Alexandre Borges está vivendo um dos personagens mais complexos de 'Quem Ama Cuida'. Na nova novela das nove da Globo, o ator interpreta Ulisses, homem marcado por compulsão em jogos de azar, um hábito que atinge cerca de 3 milhões de brasileiros, conforme o Senado Federal.
Na história, Ulisses vê sua situação sair completamente do controle. Viciado em apostas, ele toma decisões cada vez mais desesperadas para sustentar o hábito. Entre os prejuízos mais recentes está a devolução do carro que havia comprado para o enteado, além da perda da confortável mesada que recebia do irmão, Arthur Brandão (Antonio Fagundes), antes da morte do empresário.
Em entrevista à revista Quem, o ator de 60 anos destacou que a compulsão está muito mais presente na sociedade do que muitos imaginam.
“Muita gente vive isso, mas a gente ainda fala pouco sobre compulsão. E não é só jogo. Pode ser comida, bebida, cigarro, compra", afirmou.
Para o artista, é um erro tratar a questão apenas como uma falha moral ou falta de força de vontade. Segundo ele, por trás de muitos vícios existem dores emocionais que acabam sendo preenchidos de forma prejudicial.
"O mais importante é tentar entender de onde vem esse vazio, sem moralismo, sem apontar o dedo ou achar que é simplesmente falta de caráter”, diz.
A reflexão de Alexandre vai além da novela. O ator acredita que o cenário atual contribui para o aumento de comportamentos compulsivos. Em um mundo marcado pela ansiedade, excesso de informações e relações cada vez mais aceleradas, muitas pessoas acabam buscando formas de escapar da realidade.
“Vivemos um momento de muita ansiedade, violência, excesso, golpes, discussões vazias… Acho que o mundo está precisando de mais espiritualidade. Muitas vezes, as pessoas buscam alguma fuga para se sentirem vivas de alguma maneira. Espero que a novela consiga discutir isso sem julgamento, porque, de certa forma, hoje em dia todos nós somos compulsivos por alguma coisa”, afirma.
Além do sucesso atual na novela das nove, Alexandre Borges também está novamente no ar nas tardes da Globo com a reprise de 'Avenida Brasil'.
Na trama exibida originalmente em 2012, ele interpretou Cadinho, personagem que levava uma vida tripla ao manter três casamentos simultaneamente sem que uma família soubesse da existência da outra.
Quatorze anos depois, o ator acredita que o tema continua atual e observa como as discussões sobre relacionamentos mudaram ao longo do tempo.
"Acho engraçado que hoje estamos ouvindo muito mais sobre poliamor. Na época, era o MC Catra [a referência], tivemos até um encontro. É um assunto que ainda está atual", conclui.
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