A proibição da União Europeia a um ingrediente presente na maior parte dos esmaltes em gel usados em salões, o TPO (óxido de trimetilbenzoil difenilfosfina), está movimentando o mundo da beleza desde o começo deste mês.
O ingrediente foi classificado por órgãos reguladores europeus, de acordo com a Comissão Europeia, como um tipo de "tóxico reprodutivo" de categoria 1B, com base nos efeitos negativos presumidos sobre a fertilidade ou a reprodução humana.
"Embora a via de administração nesses estudos com animais seja muito diferente da exposta a um ser humano por meio de manicure em gel, a União Europeia está sendo cautelosa, pois os dados ainda não estão disponíveis para descartar possíveis danos aos seres humanos", disse a endocrinologista reprodutiva e especialista em infertilidade Sharrón L. Manuel ao "Everyday Health".
No cenário atual, não há estudos suficientes em grande escala em humanos sobre os efeitos da TPO na saúde. "A principal preocupação vem de estudos com animais em altas doses, nos quais a TPO foi administrada oralmente a ratos, causando efeitos reprodutivos adversos", indicou.
No entanto, o uso da substância química ainda permitido no Brasil e nos EUA. Por aqui, quem avalia, libera ou proíbe substâncias químicas é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
"Em geral, a Anvisa segue os posicionamentos de outras agências internacionais, como a europeia e a americana", afirmou a médica Rosana Lazzarini, membro da diretoria da SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia), ao portal "Universa" do UOL.
"A Agência Europeia costuma ser mais ágil em adotar medidas de restrição. Até o momento, o TPO foi proibido apenas na União Europeia, permanecendo autorizado tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. É importante aguardar um posicionamento oficial da Anvisa sobre o tema", adicionou a especialista.
Não há evidências sólidas de que a TPO represente riscos à fertilidade ou outros perigos à saúde dos seres humanos. Mas se estiver preocupada, você pode comprar esmalte em gel sem TPO ou solicitá-lo em seu salão de beleza.
"Eventualmente, essa proibição pode influenciar as tendências regulatórias de produtos de beleza em todo o mundo, e podemos começar a ver mais produtos sem TPO sendo desenvolvidos", afirmou Manuel.
Caso esteja tentando engravidar ou se estiver no primeiro trimestre da gravidez, quando o desenvolvimento fetal é crítico, Manuel sugere limitar sua exposição ou evitar a TPO, se possível.
"Como especialista em endocrinologia reprodutiva e infertilidade, tenho a tendência de ser mais cautelosa e conservadora até que possamos provar que a TPO é segura", analisou a médica.
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