'Charuto engorda?', 'Ozempic ou Mounjaro?' e 'pessoas muito altas morrem com que idade?': Daniel Vorcaro fez 151 perguntas ao ChatGPT antes de ser preso ao tentar deixar o Brasil
Publicado em 10 de outubro de 2026 às 00:32
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Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
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Histórico encontrado no celular apreendido pela Polícia Federal reúne dúvidas sobre saúde, viagens e lazer, mas também consultas sobre o Banco Central, banqueiros presos e a Justiça de Brasília
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Daniel Vorcaro recorria ao ChatGPT tanto para esclarecer dúvidas cotidianas quanto para buscar informações relacionadas à crise que ameaçava seu império financeiro. 

Entre perguntas sobre os efeitos de fumar charutos, medicamentos para emagrecer e destinos para surfar, o ex-controlador do Banco Master também quis saber quais banqueiros brasileiros haviam sido presos, como funciona o impeachment de um diretor do Banco Central e quem eram os juízes das varas criminais de Brasília.

Os registros foram revelados pela revista piauí em reportagem assinada por João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires. Segundo a publicação, o iPhone apreendido pela Polícia Federal (PF) registrava 151 perguntas feitas por Vorcaro ao ChatGPT entre 19 de maio e 16 de novembro de 2025. No dia seguinte à última consulta, em 17 de novembro, ele foi preso pela primeira vez ao tentar deixar o Brasil com destino a Dubai.

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Charutos, medicamentos e longevidade: as dúvidas pessoais de Vorcaro

Nem todas as consultas tinham relação com negócios ou investigações. Assim como outros usuários da ferramenta, Vorcaro também recorria à inteligência artificial para esclarecer dúvidas sobre saúde, planejar viagens e escolher atividades de lazer.

Uma das perguntas mais curiosas foi registrada em 19 de agosto de 2025: “Charuto engorda?”. Em outra ocasião, em 9 de outubro, ele quis saber qual era a idade média de morte de pessoas muito altas.

O empresário também perguntou sobre a diferença entre Ozempic e Mounjaro, medicamentos utilizados no tratamento de condições metabólicas, e sobre qual anti-inflamatório seria mais indicado para um estiramento muscular. Em maio, quis saber o que fazer em casa diante de um fechamento da glote, situação que pode representar uma emergência médica.

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As consultas relacionadas à saúde e aos medicamentos somaram 29 interações, de acordo com o levantamento publicado pela piauí.

O interesse por atividades de lazer também aparece no histórico. Vorcaro pediu sugestões de destinos internacionais com condições favoráveis para a prática do surfe, perguntou sobre séries lançadas recentemente e buscou informações sobre restaurantes em Miami. Em junho, consultou a temperatura de Taormina, na Itália, para a data de sua viagem.

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Banqueiro quis saber sobre impeachment no Banco Central

Em 30 de agosto de 2025, Vorcaro perguntou ao ChatGPT quais eram os requisitos e as regras para solicitar o impeachment de um diretor do Banco Central. Segundo a reportagem da piauí, cerca de 40 minutos antes, ele havia encaminhado uma dúvida semelhante pelo WhatsApp ao advogado Marcel Mascarenhas.

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No dia seguinte, o empresário consultou a inteligência artificial sobre quais banqueiros brasileiros haviam sido presos. A sequência de perguntas ocorreu em meio à crise enfrentada pelo Banco Master e às tentativas de encontrar alternativas para a instituição financeira.

Em 21 de agosto, Vorcaro também havia perguntado quem eram os diretores do Banco Central. Na véspera, tinha solicitado uma audiência com Gabriel Galípolo, presidente da instituição, mas o encontro não aconteceu. Conforme relatado pela revista, a secretária de Galípolo informou posteriormente que ele estava em missão no exterior.

As consultas ganharam relevância diante das discussões sobre o futuro do Master e da tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A operação acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.

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Pesquisa sobre ex-banqueiro preso e dúvidas sobre a Justiça

Em outubro, Vorcaro voltou a buscar informações sobre outro empresário que havia enfrentado problemas com a Justiça. No dia 4, perguntou ao ChatGPT por onde andava Luís Octávio Índio da Costa, ex-controlador do Banco Cruzeiro do Sul. Depois de receber informações sobre ele, especificou o nome e perguntou onde morava.

Índio da Costa havia sido preso em 2012 e, posteriormente, passou a responder a processos em liberdade. Em 2024, foi condenado a cinco anos de prisão por gestão fraudulenta, mas permaneceu em liberdade enquanto aguardava o trânsito em julgado, conforme o relato da piauí.

O ChatGPT não forneceu um endereço residencial, mas mencionou Cidreira, no Rio Grande do Sul, como localidade associada ao perfil profissional do empresário.

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Vorcaro ainda pesquisou a aplicação da Lei Magnitsky contra Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, e informações sobre o volume diário histórico das ações do BRB.

As últimas perguntas vieram às vésperas da prisão

As consultas mais próximas da primeira prisão de Vorcaro são algumas das informações mais significativas da reportagem. Na noite de 15 de novembro de 2025, ele perguntou ao ChatGPT quem eram os juízes das varas criminais de Brasília. No dia seguinte, voltou ao aplicativo para consultar quais eram as varas criminais federais da capital. Essa foi a última pergunta registrada no histórico analisado pela revista.

A movimentação também aparece em mensagens de WhatsApp mencionadas na reportagem. Em 15 de novembro, no grupo chamado “Daniel e os Leões”, do qual participavam Vorcaro e os advogados Marcel Mascarenhas e Walfrido Warde, o empresário escreveu: “Na iminência da solução de tudo estou percebendo comportamentos estranhos.”

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Dois dias depois, em 17 de novembro, Vorcaro organizou a saída do Brasil com a ajuda de David, um dos pilotos de seus jatos particulares. As mensagens reproduzidas pela piauí mostram mudanças no horário previsto para a decolagem, em razão das restrições de operação do Aeroporto de Guarulhos durante a noite.

Às 22h27, Vorcaro informou ao piloto que estava na porta do aeroporto e que não havia ninguém no portão. David respondeu que estava ligando e que as pessoas responsáveis pelo atendimento estavam a caminho. Logo depois, o empresário foi preso pela Polícia Federal.

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