Gaúcho, engenheiro civil, ex-governador, candidato à Presidência da República em 1989 e grande opositor da Globo. Leonel Brizola morreu a exatos 22 anos em 21 de junho de 2004, aos 82 anos. O político não resistiu a um infarto agudo do miocárdio e edema pulmonar.
Eleito duas vezes governador do Rio e a menos de um mês de deixar o governo fluminense, em março de 1994, Brizola obteve uma grande vitória contra a Globo na Justiça. A emissora líder foi obrigada a divulgar no "Jornal Nacional" um texto assinado pelo governador onde sobraram críticas ácidas à própria Globo. Uma verdadeira "torta de climão".
E a leitura coube a Cid Moreira (1927-2024), então âncora do "JN" e segundo apresentador a ficar mais tempo na bancada desde a estreia em 1969. "Não reconheço a Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa (...) Tudo na Globo é tendencioso e manipulado", disse os trechos mais ácidos do direito de resposta - vídeo nesta matéria.
Tá, Purepeople, mas porque o governador procurou a Justiça contra a Globo? Para entendermos é preciso voltar ao começo de fevereiro de 1992. Na ocasião, Brizola solicitou ao prefeito da capital, Marcello Alencar (1925-2014) que descredenciasse a Globo da cobertura dos desfiles das escolas de samba, que teria transmissão também da Manchete (1982-1999) e seria marcado por um grande incêndio no Sambódromo.
E o motivo? "'"Nas duas oportunidades, o Rio foi apresentado como um covil de menores assaltantes, indigno de receber um turista sequer'", alegou Brizola, segundo o "Jornal do Brasil. "Brizola culpa a TV Globo pela destruição da imagem do Rio", prosseguiu a publicação. A rixa prosseguiu quando o "JN" fez críticas ao político em 6 de fevereiro.
Não satisfeito, o ícone da política gaúcha acusou o canal carioca de possuir "cordial convivência com regimes autoritários" e ter lhe chamado de "senil".
A briga foi parar na Justiça e se espichou por mais de dois anos e só no dia 15 de março Cid Moreira leu o longo direito de resposta de quase 2 minutos. Logo no começo, Brizola afirmou que só sob o amparo da Justiça conseguia espaço na emissora. "Aqui, citam o meu nome para ser intrigado, desmerecido e achincalhado perante o povo brasileiro", disse um trecho inicial da mensagem.
"Fui acusado na minha honra e, pior, apontado como alguém de mente senil. Ora, tenho 70 anos, 16 a menos que o meu difamador, Roberto Marinho, que tem 86 anos. Se é esse o conceito que tem sobre os homens de cabelos brancos, que os use para si", prosseguiu o texto antes de um dos momentos mais pesados.
"Não reconheço a Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e, basta, para isso, olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura de 20 anos dominou o nosso país", disparou Brizola, que acusou a Globo ainda de "manipulação" e de colocar o dinheiro acima de tudo.
O então governador fluminense ainda disse que a Globo tentou um boicote ao carnaval no ano da construção do Sambódromo. "Reagi contra a Globo em defesa do Estado e do povo do Rio de Janeiro que, por duas vezes, contra a vontade da Globo, elegeu-me como seu representante maior. E isto é o que não perdoarão nunca", provocou Brizola.
"Até mesmo a pesquisa mostrada na quinta-feira revela como tudo na Globo é tendencioso e manipulado", alfinetou o ícone da política gaúcha. Em outro momento, Brizola alega que o canal carioca não mostrou os problemas da saúde quando o estado era governado por seus favoritos.
"Quem sempre viveu de concessões e favores do poder público não é capaz de ver nos outros senão os vícios que carrega em si mesmo. Que o povo brasileiro faça seu julgamento, e, à na sua consciência lúcida e honrada, separe os que são dignos e coerentes daqueles que sempre foram servis e gananciosos", concluiu.