ao Daily Mail.
Discreta, Bibi nunca quis tornar sua identidade pública. Médica, temia comprometer a carreira e a relação com seus pacientes. Cinco meses antes de morrer, divulgou um depoimento tocante, reproduzido pelo Daily Mail, explicando sua decisão de permanecer em silêncio por tanto tempo.
“Eu não queria dividir meu pai com o mundo inteiro”, afirmou. “Enquanto os fãs choravam Freddie, eu chorava meu pai. Aos 15 anos, isso não é fácil. Cresci sem ele, vivi os momentos mais importantes sem seu apoio.”
Ela concluiu: “Por 30 anos, enquanto o mundo reinterpretava a vida e a obra de Mercury, eu precisava que ele fosse apenas meu pai, meu, da minha família. Como eu poderia ter falado antes?”