Depois de uma sequência de cancelamentos e mudanças de última hora no primeiro turno das Eleições 2026, o SBT quer unir forças com outras emissoras de televisão para tentar evitar que a situação se repita na segunda etapa da disputa presidencial. A movimentação foi revelada pelo colunista Flávio Ricco, do Portal Leo Dias, e envolve a possibilidade de um encontro entre diretores de Jornalismo das principais emissoras do país.
A proposta partiu do executivo Leandro Cipoloni, do SBT, segundo o Notícias da TV, que informou nesta segunda-feira (5) que a ideia é discutir caminhos para os próximos debates e evitar os problemas enfrentados na primeira fase da eleição. A iniciativa ganha destaque justamente depois de vários encontros entre candidatos terem sido cancelados.
O primeiro turno das Eleições 2026 foi marcado por dificuldades para colocar os presidenciáveis frente a frente na televisão. O único debate entre candidatos à Presidência realizado pela Band ocorreu sem a presença de Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), conforme informou o Notícias da TV.
O SBT, por sua vez, integra o pool A Hora da Decisão, formado por 11 veículos de comunicação. A parceria reúne CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV. O consórcio foi criado justamente para organizar debates das eleições, tanto no primeiro quanto no segundo turno, com transmissões simultâneas em diferentes plataformas.
A ideia de ampliar a conversa entre as emissoras surge, portanto, em um momento no qual as empresas de comunicação precisam lidar com regras eleitorais, decisões judiciais e a participação dos candidatos em uma disputa cada vez mais espalhada por diferentes plataformas.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu com a Globo, que cancelou o debate presidencial previsto para 1º de outubro. Segundo a própria emissora, duas decisões judiciais recebidas pouco antes da transmissão alteraram regras que haviam sido previamente estabelecidas.
Uma das decisões, da ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a manutenção do púlpito reservado a Lula com seu nome e também impediu que os demais candidatos fizessem perguntas destinadas ao candidato ausente. Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a participação de Renan Santos, do Missão, no encontro.
A Globo afirmou que as decisões tomadas momentos antes do programa provocaram "insegurança jurídica" e representaram, na avaliação da emissora, uma interferência indevida na liberdade dos veículos de comunicação para organizar debates eleitorais. O encontro acabou cancelado.
Além das questões envolvendo regras e decisões judiciais, o cenário eleitoral de 2026 apresenta outro desafio para a televisão: o fortalecimento das redes sociais como espaço de disputa política. A análise publicada pelo Notícias da TV aponta que a arena eleitoral vem se deslocando da televisão para plataformas digitais, nas quais cortes de debates e conteúdos com potencial de viralização ganham importância.
O texto cita como exemplo Pablo Marçal (PRTB), que durante a campanha para a Prefeitura de São Paulo, em 2024, quebrou regras de debates televisivos com o objetivo de produzir cortes para a internet. Segundo a análise, esse tipo de comportamento pode se tornar cada vez mais comum nas Eleições 2026, obrigando as emissoras a repensarem cuidadosamente os formatos e regulamentos dos encontros.
A mudança também é relacionada ao cenário iniciado na eleição de 2018, quando as redes sociais, incluindo plataformas fechadas como WhatsApp e Telegram, tiveram papel importante na mobilização de eleitores. Para o Notícias da TV, essa dinâmica tende a ganhar ainda mais espaço na atual eleição.
É nesse contexto que surge a proposta de Leandro Cipoloni para aproximar as principais emissoras. A intenção é criar uma conversa entre os responsáveis pelo Jornalismo das empresas para discutir os desafios dos próximos debates e buscar uma forma de reduzir o risco de novos cancelamentos.
A iniciativa não significa, até o momento, que as emissoras deixarão de atuar de forma independente. O próprio modelo do consórcio A Hora da Decisão prevê colaboração na organização e transmissão dos debates, mas preserva a independência editorial de cada veículo.
Com Flávio Bolsonaro e Lula no segundo turno das Eleições 2026, marcado para 25 de outubro, a televisão se prepara para uma nova etapa da disputa. Depois dos problemas registrados na primeira fase, a articulação proposta pelo SBT coloca uma pergunta no centro dos bastidores: como garantir que os próximos debates realmente saiam do papel diante de regras eleitorais, decisões judiciais e estratégias cada vez mais voltadas para as redes sociais?