Em tempos em que todo começo de ano vem acompanhado de promessas mirabolantes, o podcast "Chasing Life", da CNN, trouxe uma reflexão que deixou muita gente de cabelo em pé. Em entrevista concedida em janeiro de 2025 ao jornalista Dr. Sanjay Gupta, o médico Dr. James Hamblin contou por que decidiu reduzir drasticamente os banhos e questionar hábitos que a maioria de nós considera básicos.
Logo na abertura do programa, Gupta explicou que queria propor algo diferente para o novo ano: em vez de fazer mais, fazer menos. E confessou que “menos banho” não estava exatamente na sua lista. Já Hamblin levou essa ideia ao extremo.
"No meu caso, é o mínimo do mínimo. Não uso shampoo. De manhã, lavo com água e pronto", afirmou James.
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Há cerca de oito anos, quando ainda era colunista da revista The Atlantic, James Hamblin começou a se perguntar por que tomamos tantos banhos e o que realmente significa estar limpo. Ele observou que farmácias dedicam corredores inteiros a shampoos e sabonetes, muitos com promessas que soam quase médicas.
A reflexão foi além: quanto disso é realmente necessário para a saúde e quanto é preferência pessoal? Segundo ele, ao longo da vida passamos cerca de dois anos apenas nos lavando, considerando uma média de 20 minutos por dia. Diante disso, ele questionou se não estaria desperdiçando tempo e dinheiro.
Hoje professor na Yale School of Public Health e autor do livro "Clean: The New Science of Skin", Hamblin explica que a pele abriga trilhões de microrganismos. Assim como se fala muito da flora intestinal e dos probióticos, a pele também possui um microbioma próprio.
Segundo ele, não é possível eliminar totalmente esses micróbios. Mesmo que alguém tente esterilizar a pele, ela será rapidamente colonizada novamente. E é aí que surge a comparação que chamou atenção: usar sabonete seria "como tirar a terra de um jardim; a grama pode até voltar, mas você mudou o ambiente".
O sabonete remove os lipídios, ou seja, a gordura natural da pele. Isso altera o equilíbrio do microbioma e pode impactar especialmente quem tem tendência à acne ou eczema. Ele ressalta que sabonetes comuns não “matam tudo”, apenas retiram a camada de gordura onde esses microrganismos vivem.
Durante a conversa no "Chasing Life", Hamblin fez uma distinção importante: esterilidade não é o mesmo que higiene. Lavar as mãos após espirrar faz sentido porque remove secreções visíveis que podem transmitir doenças. Mas isso não significa que seja necessário eliminar todos os microrganismos da pele.
Ele também afirmou que o sabonete é indispensável quando há algo difícil de remover, como óleo de motor ou mel. Porém, no caso do suor comum, apenas água costuma ser suficiente. Após correr a New York Marathon, por exemplo, ele contou que lavou o rosto apenas com água, mesmo com resíduos de sal seco da transpiração.
A ideia é que talvez o problema não seja lavar demais, mas viver isolado demais, com pouco contato com natureza, animais e outras pessoas. Pai de um bebê e tutor de dois cachorros, Hamblin acredita que algum nível de exposição é importante para o desenvolvimento do sistema imunológico.
O recado final não é abandonar o banho, mas refletir sobre o excesso e o peso do marketing na nossa rotina. Segundo ele, muitos produtos são usados porque acreditamos que são indispensáveis, quando na verdade podem ser apenas hábitos culturais.
E você, teria coragem de repensar sua rotina de higiene depois dessa?