Em meio à repercussão da Copa do Mundo de 2026, um novo assunto envolvendo o futebol argentino ganhou destaque internacional e levantou dúvidas entre torcedores. Afinal, Lionel Messi está sendo investigado pelo FBI? Já adianto que a resposta, com base nas informações divulgadas pelo jornal argentino, é não. O que está sob análise das autoridades norte americanas são operações financeiras da Associação do Futebol Argentino (AFA) realizadas nos Estados Unidos.
Segundo reportagem publicada pelo La Nación, promotores federais do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e agentes do FBI começaram a colher depoimentos para entender como a entidade presidida por Claudio "Chiqui" Tapia movimentou centenas de milhões de dólares por meio do sistema financeiro norte americano. Até o momento, não há qualquer indicação de que Messi seja alvo da apuração.
A associação entre Messi e a investigação surgiu porque o jogador é o principal rosto da seleção argentina e da própria AFA. No entanto, a reportagem do La Nación deixa claro que o foco das autoridades está nas movimentações financeiras da entidade e nos contratos internacionais administrados por empresas ligadas à federação.
De acordo com a publicação, investigadores querem esclarecer como a AFA canalizou recursos financeiros nos Estados Unidos e verificar se parte dessas operações pode configurar crimes sob a legislação americana, como lavagem de dinheiro ou fraude bancária.
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Segundo o jornal argentino, uma das reuniões conduzidas por promotores federais teve como participante o empresário Guillermo Tofoni, que já denunciou Claudio "Chiqui" Tapia e Pablo Toviggino por suposta fraude.
Ainda conforme o veículo, os investigadores também analisam ouvir ex integrantes do governo de Javier Milei que tiveram acesso a informações relacionadas às operações da AFA nos últimos anos.
Outro ponto central da apuração envolve a empresa TourProdEnter LLC, ligada ao produtor teatral Javier Faroni. A companhia administrava a cobrança de contratos comerciais internacionais da entidade e passou a ser um dos principais alvos das autoridades americanas.
A investigação preliminar teria começado em 2025 e, segundo o La Nación, é conduzida pelos promotores federais Patrick Gushue, Christopher Ting e Michael Berger.
A reportagem afirma que documentos bancários analisados pelo jornal apontam que a TourProdEnter LLC administrou pelo menos US$ 260 milhões referentes às receitas internacionais da AFA. Parte dos recursos estaria relacionada às operações da entidade, mas aproximadamente US$ 57 milhões teriam sido distribuídos para diferentes empresas e beneficiários cuja justificativa econômica não aparece na documentação analisada pelo veículo.
Entre os pagamentos mencionados pelo jornal também estariam transferências para empresas ligadas a Pablo Toviggino e familiares, além de outros beneficiários que agora fazem parte da análise das autoridades norte americanas.
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Até o momento, segundo o La Nación, trata se de uma investigação preliminar conduzida pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. As autoridades ainda analisam documentos, contratos, registros bancários e depoimentos para decidir se haverá ou não abertura de um processo criminal formal.
A própria AFA passou a reforçar sua defesa nos Estados Unidos. Durante um evento realizado em Miami, representantes da entidade defenderam o respeito ao princípio da presunção de inocência. Conforme destacou Tomás Regalado, apontado como embaixador da associação para a América do Norte, "as medidas de investigação, por si só, não determinam responsabilidade nem culpabilidade".