O ataque homofóbico sofrido por João Victor Gonçalves, o Mau Mau de 'Quem Ama Cuida', não deve ficar impune. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) abriu uma investigação para apurar o caso ocorrido na noite de sexta-feira, 4 de setembro, na entrada do Rock in Rio.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro confirmou que tomou conhecimento do episódio e já iniciou as diligências, mesmo sem João Victor ter feito, até o momento, um registro oficial na delegacia da área.
Segundo informações da coluna de Fábia Oliveira, do Metrópoles, a Polícia Civil vai investigar a situação envolvendo o ator e os homens que o abordaram enquanto faziam uma transmissão ao vivo. Em comunicado, a corporação confirmou a abertura da apuração.
“Até o momento, não houve registro de ocorrência com essas características na delegacia da área. A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), contudo, ao tomar conhecimento do fato abriu investigação”, afirmou a Polícia Civil.
A corporação também reforçou a importância de que vítimas formalizem os casos para que os responsáveis possam ser identificados e eventualmente responsabilizados criminalmente.
“A Polícia Civil orienta que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente”, completou.
Veja + após o anúncio
No final da noite de sexta-feira, João Victor Gonçalves foi abordado por três rapazes que faziam uma live na entrada do Rock in Rio. Durante a transmissão, os homens debocharam da roupa usada pelo ator e fizeram comentários ofensivos enquanto ele tentava seguir seu caminho.
No dia seguinte, com lágrimas nos olhos, o ator publicou um vídeo bastante emocionado para falar sobre o que havia acontecido.
“E só quando eu cheguei em casa que fui sentir o que tinha vivido e entender que tinha se tratado de uma agressão e de um ataque homofóbico. Eu tava dentro da grade do Rock in Rio, quando a gente desce do carro de aplicativo, onde achei que estaria seguro”, lamentou.
A situação ganhou ainda mais repercussão depois que um dos envolvidos, o streamer GH, inicialmente pediu desculpas pelo episódio. Posteriormente, porém, ele mudou o tom e passou a acusar João Victor de racismo.
A acusação foi contestada pelos advogados do ator, Gustavo Polido e Andressa Knapp. Em manifestação, os representantes de João Victor afirmaram que a fala do artista sobre ter sentido medo de ser roubado não teve relação com a cor dos homens que o abordaram.
Segundo a defesa, o receio do ator estava relacionado ao contexto da abordagem e à diferença numérica entre ele e o grupo.
“Trata-se de reação legítima de autoproteção, plenamente justificável diante do contexto fático: ausência de segurança no local, superioridade numérica dos agressores (quatro contra um) e a natureza intimidatória da abordagem”, afirmaram os advogados.
O próprio João Victor já havia deixado claro que não pretendia simplesmente ignorar o episódio. Ao se manifestar nas redes sociais, o ator afirmou: “Nós somos muito mais fortes que qualquer coisa. Impunes não vão ficar. Homofobia é crime”.