Renato Gaúcho é técnico do Fluminense, que joga nesta quarta-feira (16) na Copa do Mundo de Clubes da Fifa. Muito antes de assumir o posto, o craque foi uma das estrelas do time carioca nos anos 1990. A passagem pelo clube, no entanto, foi marcada por turbulências sobre salário.
Renato já estava há quase dois anos sem receber salário quando, em 1997, decidiu trocar o Fluminense pelo São Paulo. Segundo o jogador, a dívida do clube com ele já chegava a R$ 1,3 milhão. O time chegou a propor pagar 20% do montante para que ele permanecesse, mas o atleta queria 40%.
Renato foi apresentado como novo reforço do São Paulo sem assinar contrato e sem vestir a camisa do time, atitude que causou estranheza nos torcedores, mas não no presidente do clube na época. “Ainda não assinamos nada, mas prefiro confiar na palavra do Renato. Tudo será colocado no papel quando ele passar pelos exames médicos e tiver condições físicas de jogo”, declarou Fernando Casal de Rey ao jornal Folha de São Paulo.
Quatro dias depois de ser anunciado, Renato não deu as caras no centro de treinamento e confirmou que continuaria no Fluminense. Após a retomada das negociações, as partes chegaram a um acordo sobre a dívida milionária.
Muita gente chegou a suspeitar de que Renato não queria ficar longe do Rio de Janeiro por conta das praias. O motivo foi uma declaração à Folha de São Paulo: “Posso até sentir saudades, mas tenho que esquecer e procurar me adaptar em São Paulo. Amo a praia, mas quando eu parar de jogar ela não vai sustentar minha família”.
O diretor de comunicação do São Paulo afastou a possibilidade. "A questão não era decidir entre a praia e a praça da Sé, entre São Paulo e Fluminense. A questão era receber R$ 1,2 milhão", afirmou Ricardo Viveiros.
O presidente do clube foi comunicado por telefone da desistência de Renato. "Para mim, ele não teve má-fé, mas o interesse do São Paulo acordou o Fluminense”, avaliou Fernando, que também negou que os dirigentes tenham se precipitado ao anunciá-lo sem a assinatura de um contrato.
Renato chegou a voltar para o Flamengo pouco tempo depois. Assim como no Fluminense, ele também atuou no rubro-negro como treinador posteriormente.