'Te declaro excomungada. E vá para o raio que a parta': ex-baterista do Angra se irrita ao ver Eduarda Campopiano, deputada 'antifeminista' do PL mais votada de SP, usando camiseta da banda de rock
Publicado em 6 de outubro de 2026 às 16:56
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Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Eleita deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026, Eduarda Campopiano se declara antifeminista e acumula declarações polêmicas sobre feminismo e povos indígenas
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São tempos sombrios para a política brasileira e não podemos negar. Em meio a declarações contra minorias, discursos cada vez mais agressivos e uma política que, muitas vezes, parece ter descoberto nas redes sociais uma fábrica de cortes e viralizações, mais uma polêmica daquelas nasceu nesta terça-feira (6). Desta vez, o alvo foi uma camiseta.

Rockeiro detona deputada 'antifeminista' do PL

O ex-baterista e um dos primeiros integrantes do Angra, Marco Antunes, atualmente conhecido artisticamente como Marco Leão Sol, detonou nas redes sociais a deputada estadual eleita Eduarda Campopiano, do PL, depois que ela apareceu usando uma camiseta da banda. A foto havia sido publicada originalmente pelo perfil de Anderson Bonani, em abril, mas voltou a circular e chamou a atenção do músico.

“Tira essa camiseta, fascistinha de merd*, demônio precoce. Como cofundador e anjo brabo precoce, te declaro excomungada. E vá para o raio que a parta, psicopatinha de merd*. É cada coisa que a gente gostaria de ‘desver’”, disparou ele.

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A publicação acabou apagada do Instagram. Depois, porém, Marco voltou ao assunto. Publicou uma imagem com a palavra “credo” e escreveu na legenda: “Entendedores entenderão”.

Kiko Loureiro também se envolve em polêmica, mas nega comentário

A publicação de Marco fazia referência a um suposto comentário atribuído ao guitarrista Kiko Loureiro, também integrante histórico do Angra. Prints começaram a circular nas redes sociais indicando que o músico teria escrito “credo” na publicação de Eduarda usando a camiseta da banda. Só que Kiko negou que tenha feito o comentário.

O guitarrista afirmou que só tomou conhecimento da história depois de ser informado de que seu nome estava envolvido e garantiu que nunca havia escrito aquilo. "Recebi a notícia mencionando que eu havia comentado nesse post e vim aqui descobrir do que se tratava. Eu nunca escrevi nenhum comentário aqui, eu nem sabia a existência dessa candidata até ontem. Comentário nunca existiu", alegou ele.

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Quem é Eduarda Campopiano?

Aos 23 anos, Eduarda Campopiano conseguiu um feito gigantesco nas urnas: foi eleita deputada estadual mais votada de São Paulo em 2026, com 1.956.238 votos, a segunda maior votação da história do estado, segundo levantamento do g1. A jovem do PL já era vereadora de Praia Grande e ganhou projeção nacional principalmente pela atuação nas redes sociais e por um discurso conservador, alinhado ao bolsonarismo.

Mas, se depender do histórico recente da parlamentar, não foram apenas propostas que fizeram seu nome circular por aí.

Eduarda transformou o antifeminismo em uma de suas bandeiras políticas. E não é interpretação nossa, não! Ela própria se apresenta dessa maneira e já declarou que pretende fazer da disputa ideológica uma parte importante de sua atuação política.

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O mais curioso é que, ao mesmo tempo em que se coloca contra o feminismo, Eduarda ocupa hoje um espaço político que mulheres brasileiras passaram décadas lutando para conquistar.

O Brasil só reconheceu oficialmente o direito das mulheres de votar e serem votadas em 1932, com o Código Eleitoral. O TSE registra que essa conquista veio depois de uma longa mobilização feminina pelo sufrágio e cita entre as pioneiras nomes como Bertha Lutz e outras mulheres que atuaram pela participação feminina na política.

Embora antifeminista, ela só pode disputar uma eleição, receber votos e ocupar uma cadeira no Legislativo porque mulheres antes dela lutaram para que o sexo deixasse de ser uma barreira à cidadania política.

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Deputada se diz antifeminista em um país com recorde de feminicídios

As declarações de Eduarda sobre mulheres também chamam atenção diante de uma realidade que não cabe em vídeo de rede social. A deputada eleita, segundo O Globo, já afirmou acreditar que o feminicídio não “seja algo que exista” e se posiciona contra a criminalização específica da misoginia.

Enquanto isso, os dados contam outra história. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde que o crime passou a ser tipificado, em 2015. Foram 4,7% mais mortes do que no ano anterior e, desde a criação da lei, ao menos 13.703 mulheres foram assassinadas em feminicídios no país.

Política associou povos indígenas a práticas como canibalismo

Outra fala de Eduarda que voltou a circular após sua eleição envolve os povos indígenas. Durante participação no RedCast, a então vereadora declarou: “Glória a Deus que colonizaram, glória a Deus que catequizaram as índias".

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Na sequência, associou povos indígenas a práticas como canibalismo, sacrifícios e violência contra crianças, afirmando que a chegada dos colonizadores e da extrema direita teria interrompido esse tipo de comportamento.

A declaração provocou reação da artista e liderança indígena Katú Mirim, que registrou boletim de ocorrência acusando Campopiano de preconceito de raça ou cor. Só que existe um pequeno detalhe chamado história.

Não há como contar a colonização brasileira apenas como uma história de europeus que chegaram, catequizaram indígenas e “salvaram” populações originárias. A colonização também envolveu guerras, escravização, epidemias, expulsão de territórios, trabalho forçado e violência sistemática contra povos indígenas. E o processo provocou uma gigantesca catástrofe demográfica.

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O Censo 2022 do IBGE identificou 1.694.836 indígenas no país e 391 etnias, povos ou grupos indígenas. O próprio instituto ressalta que mudanças metodológicas e a ampliação da identificação contribuíram para o aumento em relação ao Censo de 2010. São centenas de povos vivos, com línguas, culturas, territórios, identidades e histórias próprias.

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