A reprise da novela "Tieta", no "Vale a Pena Ver de Novo", é a chance de rever o trabalho de alguns artistas atualmente longe da televisão e, infelizmente, de outros que já nos deixaram 35 anos após a estreia, casos de Claudio Corrêa e Castro, Sebastião Vasconcelos - que encarou a depressão no fim da vida - e de Armando Bógus. O ator morreu em 2 de maio de 1993 aos 60 anos e após uma intensa luta contra a leucemia, que incluiu uma cirurgia.
Além do milionário coronel Modesto Pires Da novela de 1989, o artista colecionou outros personagens memoráveis. Como o Zé das Medalhas de "Roque Santeiro" (1985/1986), o Nacib do original de "Gabriela" (1975), e o Cândido Alegria de "Pedra Sobre Pedra" (1992), seu último trabalho em novelas. Aliás, foi após encerrar as gravações do folhetim de Aguinaldo Silva que Bógus descobriu a doença e passou a se submeter a transfusões de sangue.
"Ele não quis parar de gravar. Cândido Alegria foi um personagem que ele não se permitiu abandonar", lamentou Elizabeth Souza, sua segunda mulher ao "Jornal do Brasil". Os sintomas da doença - fraqueza e tontura - começaram a surgir enquanto gravava a novela "Meu Bem, Meu Mal" (1990/1991), onde deu vida ao Felipe.
No ano seguinte e assim que concluiu seu trabalho em "Pedra...", Armando Bógus partiu para Boston e Nova York, ambas cidades nos EUA. No exterior e após uma bateria de exames, foi diagnosticado com leucemia e informado que a doença seria controlada com a retirada do baço. A operação viria em 1º de setembro em hospital de São Paulo e correu sem nenhuma intervenção.
Mas a saúde do Modesto Pires de "Tieta" piorou no começo de 1993, mesmo ano da morte de outro querido e consagrado ator. Em fevereiro, Bógus iniciou tratamento com quimioterapia e logo depois, foi internado. Após dois meses de internação e dez dias depois de sofrer uma hemorragia digestiva, que agravou ainda mais seu estado de saúde, o artista faleceu.
Armando Bógus foi enterrado em 2 de setembro de 1993 no cemitério da Consolação, São Paulo, seu estado natal, onde foi sepultado o casal Paulo Goulart (em 2014) e Nicette Bruno (em 2020). Apenas alguns amigos mais próximos compareceram à despedida, atendendo um pedido da família. Pai de um único filho, Marco Antônio, o artista foi velado por nomes como Lima Duarte e Marco Nanini.
O ator havia ingressado na carreira no teatro na década de 1950 e esteve em montagem do clássico "O Auto da Compadecida". Nos anos 1970, passou a morar no Rio de Janeiro e àquela altura já havia feito a estreia na televisão, em 1963.
Além da Globo, Armando Bógus trabalhou ainda nas extintas Tupi e Excelsior.