A psicologia sugere: as pessoas que estão sempre andando pela rua ouvindo música não fazem isso apenas para se divertir
Publicado em 12 de outubro de 2026 às 22:02
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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Quem vive andando na rua ouvindo música pode estar buscando muito mais do que entretenimento revela a psicologia
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Ouvir música enquanto caminha pela rua é um hábito comum para quem deseja tornar o trajeto mais agradável. No entanto, pesquisas citadas pelo veículo argentino Todo Noticias indicam que o uso de fones de ouvido também pode influenciar a maneira como percebemos o ambiente ao redor e a distância que mantemos de outras pessoas. Ou seja, colocar a playlist favorita para tocar pode mudar a experiência de circular por espaços públicos.

Estudos publicados em diferentes anos investigaram a relação entre música, percepção do espaço e interações sociais. Os resultados sugerem que os fones de ouvido não servem apenas para reproduzir canções: eles também podem criar uma sensação de espaço próprio mesmo quando estamos cercados por desconhecidos.

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O que significa caminhar ouvindo música, segundo a psicologia?

Uma pesquisa publicada em 2024 no Jahrbuch Musikpsychologie, periódico dedicado à psicologia da música, analisou como ouvir músicas com fones de ouvido durante deslocamentos pode influenciar o espaço pessoal. O estudo foi conduzido por Eva Schurig e contou com a participação de 30 pessoas, abordadas enquanto escutavam músicas escolhidas por elas mesmas.

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De acordo com as informações divulgadas pelo Todo Noticias, a pesquisa investigou como os participantes reagiam a diferentes situações nas quais outra pessoa se aproximava. Os resultados indicaram que ouvir música com fones influenciava as distâncias consideradas adequadas durante uma interação, embora os efeitos variassem conforme o tipo de dispositivo utilizado.

© Reprodução, Instagram

Uma das explicações apresentadas para esse fenômeno é a chamada "bolha auditiva". Segundo a pesquisa, os fones podem criar uma espécie de espaço imaginário ao redor de quem os utiliza, semelhante à noção de espaço pessoal.

Na prática, isso significa que uma pessoa pode continuar fisicamente em um ambiente compartilhado, como uma calçada movimentada, mas experimentar o trajeto de maneira mais individualizada. A música passa a fazer parte da forma como ela percebe o que acontece ao redor.

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Por que algumas pessoas parecem criar um mundo próprio na rua?

A ideia de que a música pode alterar a percepção do espaço pessoal não surgiu apenas com o estudo de 2024. Uma pesquisa publicada em 2009 já havia identificado mudanças na distância interpessoal mantida por pessoas que utilizavam fones de ouvido ou protetores auriculares em determinadas situações de aproximação.

Conforme relatado pelo Todo Noticias, os pesquisadores observaram que os participantes que utilizavam esses dispositivos mantinham uma distância maior em algumas circunstâncias. Uma das hipóteses levantadas foi a de que, ao reduzir os sinais sonoros do ambiente, as pessoas poderiam compensar essa perda aumentando a distância em relação aos outros.

© Getty Images

Essa possibilidade ajuda a compreender por que a experiência de caminhar ouvindo música pode ser diferente daquela vivida sem fones. Sons de carros, conversas e outros ruídos cotidianos deixam de ocupar o mesmo espaço na experiência auditiva, enquanto as músicas escolhidas passam a ter maior protagonismo.

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É importante, porém, não interpretar esses resultados como uma regra universal. As pesquisas analisaram condições específicas, e os efeitos observados não significam que todas as pessoas que caminham ouvindo música estejam necessariamente tentando se afastar dos outros.

O tipo de música pode mudar a forma como percebemos as pessoas?

Outro estudo, publicado em 2011 na revista científica PLOS ONE, investigou a relação entre música, fones de ouvido e espaço interpessoal. Segundo o Todo Noticias, os resultados mostraram que tanto o tipo de música quanto a maneira como ela era reproduzida podiam influenciar a distância considerada confortável diante de outra pessoa.

Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que essas diferenças também afetem a maneira como vivenciamos situações cotidianas, como viagens no transporte público e a circulação por áreas urbanas movimentadas.

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A música, portanto, pode contribuir para a construção de uma experiência individual dentro de um ambiente compartilhado. A escolha de uma canção para acompanhar o caminho até o trabalho, por exemplo, não altera apenas o conteúdo que ouvimos, mas pode estar associada à forma como percebemos a presença de outras pessoas.

© AGNews
Ouvir música na rua é apenas uma forma de diversão?

As pesquisas citadas pelo Todo Noticias mostram que o hábito pode envolver mais aspectos do que o entretenimento. A música reproduzida pelos fones pode modificar a percepção dos sons externos e influenciar a maneira como as pessoas avaliam as distâncias durante determinadas interações.

© Instagram, Rafaella Justus

Isso não significa, entretanto, que exista uma única explicação psicológica para quem prefere caminhar com uma playlist nos ouvidos. Os estudos apresentados se concentram na relação entre música, percepção ambiental e espaço interpessoal, sem estabelecer que todos os usuários de fones tenham a mesma motivação.

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A principal conclusão é que ouvir música durante um deslocamento pode transformar a maneira como uma pessoa experimenta o espaço público. Mesmo em ruas cheias e ambientes compartilhados, os fones podem contribuir para a sensação de uma bolha auditiva individual, tornando o trajeto uma experiência diferente daquela vivida em contato direto com os sons do ambiente.

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