Você está sentado em uma sala de espera, olha para o relógio e percebe que ainda faltam dez minutos para a consulta. Nenhuma mensagem chegou e, talvez, você nem tenha algo específico para verificar. Mesmo assim, quase automaticamente, a mão vai até o celular.
Se essa cena parece familiar, saiba que ela é muito mais comum do que se imagina, e não significa necessariamente que você tenha pouca capacidade de atenção.
A psicologia aponta que existe outra questão por trás desse comportamento: a dificuldade de lidar com o tédio e, principalmente, com a sensação desagradável que ele pode provocar.
Um estudo publicado em 2026 por Katy YY Tam, Wijnand AP van Tilburg e Cristian S. Chan reuniu dois estudos com mais de 750 participantes. Os pesquisadores combinaram questionários com registros objetivos do tempo gasto diante das telas para entender melhor a relação entre tédio e uso do smartphone.
Os resultados indicaram que não é apenas a presença do tédio que importa. O quanto essa sensação é percebida como desagradável também pode influenciar a busca por alguma forma de distração. E o celular oferece justamente a alternativa imediata para preencher qualquer vazio.
Esse comportamento ajuda a explicar por que tantas pessoas não conseguem simplesmente permanecer alguns minutos sentadas sem consultar a tela. Não necessariamente porque perderam a capacidade de concentração, mas porque se acostumaram a ter uma fonte de estímulo permanentemente disponível.
Outras pesquisas também apontaram um paradoxo interessante. O tédio e a fadiga podem aumentar posteriormente o uso do smartphone, mas recorrer ao aparelho como forma de relaxamento não garante, necessariamente, uma melhora no bem-estar.
Em alguns estudos, mais tempo diante da tela foi acompanhado posteriormente por níveis maiores de tédio e fadiga.
Por isso, os pesquisadores não afirmam que alguém que pega o celular em uma sala de espera tenha, por esse motivo, menor capacidade de atenção. O comportamento pode estar muito mais relacionado à forma como lidamos com o ócio e à facilidade de eliminar rapidamente qualquer sensação de espera.
E há exemplos entre famosos de uso extremo do celular. A atriz Giovanna Ewbank, casada com Bruno Gagliasso, já falou publicamente sobre problemas relacionados ao uso excessivo do celular. Em 2018, por exemplo, ela precisou ficar longe do aparelho por recomendação médica depois de travar a coluna.
Em outras palavras, o hábito comum de mexer no celular pode provocar consequências graves, seja no lado emocional, com o crescimento do tédio e da ansiedade, assim como no físico, com dor na coluna, tendinite, entre outros. Cuide-se!