Erich Fromm, psicólogo, sobre o sentido da vida: 'A principal tarefa do ser humano na vida é dar a si mesmo à luz'
Publicado em 5 de outubro de 2026 às 20:09
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Por Rafael Munhos | Novelas e TV
Jornalista apaixonado por novelas, filmes, séries e música eletrônica. Também adoro fazer corrida de rua.
Psicologia explica por que sempre falta alguma coisa na vida se estamos cumprindo tudo o que nos propomos.
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Você já teve aquela sensação de que, mesmo cumprindo suas rotinas diárias e estando de bem consigo, mas está faltando alguma coisa? Não é exatamente tristeza, nem necessariamente uma grande crise. É mais uma espécie de cansaço diferente, uma letargia acompanhada de pensamentos que começam a aparecer com mais força.

Será que estou vivendo a minha própria vida ou apenas representando o papel que esperam de mim? A pergunta pode parecer simples, mas encontrar uma resposta está longe de ser fácil. 

Muitas pessoas passam anos seguindo caminhos determinados pela família, pela sociedade, pelo trabalho ou pelo desejo de agradar aos outros sem sequer perceber que deixaram os próprios desejos em segundo plano.

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O psicanalista e filósofo Erich Fromm dedicou parte importante de sua obra justamente à relação entre indivíduo e sociedade. Para ele, o sofrimento humano não pode ser compreendido apenas a partir de fatores internos. 

O ambiente em que vivemos também exerce influência sobre a maneira como pensamos, sentimos e nos relacionamos.

Uma sociedade que valoriza produtividade, obediência, competição e sucesso pode fazer com que as pessoas aprendam a cumprir expectativas antes mesmo de descobrir quem realmente são. 

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O resultado é uma vida aparentemente organizada, mas que nem sempre corresponde ao que existe de mais profundo dentro de cada indivíduo.

Na obra ‘Ética e Psicanálise’, Fromm resume essa ideia de maneira poderosa ao afirmar: “A principal tarefa dos seres humanos na vida é dar à luz a si mesmos.” A frase não fala sobre nascer biologicamente, mas sobre aquele em que a pessoa começa, de fato, a construir a própria identidade. 

É um processo que exige coragem para questionar escolhas, reconhecer desejos, estabelecer limites e abandonar versões de si mesmo criadas apenas para atender às expectativas alheias.

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A falta de autoestima na novela 'Quem Ama Cuida'

Um exempo da ficção que ajuda a ilustrar o tema é analisar a novela ‘Quem Ama Cuida’. Elenice (Mariana Sena) representa justamente uma personagem que ainda está tentando entender seus próprios limites. 

Jovem, ela vive um casamento longo com Tom (Allan Souza Lima) marcado por comportamentos abusivos. Ele já a agrediu e a xinga, mas, mesmo diante desses sinais, Elenice ainda tenta acreditar que tudo pode ser apenas uma fase.

É importante fazer uma distinção: a responsabilidade pela violência é sempre de quem agride, e não de quem sofre. O que a trajetória de Elenice permite discutir é como alguém pode permanecer emocionalmente preso a uma relação que lhe faz mal mesmo quando os sinais de perigo já estão diante dos seus olhos?

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É nesse ponto que a reflexão de Fromm ganha força. Para ele, esse crescimento pessoal não acontece automaticamente com o passar dos anos. Tornar-se quem somos exige colocar em prática nossas capacidades emocionais, intelectuais e morais. Não basta existir, é preciso participar ativamente da construção da própria vida.

Isso significa aprender a se conhecer, desenvolver autonomia, pensar de maneira independente e compreender que nosso valor não depende daquilo que podemos oferecer aos outros.

Encontrar o que realmente queremos da vida não significa necessariamente descobrir uma profissão dos sonhos, mudar de cidade ou tomar uma decisão grandiosa. 

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Às vezes, começa com perguntas muito menores: o que eu realmente gosto? O que faço apenas para agradar? O que me faz bem? O que já não combina comigo? Quais limites preciso estabelecer? Talvez seja justamente aí que começa o processo de “dar à luz a si mesmo” de que Fromm falava.

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