Epicuro: 'A morte não significa nada para nós; quando ela chega, deixamos de existir'
Publicado em 20 de abril de 2026 às 11:21
Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
O filósofo grego fundou sua escola em Atenas sob a premissa de atingir a ataraxia, um estado de paz mental que é obtido pela eliminação do medo irracional da morte
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Epicuro de Samos buscou tirou do ser-humano um dos seus maiores medos, a morte, na famosa Carta a Meneceu. Na visão do filósofo, não há fundamento a angústia que cerca o fim da vida, uma vez que o bem e o mal habitam somente na capacidade de sentir.

É como explica o pensador nesta carta: "A morte não é nada para nós. Enquanto existimos, não está presente, e quando chega, nós já não existimos". Essa argumentação lógica se baseia na ideia de que a morte é tão somente uma privação de sensações, ou seja, como não há alguém consciente que possa experimentá-la, não tem como ser considerada algo de mal, tanto para quem está vivo, quanto para quem está morto.

Medo de algo inevitável só traz angústia, ensinou filósofo

De acordo com a Enciclopédia Herder, ao se ter esse conhecimento é possível aproveitar a vida sem pensar em uma imortalidade que não existe. Vivo aproximadamente entre 341 aC e 270 aC, Epicuro, usava como argumento que o medo de algo que não se pode evitar somente deixa a pessoa angustiada sem motivo, gerando uma intranquilidade, definida por ele como ataraxia.

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Seguindo na mesma linha, para ele, viver com filosofia era o mesmo que aprender a fazer diferenciar o necessário do fútil, tendo como objetivo priorizar a ausência da dor física e a paz mental frente os prazeres momentâneos ou ambições de cunho político.

A perspectiva não apoia a indiferença, porém uma atitude racional do momento atual, entendendo que o fim é algo natural e impessoal.

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Epicuro quebrou tradição em famosa escola

Filho de colonos de Atenas, trajetória de Epicuro teve início em sua cidade-natal, Samos. Segundo a Britannica, na juventude, o filósofo já mostrava um precoce interesse em relação ao conhecimento, o que levaria a ser aluno de Nausifanes, este que era discípulo de Demócrito e de quem herdou a chamada teoria atomista.

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Nessa visão, o mundo era descrito como um lugar onde átomos interagiam no vácuo, ganhando uma adaptação de Epicuro para basear sua proposta de cunho ético. Depois de muitos estudos em Mitilene e Lâmpsaco, o pensador parou em Atenas por volta de 306 a.C.

Ali, fundou a icônica escola, O Jardim, recebendo mulheres e escravos, em uma quebra de tradição acadêmica.

Estoicismo defende vigilância frente a morte

Indo na contramão de outras linhas de pensamento, entre elas o estoicismo, que apoiava um enfrentamento da morte com uma vigilância frequente, Epicuro sugeriu que houvesse uma integração de forma harmoniosa com a natureza.

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Mantida por Diógenes Laércio, a biografia revela como o pensador seguiu sereno embora tivesse enfrentado uma sofrida doença renal. No fim da vida, enviou uma mensagem a idomeneu, seu amigo, reforçando o pensamento coerente dos próprios ensinamentos à mortalidade.

Pensamento de Epicuro era sobre vida devassa?

Alvo de críticos que o associem a uma apologia à vida devassa, por conta de má interpretação, o epicurismo era, na verdade, um hedonismo ascético que dava valor aos amigos e à autossuficiência como mantenedores da felicidade.

Epicuro se mostrou influente por séculos e, por isso, foi pilar para o poeta romano Lucrécio, que em "De Rerum Natura", ampliou a visão com um rigoroso estudo científico-poético. Embora tenha sido atacado por outras linhas de pensamento e pela teologia medieval, a redescoberta do epicurismo permitiu que fossem reavaliadas as ideias de Epicuro a respeito do atomismo e da mortalidade através de cientistas e filósofos atuais.

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Nos dias atuais, o apelo que Epicuro fez para que tenhamos uma vida sensata e que se evite que o medo do futuro interfira no presente, segue sendo uma referência fundamental nos pensamentos ocidentais a respeito da finitude do ser-humano.

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