Entrevista | Evangélica, Ângela Bismarchi recusa proposta de milhões para conteúdo adulto e detalha nova profissão após morte trágica do filho: ‘Passei sem cair em depressão’
Publicado em 4 de janeiro de 2026 às 10:01
Nesta entrevista ao Purepeople, Ângela Bismarchi relembra polêmicas e tragédias da vida pessoal e revela como aconteceu sua conversão. Confira a seguir.
Entrevista | Evangélica, Ângela Bismarchi recusa proposta de milhões para conteúdo adulto e detalha nova profissão após morte trágica do filho: ‘Passei sem cair em depressão’ Ângela Bismarchi foi uma das figuras mais comentadas da mídia nos anos 2000 Ângela Bismarchi ganhou fama ao surgir na Sapucaí com o corpo nu pintado com a bandeira do Brasil - a primeira de uma série de polêmicas Ângela Bismarchi causou controvérsia ao falar abertamente sobre a cirurgia de reconstrução do hímen, para dar a virgindade de presente ao então marido Ângela Bismarchi hoje é evangélica e vive longe do Carnaval

Curvas milimetricamente esculpidas, presença marcante no Carnaval e cirurgias plásticas que ditavam moda, mas, também, causavam controvérsia: foi essa mistura cheia de nitroglicerina que transformou Ângela Bismarchi em uma das figuras mais comentadas na imprensa dos anos 2000.

Ângela ganhou fama ao surgir na Sapucaí com o corpo pintado com a bandeira do Brasil - a primeira de uma série de polêmicas. Em 2008, falou abertamente sobre a cirurgia de reconstrução do hímen, para dar a virgindade de presente ao então marido. Também apostou em uma carreira de cantora, com um cover do hit “Alô, galera de cowboy / Alô, galera de peão”.

Como ninguém, ela sabia captar a atenção da mídia e do público para si, mas tudo isso não enchia mais seus olhos. Nos últimos anos, ela deixou de lado a persona que lhe rendeu holofotes e mergulhou em busca da essência de Ângela Filgueiras, carioca, a filha de Esmeralda, que completa 60 anos em 2026. Convertida à religião evangélica, dedicou-se aos estudos e se tornou bacharel em Teologia. Formada em Psicanálise, ela presta atendimentos psicológicos atualmente. 

A transformação também foi impulsionada pelas tragédias que marcaram sua vida pessoal. Em 2012, enfrentou a trágica morte da irmã enquanto estava confinada em “A Fazenda”. 10 anos depois, a maior das dores: Igor Filgueiras, seu único filho, morreu após incêndio em um hotel no Rio de Janeiro.

Ela não esmoreceu, transformou dor em aprendizado e, agora, divide isso com outras mulheres em palestras ao redor do Brasil. O Purepeople conversou com a ex-modelo e psicanalista ao telefone e encontrou alguém que fala dos tempos gloriosos da fama com distanciamento - quase como quem descreve uma outra vida, mas com sorrisos e carinho que confirmam o orgulho de uma trajetória de muita ousadia. Com a palavra, Ângela Bismarchi. 

ÂNGELA BISMARCHI EXPLICA POR QUE SE CONVERTEU À RELIGIÃO EVANGÉLICA

Purepeople: Ângela, eu queria começar falando sobre a sua transformação. O que motivou uma virada de chave na sua vida e na sua carreira nos últimos anos?

Ângela Bismarchi: Foi acontecendo naturalmente a minha conversão, teve uma mudança espiritual radical em relação ao mundo, para com as pessoas e comigo mesma. Eu tive que mudar minha trajetória após muitas perdas materiais, emocionais e sentimentais. Quando eu resolvi ter essa mudança, eu estava no auge. Era rainha de bateria no Rio e em São Paulo, tinha acabado de sair de “A Fazenda”.

Eu fui cercada por pessoas cristãs que me levaram a uma célula e eu comecei a estudar a Bíblia, o evangelho. Foi aí que eu resolvi largar tudo e mudar minha caminhada. Muitas portas se fecharam, mas não perdi tempo. Tudo que eu ganhei no mundo, eu investi nos meus estudos. Eu já tinha faculdade de Moda e, depois, ingressei no curso de Teologia e fui fazendo Mestrado, Doutorado em Ministério e me formei em Psicanálise. Isso ninguém tira.

Não desvalorizo o que eu conquistei, eu só deixei para trás e recomecei. Deixei de fazer coisas que eu fazia lá atrás, como posar nua, me expor muito no Carnaval. Acho que expus muito minha imagem em relação à beleza. 

OUÇA EM ÁUDIO! De polêmicas a perdas familiares: Ângela Bismarchi passa história a limpo e comenta conversão à religião evangélica

PP: Com essa transformação na sua vida, como é sua relação com a fama hoje? Você vem de uma época sem redes sociais, onde era mais difícil de emplacar… 

AB: Você entrou em um detalhe muito importante. Hoje em dia, qualquer um se acha famoso porque tem 1 milhão de seguidores. Isso é muito fácil, queria ver na época de 1998, 1999… Que para ganhar fama, ser reconhecido pelo que você faz, era muito difícil, a competição era muito grande.

Em uma época, a Banheira do Gugu estava no auge. Se você não estivesse na mídia naquela semana, você não fazia a Banheira. Todo mundo ficava atrás do diretor, do produtor. Eu queria fazer a Banheira de qualquer maneira! Quem ia no Gugu no domingo era porque realmente estava na mídia. Era muito difícil.

Dentro da Avenida, eu competia com as globais. Eu estava sempre entre as globais. Os jornalistas todos em cima de mim. Porque eu encarava o Carnaval como uma atriz, representando meu papel dentro da escola de samba. Acho que é por isso que era sucesso. Eu não encarava só para aparecer ou me divertir, eu levava com profissionalismo, como se tivesse entrando em capítulo de novela. A galera ficava me esperando para ver o que eu ia aprontar. Você tinha que ser criativa!

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ANGELA BISMARCHI TRABALHA COMO PSICANALISTA ATUALMENTE

PP: Por que da escolha da Psicanálise? O que nesta abordagem terapêutica chamou sua atenção?

AB: Na combinação da Teologia com a Psicanálise, a gente enfrenta desafios, porque a gente tem que integrar essas duas disciplinas. Mas é fascinante! Na Teologia, a gente trabalha muito nosso espiritual, passa a se conhecer melhor também. Na Psicanálise, a gente trabalha muito a mente e o comportamento. As pessoas acham que é muito diferente, mas não. Um liga o outro, o bom ao melhor. Eu consigo entender o meu paciente dos dois lados.

A gente trabalha muito o inconsciente. Muita coisa que aconteceu na nossa infância, a gente guarda e repete hoje em dia. Coisas que a gente nem sabe que estão no nosso inconsciente, a gente está repetindo. Eu, como psicanalista, também passo por terapia, para não me envolver com os pacientes. Se eu me envolver com os problemas dos pacientes, corre risco de eu também ficar adoecida. Mas é uma junção maravilhosa, eu amo.

PP: Hoje, você tem pacientes, mas recebe a procura de muitos curiosos? Alguém que marca com você porque admira aquela Ângela do passado… Como você separa essas duas Ângelas?

AB: É muito difícil. Às vezes, eu até penso em mudar meu nome e tirar o Bismarchi. Gera muita curiosidade, o assédio é muito grande e isso atrapalha meu trabalho como psicanalista. As pessoas não conseguem separar aquele mulherão lá do Carnaval e a doutora de hoje em dia, que não tem aquela exposição mais.

Realmente, eu me tornei uma pessoa diferente. Muitos querem marcar consulta e perguntam se eu atendo presencialmente, porque querem ir à clínica. Mas eu procuro ter sabedoria para poder sair dessa. Eu tenho muitos fãs que eu conquistei nessa minha trajetória. E muitos fãs apaixonados! Muitos não acreditam na minha conversão.

Por isso que eu estou muito focada em fazer palestras para mulheres. Porque o assédio com relação aos homens é muito grande. Eu me converti, mas Deus não tirou de mim essa coisa de eu me cuidar, eu continuo com um corpaço, cuido do meu cabelo, das minhas unhas.

Eu continuo aquela mulher bonitona, imagina atendendo em uma clínica, dentro da igreja… Chama atenção realmente, as pessoas ficam curiosas. Eu mudei a maneira que eu vivia, mas os meus bons hábitos que adquiri desde menina, não tirei de mim. Não bebo, não fumo, durmo cedo, tenho uma alimentação saudável, treino. A diferença é que eu não exponho mais nada do meu corpo. Eu não coloco nem foto de biquíni.

PP: Você já reforçou que continua uma mulher muito vaidosa. Mas em relação às cirurgias plásticas? Continua fazendo?

AB: Continuo, se tiver que fazer, eu faço! Eu fiz agora o levantamento da minha sobrancelha, que ficou lindíssima, me rejuvenesceu mais. Fiz com o Dr. [José Antonio Encinas] Beramendi, que é cirurgião plástico. Eu sei escolher quem mexe em mim, eu não deixo qualquer pessoa cuidar de mim em relação a meu rosto. No meu corpo, nunca mais fiz nada de cirurgia plástica. Agora, eu cuido do meu rosto.

É cuidar do templo, que é do espírito santo. Eu cuido do meu templo. Eu não maltrato meu corpo, eu cuido. Isso não é pecado! Cuido porque sempre fui cuidadosa comigo, independente de querer agradar alguém ou não. Primeiro, tenho que estar bem comigo, depois, eu cuido de alguém. Em todos os sentidos. Até a mente também.

PP: Além da religião, você acha que a Psicanálise também te ajudou a ressignificar essa relação com o corpo e com a fama?

AB: Com certeza. Por tudo que eu passei da minha vida, tanto a Teologia quanto a Psicanálise me ajudaram muito. Eu tive a perda brusca do meu filho, com 30 anos, ele faleceu. Imagina só. As pessoas perguntam: ‘como você conseguiu sobreviver?’. Porque a perda de um filho é antinatural.

Deus vai preparando, né? Claro que ninguém pensa que um filho vai morrer na sua frente, é um baque muito grande. Mas eu já tive tantas perdas que consegui superar e passar por elas, que me fizeram também passar pela perda do meu filho sem cair em depressão. Deus dá a vida e tira a vida. Era o momento do meu filho ir, eu aceitei e consegui passar com muita fé, perseverança.

Inclusive, estou com a palestra “Superando Limites”. O meu objetivo é palestrar para as mulheres. Elas estão muito sofridas, passam por fases difíceis e não conseguem superar. São circunstâncias da vida que se a gente deixar, vai nos paralisar.

ANGELA BISMARCHI COMENTA RELAÇÃO COM TELEVISÃO APÓS A CONVERSÃO

PP: Você hoje faz menos aparições na televisão. Foi uma opção ou portas se fecharam para você após a conversão?

AB: Muita coisa se fechou também porque virei cristã. O meu discurso é outro. Não gosto de falar palavrão, as conversas são diferentes. As minhas conversas são de sabedoria, entendimento, que ajudam o próximo, sem falar mal das pessoas. Tem certos ambientes que não condizem mais. Mas não que eu seja preconceituosa. Não. Se tiver que ir, eu vou numa boa.

Eu acabei de sair do “Game dos 100” [exibido pela Record TV no ano passado]. Eu participei com 100 pessoas numa boa, fiquei até o 7º de 10 episódios. Eu tenho feito televisão, mas não tanto quanto eu fazia antes. O que eu fazia dava muito mais repercussão, né? Mas não é que eu tenha deixado de fazer [televisão], é que as coisas mudaram. Então, a visão das pessoas também é outra com relação ao meu procedimento. Aí, sim, há muito mais preconceito delas.

PP: Um reality show de confinamento, como ‘A Fazenda’, é uma coisa que você encararia de novo nessa fase?

AB: Sim, claro, tranquilo, não tenho preconceito nenhum. Se fosse convidada, iria com certeza. Agora, com uma nova roupagem, uma nova Ângela. Eu não sei como seria meu comportamento lá, não vou dizer que não faria isso ou aquilo, porque eu não sei. A gente tem que lidar com 15, 16 pessoas…

PP: Essa última ‘Fazenda’ foram 26…

AB: Quê?! Tá doido… Na minha, foram 16 e já acho muito. As pessoas te cutucam muito. Eu acho que eu seria muito mais uma pacificadora do que uma briguenta lá dentro.

PP: Na ‘Fazenda 5’, você já foi assim. Você intermediava as brigas de Nicole Bahls e Viviane Araujo.

AB: A Gretchen dizia que eu era muito observadora. Acho que eu já era uma psicanalista lá (risos). Eu era muito mais de escutar. Psicanalista é isso, né, você ouve mais do que fala. Sou uma boa ouvinte.

PP: Existem muitos memes com suas imagens. Você lida bem com essa coisa de se tornar meme?

AB: (risos) É isso, eu tenho que rir! É a geração do meme! Claro que eu lido bem! Eu já passei por cada situação quando eu estava no Carnaval, até três peitos, até hoje falam dos três peitos [Em 2010, Ângela participou do “Sensacionalista”, um jornal fictício do Multishow onde anunciou que implantaria um terceiro seio. Tudo, claro, não passava de um esquete]. Eu sei como funciona, não esquento com isso.

PP: Recentemente, você deu uma entrevista para Luiza Ambiel e muita gente pediu que você retornasse ao universo da sensualidade. Como você lida com isso, sabendo que não é mais parte da sua rotina? 

AB: As propostas são imensas. Tenho que ter discernimento e sabedoria. Eu recebi uma proposta que começou com R$ 5 milhões. Aí passou para R$ 10 milhões, passou para R$ 20 milhões e chegou a R$ 40 milhões. Eu não aceitei. Acredita?

PP: Proposta de quê? Pode falar?

AB: Proposta para fazer essas plataformas de conteúdo adulto. Tem muita gente que não acredita que eu me converti. Mesmo se eu não fosse convertida, eu não faria. Eu já fui convidada para fazer filme pornô e não quis. A Brasileirinhas, uma vez, me ofereceu e eu não quis fazer. Fora outras propostas que eu já recebi, você não tem noção. Tipo assim, mil euros, em dólar. Eu não aceito. As propostas vêm. Mesmo eu estando do lado de cá, sem estar no Carnaval, naquela exposição toda.

PP: Mas R$ 40 milhões mesmo, Ângela? É muito dinheiro.

AB: É difícil acreditar, mas para para pensar. Depois que eu me converti, eu nunca mais me expus. De repente, as pessoas estão curiosas. Eu perguntei para a pessoa que me ofereceu esse dinheiro: ‘por que eu?’. ‘Porque os homens é que estão pedindo’. Os homens querem que eu caia da graça? Não! É difícil acreditar, porque é muito dinheiro, mas a plataforma da pornografia está muito grande, é muita grana. Como eu deixei de me expor, estou muito mais valorizada. Não sou aquela mulher que se quiser ver a Ângela, ela tá ali de biquíni. As pessoas não sabem como meu corpo está hoje em dia.

PP: Muitas mulheres da sua geração entraram por esse caminho. De repente, acharam que você iria também.

AB: Os homens estão viciadíssimos em pornografia. Isso eu falo como psicanalista: tem muitos homens casados que ficam viciados em pornografia e não conseguem nem mais transar com a própria mulher em casa. Isso precisa de tratamento, de análise.

Eu prefiro ter um bom nome do que dinheiro, um bom nome abre mais as portas que dinheiro. Prefiro fazer minhas palestras, ganhar dinheiro com a Psicanálise. Eu não sou uma mulher rica, vivo uma vida muito mais modesta hoje em dia. Mas prefiro viver assim e dignamente. E não estou aqui para julgar ninguém. Estou falando de mim.

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Por Matheus Queiroz | Notícias dos famosos, TV e reality show
Jornalista por vocação, apaixonado por música, colecionador de CDs e neto perdido de Rita Lee.
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