O mundo artístico brasileiro ficou mais pobre já exatos 10 anos: em 16 de agosto de 2016, Elke Maravilha morria aos 71 anos após quase dois meses de internação. Jurada de programas de calouros como os de Chacrinha (1917-1988), atriz, apresentadora, modelo e rival histórica de Silvio Santos (1930-2024), a artista nascida na Alemanha havia sido internada para tratamento de uma úlcera e foi vítima de falência de múltiplos órgãos.
Após sua morte, Elke Grünupp teve o último desejo atendido e foi velada e enterrada com a maquiagem e o figurino usados ao estrelar um musical. Ao longo da carreira iniciada aos 24 anos, além de ocupar uma das cadeiras do júri do "Cassino do Chacrinha" apresentou o programa que levava o seu nome, foi vista em novelas como "Luz do Sol" e o remake de "Pecado Capital".
Já no cinema, atuou em aproximadamente 30 produções. Entre elas, "Pixote", "Quando o Carnaval Chegar", "Xica da Silva" e "A Força do Xangô" , estes ambos ao lado da amiga Zezé Motta. E foi no intervalo das filmagens daquele longa de 1977 em Salvador (Bahia) que Elke escapou por um triz de um estupro.
O momento de tensão ocorreu depois de Elke e Zezé terem sido abordadas por playboys enquanto prestigiavam show de Martinho da Vila. A atriz e jurada concordou em entrar no carro de um dos homens, que a levou para a sua casa, segundo o livro "Elke, Mulher Maravilha" (de Chico Felitti).
"Pegou Elke pelo braço e a obrigou a subir. Já em casa, com a porta trancada, ele começou a arrancar sua roupa enquanto ela se debatia. Depois de se dar conta de que não ia ter força para fugir do estuprador, Elke tirou a (própria) roupa, se jogou nua na cama e disse: 'Vamos! Mas vamos logo, que amanhã eu tenho que gravar cedo'. Vendo a falta de resistência, o estuprador desistiu", relatou a publicação.
Pouco menos de duas décadas depois, em 1993, outra situação tensa cruzou a vida da icônica artista, então namorada de um homem a quem só se referia como "Psicopata". "Certa noite, Rubens Curi (amigo de Elke) chegou a casa (da famosa) e viu uma faca cravada na porta do quarto, e os dois (Elke e o Psicopata) deitados na cama. Seu coração gelou. Só constatou que a amiga estava viva por causa do ronco", contou o livro.
Ao acordar, a ex-jurada de Chacrinha relatou que se deparou na madrugada com o marido vestido como se fosse ela, "olhando fixo para ela enquanto acariciava a faca. Quando ela acordou, ele se levantou e andou até a cama. Encostou a faca em seu pescoço e disse: 'Não doi nada'".
"Por sorte, a Elke tinha um instinto de dormir em situações de perigo ou de muita tensão. E foi isso que aconteceu, ela apagou enquanto ele a ameaçava de morte. E acho que ele (Psicopata) ficou p*** que ela não demonstrava medo e cravou a faca na porta", prosseguiu Rubens, que deixou o Rio rumo a São Paulo às pressas e às escondidas com a amiga famosa.