Outro dia, estava eu rodando o catálogo da Netflix quando, de repente, a plataforma de streaming me recomendou 'Anne With An E' e eu me lembrei do quanto amei essa série (e o quanto chorei quando foi cancelada). Como estou em um momento viciado em doramas, pensei: por que não procurar algo parecido para matar essa saudade?
Repleta de empoderamento e força feminina, 'Anne With An E' encanta justamente por sua protagonista forte e destemida, com um passado triste e o objetivo de tentar seguir seus sonhos em uma época onde as mulheres deveriam ser apenas submissas. Na Netflix, 'Hae-ryung, a Historiadora' me provocou a mesma deliciosa sensação de assistir uma obra-prima.
Este passa longe de ser um dos doramas mais comentados da Netflix, mas me surpreendeu pela forma como a história acompanha uma mulher tentando existir em um sistema que não foi feito para ela. E, sim, bateu aquela nostalgia boa de 'Anne With An E'.
A série se passa na Dinastia Joseon, no início do século XIX, e acompanha Goo Hae-ryung, interpretada por Shin Se-kyung. Ela é uma jovem que decidiu seguir um caminho completamente fora do padrão da época e, enquanto mulheres eram pressionadas a pensar em casamento e vida doméstica, ela escolhe estudar e tentar se tornar historiadora do palácio.
Durante sua jornada, Hae-ryung entra para um grupo de aprendizes responsáveis por registrar oficialmente os acontecimentos da corte. Elas são as pessoas que escrevem a história do reino, mas, na verdade, precisam disputar espaço dentro de um ambiente extremamente rígido e dominado por homens que não aceitam facilmente a presença feminina.
Do outro lado da história está o príncipe Yi Rim, interpretado por Cha Eun-woo. Ele vive isolado dentro do palácio e tem uma rotina completamente diferente do resto da corte, já que, em vez de se envolver diretamente na política, ele escreve romances sob pseudônimo e circula como uma figura discreta dentro da própria realeza.
Enquanto Hae-ryung tenta buscar seu espaço na corte, enfrentando discriminações constantes, ele segue tentando viver dentro de um sistema que o mantém protegido, mas também limitado. Quando os dois se conhecem, a proximidade vai, aos poucos, fazendo com que eles se apaixonem de forma discreta.
'Hae-ryung, a Historiadora' tem uma forma de contar sua história de forma bem diferente, trabalhando duas linhas temporais distintas. Enquanto a principal mostra o dia a dia da corte e das historiadoras no presente da trama, os flashbacks mostram acontecimentos de vinte anos antes, destacando repressões políticas e decisões do governo que ainda têm impacto sobre aquela história.
E o que mais encanta no dorama não é o romance e nem o cenário histórico, mas sim a protagonista. Hae-ryung é uma jovem determinada e insistente que questiona regras que todo mundo trata como normais e não está preocupada em agradar ninguém.
Assim como em 'Anne With An E', o protagonismo cai sobre uma jovem que não se encaixa no lugar esperado e tenta construir sua própria identidade dentro de um sistema rígido. Seja na Dinastia Joseon ou na zona rural canadense, a sensação de acompanhar alguém disposta a se livrar das próprias amarras é incrível.