Toda grande invenção começa de forma simples. Às vezes, quase invisível. Em 1913, em Edgewater, bairro ao norte de Chicago, Mabel Williams era apenas uma jovem como tantas outras: vaidosa, sonhadora e apaixonada por detalhes.
Diante do espelho e após um "perrengue fashion" em que descoloriu demais as sobrancelhas e os cílios, ela improvisou uma solução caseira para realçar os cílios, misturando vaselina com um pó de carvão.
Nada muito sofisticado, apenas um truque pessoal para deixar o rosto, que estava álido demais, com olhar mais intenso.
Seu irmão mais novo, Thomas Lyle Williams, observava tudo com atenção. Onde Mabel via apenas um hábito cotidiano, ele enxergou uma ideia promissora. “Se minha irmã precisa recorrer a isso, outras mulheres também precisam”, provavelmente pensou. Ali surgia, quase por acaso, a semente de um produto que mudaria a história da beleza.
Dois anos depois, Thomas decidiu transformar a receita improvisada da irmã em algo mais prático e comercial.
Em 1915, começou a testar fórmulas que pudessem ser reproduzidas em maior escala. Seu objetivo era simples: criar um cosmético específico para os cílios, fácil de usar e acessível.
'Presumindo que muitas outras meninas deviam estar fazendo algo semelhante diante dos seus espelhos de maquiagem, Tom Lyle [na foto] comprou um kit de química e tentou adaptar a fórmula da sua irmã para criar uma marca comercial de cosméticos mais estável. Poderíamos dizer que ele “inventou” o rímel moderno ali mesmo, mas isso levou um tempo, além de uma ajuda significativa dos laboratórios da Parke, Davis & Co., uma renomada fabricante de produtos farmacêuticos", destaca a página oficial do museu Made in Chicago.
Quando chegou à versão final, resolveu batizá-la com um nome especial: Maybelline, união carinhosa entre “Mabel” e “vaseline”, o ingrediente principal da mistura. Mais do que uma marca, era uma homenagem à jovem que inspirou tudo.
O grande marco veio em 1917, quando Thomas lançou no mercado o que seria considerado o primeiro rímel moderno da história. O produto vinha em formato sólido, como um pequeno “bolo” de pigmento, aplicado com uma escovinha umedecida.
Era um item totalmente novo para a época. Não existia nada parecido nas prateleiras, e rapidamente ele despertou curiosidade entre as mulheres. A partir dali, o olhar feminino nunca mais seria o mesmo.
Nas décadas seguintes, a novidade ganhou força. Nos anos 1920 e 1930, o cinema ajudou a transformar cílios marcantes em sinônimo de glamour.
Atrizes de Hollywood exibiam olhares dramáticos nas telas, e o rímel se tornou essencial na maquiagem feminina.
Com o passar do tempo, surgiram versões mais modernas: aplicadores práticos, fórmulas líquidas, máscaras à prova d’água e efeitos de volume e alongamento.
Hoje, mais de um século depois, o rímel continua sendo um dos produtos de beleza mais vendidos e amados do mundo.
Dados do Business Research Insights apontam que o mercado global de rímel foi de US$ 6,84 bilhões em 2025, com projeções de US$ 9,59 bilhões em 2034.
Tudo graças à sensibilidade de uma jovem que queria se sentir mais bonita e ao olhar atento de um irmão que acreditou em seu potencial. Você sabia que a história do rímel é uma história sobre afeto, observação e criatividade?