A 6ª temporada de 'Sessão de Terapia' estreia nesta sexta-feira no Globoplay e promete aprofundar ainda mais as discussões sobre saúde mental, relações humanas e autoconhecimento.
A produção, que se tornou um dos projetos mais elogiados da dramaturgia brasileira nos últimos anos, retorna trazendo mudanças importantes na dinâmica do psicanalista Caio Barone, interpretado por Selton Mello.
Durante entrevista coletiva com participação do Purepeople, o ator falou sobre a importância da terapia em sua vida pessoal, o processo criativo da série e ainda fez críticas ao fato da produção nunca ter conquistado espaço na TV aberta.
Selton, que além de protagonista também dirige os episódios, explicou como a experiência de fazer terapia influencia diretamente seu trabalho artístico.
“A terapia é importante na minha vida. Eu faço terapia pra vida, e ajuda para os personagens também. E a série é fundamental. Amo essa parceria com Roberto D’Ávila e aos atores, porque sou um deles. Estou dirigindo os colegas, e eles mal sabem que eu estou dirigindo e vendo coisas como ‘olha o que a Alice fez agora’, ‘Olha o que a Olívia fez que não é indicação’.”
Uma das grandes novidades da temporada será justamente a chegada de uma terapeuta para supervisionar Caio Barone. A personagem será interpretada por Grace Passô, parceria que Selton fez questão de celebrar durante a conversa: “Uma honra ter a Grace, que acontece nas sextas-feiras. Acho que o Caio encontrou sua Dora, parece que agora rolou e é ela. Grace para sempre.”
O ator também revelou que tenta preservar ao máximo a naturalidade dos intérpretes durante as gravações. “O que eu quero deles é a espontaneidade. A gente tem o texto, mas cada um tem seu molho. E isso dá um caráter muito puro. Se essa série passasse em outros países eles pensariam se é atuação mesmo.”
Ao longo da coletiva, Selton relembrou momentos marcantes da trajetória da série e comentou sobre a personagem que mais o emocionou ao longo de todas as temporadas.
“Um trabalho que define ‘Sessão de Terapia’ é a Haydée feita por Cecilia Homem de Mello na quarta temporada, acho que aquilo é algo muito emocionante e aí mistura minha mãe, aí é uma loucura.”
Outro nome citado com emoção foi o do saudoso Claudio Cavalcanti, que participou da segunda temporada da série. “O Claudio Cavalcanti não viu, ele partiu antes, mas na série tinha que ser ele, e tinha que deixar essa última beleza.”
Selton também falou sobre os bastidores durantenate as gravações.
“Por ser ator, eu muitas vezes fiquei vendido em muitos trabalhos, vendo um take que não é melhor. A gente tem um montador que depois de filmar eu vou pra montagem e a gente vai colhendo pepitas de ouro. Tiramos o que não está bom e enaltecemos o que está fod*. Os atores ficam matadores porque o que não funcionou vai embora, e o que é gênial, fica mais genial. É um trabalho que começa na escrita e termina na montagem.”
Mas o ator criticou o fato de 'Sessão de Terapia' nunca ter sido exibida na Globo.
“Eu sempre continuarei sendo chato que essa série precisa ir para a TV aberta. Existe alguma coisa ali da Globo. Coloca à uma hora da manhã, garanto que vai ter gente assistindo pra trazer mais gente.”
O artista ainda refletiu sobre como o sucesso duradouro da produção dialoga diretamente com o momento emocional vivido pela sociedade brasileira.
“Acho que a série é a mais relevante por causa da saúde mental. Um dado curioso é que o Brasil é o único país que já chegou na sexta temporada, trocou o terapeuta e segue fazendo, e isso fala muito sobre o Brasil. Acho muito curioso que é o país da caipirinha, do homem cordial, do sorriso, essa série estar ainda aí.”