Joia milenar iraniana de 3.000 anos instaura polêmica em Hollywood: por que o detalhe no look de Zendaya para o filme 'A Odisseia' indignou arqueólogos
Publicado em 21 de julho de 2026 às 18:48
Zendaya, que vive Atena em 'A Odisseia', de Christopher Nolan, provoca debate sobre artefatos históricos; episódio de Margot Robbie na estreia de 'O Morro dos Ventos Uivantes' também volta à tona
Joia milenar iraniana de 3.000 anos instaura polêmica em Hollywood: por que o detalhe no look de Zendaya para o filme 'A Odisseia' indignou arqueólogos Segundo o jornal britânico The Guardian, a escolha de Zendaya por brincos confeccionados com artefatos iranianos de cerca de 3 mil anos durante a divulgação de A Odisseia provocou críticas de arqueólogos e reacendeu o debate sobre patrimônio histórico De acordo com o The Guardian, especialistas afirmam que os brincos usados por Zendaya foram produzidos a partir de antiguidades atribuídas ao tesouro de Ziwiye, encontrado no Irã e marcado por um histórico de saques Segundo o The Guardian, a historiadora Sussan Babaie classificou como "chocante" o uso de objetos arqueológicos milenares como acessórios em um evento de divulgação de Hollywood Segundo comunicado reproduzido pelo The Guardian, a galeria Barron London afirmou que os brincos usados por Zendaya possuem procedência documentada e foram emprestados para celebrar a arte persa, sem objetivo comercial

A escolha de um acessório para promover um grande filme de Hollywood colocou Zendaya no centro de uma discussão que vai muito além da moda. A atriz, que interpreta a deusa Atena em "A Odisseia", novo longa de Christopher Nolan, apareceu em um evento de divulgação em Londres usando um par de brincos confeccionados com artefatos de ouro datados de aproximadamente 700 a.C., atribuídos ao famoso tesouro de Ziwiye, descoberto no noroeste do Irã. A decisão provocou críticas de arqueólogos, historiadores da arte e especialistas em patrimônio cultural, segundo informações publicadas pelo jornal The Guardian.

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Por que os brincos usados por Zendaya causaram tanta indignação?

De acordo com o The Guardian, os brincos pertencem à galeria Barron London, especializada em antiguidades. Em comunicado, a empresa informou que as peças foram adquiridas de outro joalheiro londrino, Glenn Spiro, em 2025, e que são atribuídas ao tesouro de Ziwiye, encontrado em 1947.

O problema, segundo pesquisadores, está justamente na origem desse conjunto arqueológico. Conforme um estudo citado pela publicação britânica, o tesouro foi saqueado por pastores logo após sua descoberta, e muitas das peças acabaram sendo vendidas no mercado internacional de antiguidades durante a década de 1960. Atualmente, os objetos estão espalhados entre museus e coleções particulares.

Para a historiadora da arte Sussan Babaie, professora do Courtauld Institute, foi "chocante" ver que ninguém considerou inadequado utilizar objetos tão antigos como acessórios de um evento promocional. A especialista afirmou que falta sensibilidade cultural entre as equipes responsáveis por vestir celebridades e transformar peças históricas em símbolos de glamour.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a escolha de Zendaya por brincos confeccionados com artefatos iranianos de cerca de 3 mil anos durante a divulgação de A Odisseia provocou críticas de arqueólogos e reacendeu o debate sobre patrimônio histórico © Getty Images, Shane Anthony Sinclair
Especialistas dizem que patrimônio histórico não deve virar acessório

Ainda segundo o The Guardian, a arqueóloga Annelise Baer afirmou que a principal questão ética não é exatamente Zendaya, mas sim o fato de os brincos terem sido confeccionados a partir de antiguidades saqueadas.

Na avaliação da pesquisadora, a enorme visibilidade da atriz acabou levando essa discussão para um público muito maior. Ela destacou que, por ter sido usada em um tapete vermelho de uma superprodução internacional, a peça passou a chamar atenção para um problema antigo relacionado ao comércio de artefatos arqueológicos.

Sussan Babaie afirmou que os discos de ouro provavelmente possuíam um significado espiritual extremamente importante em sua cultura de origem e que esses objetos "não foram feitos para serem exibidos como acessórios". Para a historiadora, trata-se de patrimônio da humanidade.

De acordo com o The Guardian, pesquisadores defendem que objetos históricos como os discos de ouro usados por Zendaya representam patrimônio da humanidade e não deveriam ser transformados em acessórios de moda; Placa de ouro com figuras masculinas e leões, Tesouro de Ziwiye. Irã, século VII a.C. © Getty Images, DEA / C. BEVILACQUA
Barron London se defende e afirma que empréstimo não teve objetivo comercial

Em resposta às críticas, a Barron London declarou que os brincos possuem procedência documentada e são administrados de acordo com todas as exigências legais aplicáveis. A galeria também afirmou que o empréstimo para Zendaya jamais teve finalidade comercial. 

Segundo o comunicado reproduzido pelo The Guardian, a intenção era celebrar a extraordinária habilidade dos antigos ourives persas e incentivar uma valorização mais ampla da tradição artística do Irã, frequentemente lembrado apenas por questões políticas contemporâneas.

Debate ganhou força nas redes sociais e relembrou outros casos semelhantes

A jornalista Karol Gomes, do perfil @enfimkarol, afirmou que usar objetos históricos saqueados acaba apagando a história dos povos aos quais eles pertencem. Em seu vídeo, ela comparou o caso ao colar histórico usado por Margot Robbie durante a divulgação de "O Morro dos Ventos Uivantes"

De acordo com a criadora de conteúdo Rila, Margot Robbie também esteve no centro de uma discussão ao usar um colar avaliado em US$ 8 milhões com inscrição persa, reacendendo o debate sobre o uso de artefatos históricos do Oriente Médio em eventos de Hollywood © Getty Images, Olivia Wong

Segundo a criadora de conteúdo, a atriz apareceu usando o colar Taj Mahal, da Cartier, avaliado em US$ 8 milhões, presente dado por Richard Burton a Elizabeth Taylor em 1972. Para ela, esse tipo de escolha pode transformar patrimônios culturais em simples elementos estéticos e apagar a história original dessas peças.

Outra criadora de conteúdo, Rila (@historiacomrila), que produz análises sobre arte, também comentou o caso. Segundo ela, artefatos arqueológicos carregam informações sobre civilizações inteiras e não devem ser vistos apenas como joias bonitas. Em sua avaliação, quando a origem desses objetos deixa de ser discutida, parte de sua história também acaba sendo apagada. 

A influenciadora também relembrou que Margot Robbie usou um colar avaliado em US$ 8 milhões, com inscrição persa e pertencente a uma imperatriz, defendendo que a história desses objetos deve ser contextualizada sempre que eles aparecem em eventos de grande visibilidade.

@historiacomrila

Os brincos de Zendaya na estreia de A Odisséia são discos de ouro de 2.500 a 3.000 anos do Tesouro de Ziwiye, no Irã. As joias são lindas, a história que eles carregavam pode ter sido apagada para sempre. #zendaya #arte #arqueologia #patrimoniocultural #artefatos

♬ som original - Rila
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Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
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