‘Êta Mundo Melhor!’ tem tropeçado, e não é pouco, quando exagera na mão do nonsense para cumprir a meta de 221 capítulos. A comédia escrachada sempre foi parte do DNA da trama escrita por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson. Por isso, o público comprou facilmente algumas licenças poéticas.
Policarpo, o burro 'inteligente', que conversa com Candinho (Sergio Guizé), por exemplo, já faz parte do imaginário popular. Ele é carismático, rende boas tiradas e funciona como símbolo da ingenuidade e da pureza do protagonista. Até aí, tudo bem.
O problema começa quando o exagero passa do ponto e vira situação forçada demais — quase trash. O Purepeople lista algumas situações forçadas nessa reta final da novela.
Em janeiro, a novela resolveu apostar alto no folclore brasileiro e colocou uma mula sem cabeça em cena. Candinho, sem piscar, tenta domar o animal e solta, animado: “E aí, pessoar! Num disse qui ia montá na mula?”.
A cena beira o surreal absoluto. Diferente de Policarpo, que já foi apresentado ao público como parte do universo da história, a mula aparece do nada, sem construção ou lógica interna, soando mais como esquete de humor do que como narrativa de novela.
Outra situação que causou estranhamento foi a participação de Claudia Ohana como a icônica vampira Natasha, de 'Vamp'. A personagem surgiu em meio a uma ação de merchandising de cosméticos. A pergunta que ficou foi: não dava para inserir a ação de forma mais realista, sem quebrar completamente a imersão da história?
Sandra (Flavia Alessandra) voltou dos mortos de maneira tão estranha quanto sua caracterização. Hora loira, hora morena, depois com tapa-olho, tudo ao mesmo tempo.
A vilã parece perdida dentro da própria trama. Para piorar, suas armações ao lado de Ernesto (Eriberto Leão) nunca dão certo, tirando qualquer sensação real de perigo ou impacto dramático.
Por fim, a reentrada de Betty Gofman na novela deixou mais perguntas do que respostas. No fim de 2025, a atriz saiu da trama sem explicação oficial da Globo. Na história, sua personagem, Medeia, havia sido internada por Cunegundes (Elizabeth Savalla).
A própria atriz lamentou publicamente a saída precoce. Agora, em janeiro, ela simplesmente voltou a gravar para os capítulos finais, sem que a novela se desse ao trabalho de explicar direito o retorno.
'Êta Mundo Melhor!' é uma comédia popular, exagerada, assumidamente caricata e ponto final. O público gosta disso, mas quando o absurdo deixa de ser divertido e passa a parecer improvisado, a graça se perde.