Mais de 14 anos após um dos casos criminais de maior repercussão do país, o imóvel onde Marcos Matsunaga foi morto pela então esposa, Elize Matsunaga, está à venda por um valor estratosférico, mas ainda abaixo do valor de mercado esperado pelo seu tamanho e localização.
De acordo com informações divulgadas pelo jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, a cobertura triplex localizada na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, foi colocada à venda por R$ 2,8 milhões e tem despertado curiosidade tanto pelo histórico do endereço quanto pelas características de alto padrão da propriedade.
Construído em 1990, o imóvel tem piscina privativa, sauna seca com sala de descanso, cinco suítes, adega climatizada, quatro vagas de garagem, dois depósitos no subsolo e vista panorâmica da capital paulista. Segundo a imobiliária responsável pelo anúncio, o valor pedido está cerca de 32% abaixo da média de mercado para apartamentos semelhantes no mesmo edifício.
A propriedade ocupa quatro pavimentos do edifício e foi formada pela união de duas unidades residenciais adquiridas por Marcos Matsunaga em 2008. Na época em que o empresário e Elize viviam no local, o apartamento tinha aproximadamente 370 metros quadrados, distribuídos entre salas de estar e jantar, escritório, copa, lareira, suítes, varandas e um terraço equipado com churrasqueira e piscina.
Um dos ambientes foi transformado em uma adega climatizada para guardar a coleção de vinhos do casal que, posteriormente, foi vendida e rendeu quase R$ 1 milhão para Elize Matsunaga. Segundo o jornalista, outro detalhe que chama atenção é a existência de um "quarto do pânico", escondido atrás de um armário e equipado com portas blindadas, sistema próprio de climatização e uma linha telefônica exclusiva para situações de emergência.
A cobertura também ficou conhecida por abrigar Gigi, uma jiboia criada pelo casal como animal de estimação e que roubou a cena no novo filme da Netflix sobre o caso. O réptil vivia em um cômodo preparado especialmente para ele, mas, segundo relatos, costumava circular livremente pela residência e até se aproximava da área da piscina.
Foi nesse imóvel que, na noite de 19 de maio de 2012, Elize Matsunaga matou e esquartejou Marcos Matsunaga. De acordo com a investigação, o casal discutiu depois que ela descobriu uma relação extraconjugal do empresário e, após ele retornar ao apartamento com uma pizza, a briga continuou.
Segundo o depoimento de Elize, Marcos passou a ofendê-la durante a briga, quando ela efetuou um disparo contra o marido dentro da cobertura. Horas depois do tiro, a empresária levou o corpo para um dos quartos da residência. Já manhã seguinte, após deixar a filha do casal aos cuidados da babá, Elize se trancou em um dos cômodos do apartamento e desmembrou o corpo do marido em 6 partes.
Conforme a investigação, ela ocultou o corpo e, posteriormente, colocou os restos mortais em malas, que foram abandonadas em uma área de mata em Cotia, na Grande São Paulo. Dias depois, o material foi localizado pela polícia e a loira foi presa.
Quando adquiriu os imóveis, Marcos registrou uma das coberturas em nome de Elize. No entanto, após a condenação, ela perdeu o direito sobre a propriedade. A disputa judicial envolvendo o apartamento se estendeu por anos e só foi encerrada depois que a Justiça definiu que as duas unidades ficariam integralmente em nome dos pais do empresário. Com o processo concluído, a família decidiu colocar o imóvel à venda.
De acordo com Ullisses Campbell, apesar de representantes da família Matsunaga afirmarem que a cobertura já teria sido vendida, os anúncios permanecem ativos em diferentes imobiliárias e ainda permitem o agendamento de visitas.
O preço anunciado é de R$ 2,8 milhões. Segundo a empresa responsável pela venda, imóveis semelhantes no mesmo edifício são avaliados, em média, em R$ 3,247 milhões. Com isso, a cobertura está sendo oferecida por cerca de R$ 8,2 mil por metro quadrado, enquanto a média do prédio gira em torno de R$ 12,1 mil.
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