A semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre Argentina e Inglaterra, marcada para esta quarta-feira (15), carrega um peso que vai muito além da disputa por uma vaga na grande decisão. O duelo coloca frente a frente duas seleções que protagonizaram um dos capítulos mais emblemáticos da história do futebol mundial. Quarenta anos antes do reencontro, Diego Armando Maradona transformou apenas quatro minutos em um momento inesquecível ao marcar dois dos gols mais famosos de todos os tempos: a polêmica "Mano de Dios" (em tradução livre 'mão de Deus') e o lendário "Gol do Século".
A coincidência ganhou ainda mais força durante a atual campanha argentina no Mundial. No dia 22 de junho, exatamente na data em que se completaram quatro décadas daquele confronto histórico, a Argentina venceu a Áustria por 2 a 0, no AT&T Stadium, com dois gols de Lionel Messi, ampliando o simbolismo entre o passado glorioso e o presente da seleção.
Em 22 de junho de 1986, no lendário Estádio Azteca, a Argentina derrotou a Inglaterra por 2 a 1 pelas quartas de final da Copa do Mundo do México. Mais do que uma classificação, o confronto carregava uma enorme carga emocional. Apenas quatro anos antes, os dois países haviam enfrentado a Guerra das Malvinas, transformando a partida em um símbolo de superação para muitos argentinos.
Foi nesse cenário que Maradona escreveu seu nome na eternidade. Primeiro, abriu o placar usando discretamente a mão para tocar na bola antes do goleiro Peter Shilton. O lance passou despercebido pela arbitragem e, posteriormente, o próprio camisa 10 batizou o gol como "Mano de Dios", ou "Mão de Deus".
Poucos minutos depois, veio um momento considerado por muitos como o maior gol da história das Copas. Partindo do meio de campo, Maradona driblou cinco jogadores ingleses, passou pelo goleiro e marcou o chamado "Gol do Século", consolidando uma atuação que permanece como referência no futebol mundial.
Segundo relatos reunidos pela CNN Brasil, a memória daquela tarde no México continua viva entre argentinos de diferentes gerações. Rubén, de 72 anos, resumiu o sentimento ao recordar o contexto vivido pelos dois países.
"É um sentimento muito grande, tendo em conta o que aconteceu nos anos anteriores entre Argentina e Inglaterra. Os gols de Maradona são inesquecíveis. O da Mano de Dios e o outro gol… não sei se vai haver outro gol parecido com esse. Hoje ainda lembramos disso tudo, ainda mais em um contexto de Copa", afirmou.
Já Martín, de 39 anos, destacou o significado simbólico daquela vitória. "A alegria que ele deu ao povo argentino foi como se o próprio povo ganhasse do 'outro'. Sem armas, sem nada. Como diz a canção dos Piojos", declarou à CNN Brasil.
As homenagens ao eterno camisa 10 também contaram com a presença de Ricardo Bochini, campeão mundial pela Argentina em 1986 e companheiro de Maradona naquela campanha. Durante as celebrações realizadas em Dallas, o ex-meio-campista destacou que dificilmente alguém repetirá o desempenho apresentado pelo craque mexicano naquele Mundial.
"Jogar uma Copa do Mundo como a de Maradona no México, em 1986, é muito difícil de repetir. Ele estava na plenitude. Fez tudo o que poderia ter feito. Gols, assistências, tudo. E mesmo apanhando muito", afirmou Bochini à CNN Brasil.
Enquanto a história de Maradona seguia sendo celebrada, Lionel Messi também escreveu um novo capítulo. O camisa 10 entrou em campo contra a Áustria empatado com Miroslav Klose na artilharia histórica das Copas, com 16 gols. Ao marcar duas vezes na vitória argentina por 2 a 0, tornou-se definitivamente o maior artilheiro da história dos Mundiais. Agora, às vésperas do reencontro entre Argentina e Inglaterra na semifinal da Copa do Mundo de 2026, o peso da história volta a ocupar o centro das atenções.