Assisti a 'O Morro dos Ventos Uivantes' sem ter lido o livro antes. Agora sinto que foi a melhor decisão que eu poderia ter tomado
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 15:42
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Nova versão de O Morro dos Ventos Uivantes, dirigida por Emerald Fennell, aposta em desejo, toxicidade e estética maximalista para reinventar a obra de 1847.
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Quando, em 1847, "O Morro dos Ventos Uivantes" foi publicado, Emily Brontë não imaginava que, quase dois séculos depois, seu romance inspiraria um filme tão ardente que, mesmo antes da estreia, já se tornou um verdadeiro fenômeno! 

Parte da responsabilidade pode estar na escolha de Margot Robbie e Jacob Elordi como protagonistas. Ou talvez na trilha com música de Charli XCX, no teaser provocante, ou ainda em ouvir Elordi nos dizer: “Eu te seguiria como um cachorro até o fim do mundo”. Ou talvez seja tudo isso ao mesmo tempo.

Depois de assistir ao filme, posso garantir que todo esse hype é mais do que justificado - pelo menos para mim, que não precisei ler o livro para aproveitar a experiência. Descobri uma história fascinante de paixão, desejo e violência. E fico feliz por não ter lido o romance antes, porque poderia ter sido guiado pelas expectativas.

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Filme não é adaptação tradicional do romance

É importante deixar claro que o que Emerald Fennell - diretora e roteirista - faz aqui não é uma adaptação tradicional do romance. Isso já fica evidente até nas aspas que enquadram o título. O filme "O Morro dos Ventos Uivantes" é baseado na obra, mas não é uma adaptação fiel. E, como tal, toma todas as liberdades que deseja, já que seu objetivo não é atender às expectativas dos leitores - nem mesmo às dos espectadores.

A proposta de Fennell é brincar com nossa mente e com nosso desejo. O filme surge para dar um toque picante ao romantismo clássico. É a versão da diretora, guiada apenas pelas próprias ambições criativas. Estamos ali para desejar, para ansiar. Porque o amor verdadeiro, calmo, bonito e saudável, já temos na vida real. Depois de assistir ao longa, posso afirmar que a diretora da brilhante "Bela Vingança" conseguiu o que queria. Saí do cinema com o desejo nas alturas.

Emily Brontë já levava o romantismo inglês ao extremo em seu livro. Como explica María Yuste, especialista em literatura, “‘O Morro dos Ventos Uivantes’ é uma história repleta de obsessões, violência psicológica, amores tóxicos e personagens incapazes de ser felizes. Heathcliff não é um príncipe, Catherine não é uma heroína romântica exemplar, e a relação deles nunca foi um modelo de casal saudável”.

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No filme, essa dinâmica permanece. É, sim, uma história de amor - mas não daquelas com as quais deveríamos sonhar. É o tipo de relação da qual deveríamos fugir. E, ainda assim, mesmo sabendo disso, é impossível não imaginar as mãos do Heathcliff vivido por Elordi percorrendo nosso corpo, nem deixar de suspirar por essa paixão arrebatadora que parece consumir tanto ele quanto Cathy por dentro.

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Longa apresenta amor que brota da ansiedade

Esse amor nasce das emoções mais sombrias, viscerais e até depravadas do ser humano. Surge de um desejo incontrolável, da sensação de querer morrer - e sentir-se morrendo - se não estiver ao lado da outra pessoa. É um amor que brota da ansiedade. Mas não estamos aqui para julgá-lo sob uma ótica psicológica; estamos aqui para apreciá-lo entendendo o que ele é: um amor carregado de desejo, mas também de comportamentos tóxicos.

"O Morro dos Ventos Uivantes" se apoia - alguns dirão que até em excesso - em um uso intenso de simbolismo, que em certos momentos chega a ser quase barroco. 

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Ainda assim, transforma o minimalismo em maximalismo, apostando, às vezes demais, em uma composição fotográfica impecável que faz de cada cena um quadro. Isso pode dificultar, em determinados momentos, uma conexão emocional mais profunda com a história, pois nos coloca mais como espectadores de uma obra de arte do que como participantes dela. 

Por outro lado, a fotografia é tão bela e cuidadosa que se torna um prazer observar cada detalhe: o uso das cores, os espaços vazios, o figurino deslumbrante e a natureza vasta que domina algumas cenas.

Elenco fez jus ao 'filmão' com química entre Elorgi e Robbie

Quanto ao elenco, a química entre Elordi e Robbie não surpreende quem, como eu, acompanhou entrevistas, tapetes vermelhos e toda a campanha de marketing - maravilhosa, se me perguntarem - que envolve o filme há meses. Entre eles existe uma conexão que atravessa a tela e os consolida como os grandes protagonistas da narrativa. 

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No elenco também estão Hong Chau, Shazad Latif, Alison Oliver, Martin Clunes e Ewan Mitchell, mas eles funcionam, como os demais elementos do longa, para acompanhar e engrandecer Robbie e Elordi, quase como acessórios.

Pessoalmente, quero para mim um amor saudável, que não gere ansiedade - muito menos de propósito para me machucar. Mas admito que, na tela, assistir a algo assim é um verdadeiro guilty pleasure, capaz de provocar mais do que muito filme erótico. E, para quem é fã de Brontë, parafraseio Yuste: “Margot Robbie e Jacob Elordi não arruinaram Brontë; eles deram uma releitura à moda do BookTok. Se você quer ‘O Morro dos Ventos Uivantes’, leia o livro”.

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