Nascida na Caatinga, formada no EJA aos 33 anos e em gastronomia aos 42: hoje aos 54 anos, participante do 'MasterChef Profissionais' vive seu auge profissional e é a prova de que sonhos não têm prazo de validade. 'Não estou aqui sozinha'
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 14:47
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Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
O sucesso não tem data marcada para chegar, e a trajetória da chef Ieda de Matos, destaque no 'MasterChef Profissionais' é a prova viva de que a paixão pela culinária pode transformar destinos
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Nem todo mundo precisa ter a vida resolvida na casa dos 20 anos, e muitas vezes o sucesso profissional pode demorar a chegar. Para muitas mulheres, conciliar trabalho, maternidade e estudos significa adiar planos por anos até encontrar uma oportunidade de retomá-los, e este é exatamente o caso da chef baiana Ieda de Matos.

Hoje aos 54 anos, a cozinheira vive uma fase importante da carreira ao integrar a 6ª temporada do 'MasterChef Profissionais', exibida pela Band, onde promete levar à televisão os sabores e as tradições da Chapada Diamantina, onde cresceu.

Natural de Utinga, na Bahia, Ieda foi criada em uma família de agricultores com 14 irmãos. A cozinha fez parte de sua infância, especialmente por meio das tias, que preparavam doces, quitutes e biscoitos para vender nas feiras de fim de semana. Essas lembranças se tornaram parte da identidade que ela mantém em sua culinária hoje.

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Ieda voltou a estudar aos 33 anos e se formou em gastronomia aos 42

Aos 12 anos, Ieda deixou a Bahia para morar com uma tia em São Paulo e assume que a mudança não foi nada fácil: "Foi horrível para mim sair do meu ninho. Eu lembro quando fui a primeira vez no mercado e tomei um leite de caixinha. Eu falei: 'Gente, que horror! Eu quero meu leite de vaca!'", recordou em entrevista à Band.

Aos 18 anos, ela teve o filho Everton e precisou interromper os estudos. O desejo de conquistar um diploma, porém, continuou sendo um sonho para a chef, incentivada pela tia Maria, que via na educação uma oportunidade de mudar de vida: "Eu pensava assim: 'Eu não vou viver essa história. Eu vou me formar'. Sempre sonhei com uma formação em nível superior. Era meu sonho"

Enquanto trabalhava com a venda de doces, salgados e marmitas, ela encontrou uma maneira de retomar os planos. Aos 33 anos, voltou a estudar por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), e, depois de fazer um curso técnico de biblioteconomia no Senac, período em que também vendia coxinhas para complementar a renda, ingressou na faculdade de gastronomia e concluiu a graduação aos 42 anos.

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Da experiência internacional ao próprio restaurante em São Paulo

A formação abriu caminho para novas experiências, e Ieda fez estágios na Bélgica, na Espanha e na Inglaterra. De volta ao Brasil, criou o Bocapiu Food Truck, negócio com o qual passou três anos viajando e servindo pratos inspirados na culinária regional.

Mais tarde, abriu a Casa de Ieda, um restaurante em Pinheiros, na capital paulista. Com poucos lugares e cozinha aberta, o espaço valoriza ingredientes e receitas ligados às origens da chef. Ieda representou a culinária nacional na Austrália, em uma iniciativa do Itamaraty, e cozinhou em eventos institucionais, incluindo um jantar com a presença dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e de Portugal.

E se engana quem pensa que o 'MasterChef' é a primeira oportunidade televisiva de Ieda de Matos: a cozinheira venceu o reality show 'Fora da Rota' e chegou a participar do 'Iron Chef', na Netflix. 

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Chef quer representar as mulheres da Chapada Diamantina 

No 'MasterChef Profissionais', Ieda de Matos pretende apresentar ingredientes e preparações tradicionais que, segundo ela, merecem mais espaço na gastronomia. A participação também é uma forma de reconhecer as mulheres que fizeram parte de sua história e de tantas outras cozinheiras que não tiveram as mesmas oportunidades.

"Quero terminar de contar um pouquinho minha história e 'arrengar' um pouquinho. Eu estou contando a minha história, estou levando os meus, estou falando da minha agricultura e estou fomentando a minha Chapada Diamantina", garantiu a chef. 

Por fim, Ieda ressaltou suas origens: "Eu sou uma pessoa que nasci na caatinga. Quantas mulheres sonham em chegar neste lugar? Quantas cozinheiras eu conheço, maravilhosas, que não têm oportunidade de chegar? Eu estou representando essas mulheres. Eu não estou aqui sozinha, eu vim com elas".

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