Uma das bandas precursoras do forró no Brasil, o Aviões do Forró arrastou multidões durante seus 16 anos de existência, mas também causou bastante polêmica, as quais continuam até hoje. Antes composta por Xand Avião e Solange Almeida, o grupo acabou de ser condenado pela regravação de uma música sem autorização.
De acordo com o programa 'Balanço Geral', um processo que se arrastava há anos condenou a banda Aviões do Forró a pagar R$ 100 mil por ter regravado a música 'Pra Lavar', pertencente aos músicos Arley e Allan Sousa, integrantes do grupo Diboa.
Durante o processo, os advogados do grupo alegaram que a canção teria sido apenas tocada em apresentações pontuais, sem a finalidade comercial, mas isso não convenceu a Justiça, que alegou o fato da banda tê-la vinculado a um comercial da Skol, uma das maiores marcas de cervejas do Brasil.
A recente polêmica voltou a colocar o nome da banda Aviões do Forró em evidência. No entanto, poucos se lembram que o grupo acumulou ao longo dos anos uma série de disputas judiciais que envolveram ex-integrantes e questões societárias, especialmente após a saída de Solange Almeida.
Solange Almeida anunciou sua saída da banda Aviões do Forró em dezembro de 2016, após passar 14 anos à frente do grupo. Ela chegou a realizar um show de despedida em fevereiro de 2017, mas o que veio depois disso foi uma sequência de polêmicas e batalhas na Justiça.
Em março de 2019, Solange Almeida entrou com uma ação para solicitar a apuração dos valores que considerava ter direito como ex-sócia do grupo. A cantora reivindicava cerca de R$ 5 milhões, quantia que, segundo sua defesa, correspondia à sua participação societária quando deixou a banda.
No entanto, o destino reservava uma reviravolta ainda mais chocante: em resposta ao processo, Isaías CD, um dos músicos do Aviões do Forró, alegou que a saída da cantora teria provocado uma série de prejuízos financeiros para o grupo. Segundo informações divulgadas na época pelo Diário de Pernambuco, ele chegou a pedir mais de R$ 17,4 milhões da cantora.
De acordo com os argumentos apresentados no processo, a saída de Solange teria impactado diretamente o planejamento da empresa e reduzido a quantidade de apresentações mensais da banda. O músico afirmou que, após o desligamento da artista, a agenda caiu de cerca de 26 para 16 shows por mês.
Meses antes da polêmica vir à tona, a própria Solange Almeida havia dado sua própria versão da saída da banda e afirmou que comunicou sua decisão de deixar o grupo com bastante antecedência e que buscou evitar conflitos durante o processo de transição.
"Por respeito com a história que eu tinha vivido com a banda eu não quis ser a vítima da situação e não quis de certo modo criar um mal-estar, então aceitei tudo o que foi proposto. A minha saída do Aviões, chamei os sócios e disse que não ficaria mais na banda, e que eu os daria dois anos para isso [se programarem]. Aí eles me disseram em 2016 que iriam acabar com o Aviões dia 1º de setembro de 2017", alegou.
"Simplesmente fiquei na minha. Logo em seguida fui convidada pelo Fantástico para dar uma nota, e eles [sócios da banda] simplesmente não deixaram. Me colocaram dentro do quarto no Piauí e pediram que eu fizesse um vídeo junto com Xand [atual vocalista] e eu fiz. E aí eu levei a culpa inteira que eu era a ingrata, que eu era a escrota, que eu queria mais dinheiro", desabafou na ocasião.
Em setembro de 2019, a Justiça decidiu extinguir o processo sem julgamento do mérito. A sentença entendeu que o conflito deveria ser analisado pelo Centro de Arbitragem e Mediação da Câmara de Comércio Brasil-Canadá (CAM-CCBC), conforme cláusula prevista em documentos relacionados à sociedade.
Além disso, a decisão determinou que a cantora arcasse com as custas processuais e honorários fixados em 10% do valor da causa, totalizando R$ 500 mil. O advogado de Solange, Livelton Lopes, informou na época que recorreria da sentença. Segundo ele, a decisão teria considerado um contrato que a cantora sequer sabia ter assinado.
"A decisão levou em conta um contrato datado de 2010 que foi apresentado pelos réus nas suas contestações, documento este que a artista sequer tinha conhecimento de ter assinado, já que era comum que seus ex-sócios lhe apresentassem documentos já prontos em meio a viagens e correria, para que fossem assinados sem a devida atenção", argumentou.
Em 2021, Solange Almeida e Xand Avião fizeram as pazes no palco e até chegaram a cantar juntos, o que levou os eternos fãs do Aviões do Forró ao delírio.