Frase de José Antonio Marina, filósofo: ‘O direito à liberdade de expressão ou de pensamento protege a pessoa para que ela não possa ser perseguida por suas opiniões’
Publicado em 17 de julho de 2026 às 17:04
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Quando o assunto é pensamento crítico e liberdade de expressão, o ensaísta e professor espanhol tem muito a dizer
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Filósofos da Antiguidade, como Aristóteles, e pensadores contemporâneos, como Byung-Chul Han, costumam aparecer em debates sobre sociedade e comportamento. Mas a filosofia contemporânea também tem importantes representantes na Espanha.

Um deles é José Antonio Marina, ensaísta, pedagogo e neto do filósofo Juan Marina Muñoz. Considerado o pensador contemporâneo mais lido do país, ele talvez deva esse reconhecimento à forma clara e direta com que expõe suas ideias.

Durante uma participação no programa “Más Platón y menos WhatsApp”, da rádio La Ser, ao falar sobre a importância do pensamento crítico e da liberdade de expressão, Marina afirmou que "todas as pessoas são dignas de respeito. As opiniões delas, não. Isso depende".

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Respeitar uma pessoa não significa concordar com sua opinião

Autor de “La vacuna contra la insensatez: Tratado de inmunología mental” (“A vacina contra a insensatez: Tratado de imunologia mental”, em tradução livre), Marina refletiu sobre uma ideia que, segundo ele, costuma ser mal compreendida por quem defende: "Tenho direito à minha opinião". 

A frase aparece com frequência, principalmente nas redes sociais, onde é comum ver pessoas defendendo o direito de opinar sobre os mais diversos assuntos.

O filósofo argumenta que respeitar uma pessoa é um princípio ético incondicional. Já respeitar uma opinião depende do conteúdo que ela expressa e dos argumentos que a sustentam.

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O que a liberdade de expressão realmente protege

Para Marina, o que realmente merece proteção não é qualquer opinião em si, mas o direito de expressá-la sem sofrer perseguição. É possível tratar alguém com dignidade e ouvi-lo, sem que isso obrigue outra pessoa a considerar válida a sua opinião.

"O direito à liberdade de expressão ou de pensamento protege a pessoa para que ela não possa ser perseguida por suas opiniões", explica. Isso, no entanto, é muito diferente de afirmar que tudo o que ela diz seja verdadeiro.

"A verdade do que é dito precisa estar respaldada ou legitimada pelo seu próprio sistema. Se for uma verdade matemática, pelos sistemas matemáticos; se for uma verdade histórica, pela documentação histórica. Portanto, cada área precisa ter seus próprios sistemas de fundamentação", analisa.

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"As pessoas são todas respeitáveis; suas opiniões, não", reforça Marina. Para ilustrar essa diferença, ele afirma: "Eu respeito uma pessoa que acredita que a Terra é plana, mas não respeito essa opinião e não permitiria que ela fosse professora de geografia".

O efeito Dunning-Kruger e a ilusão de saber

A psicologia cognitiva vem demonstrando há décadas que tendemos a confundir "eu acho" com "isso é verdade". Um exemplo é o efeito Dunning-Kruger, fenômeno que nos leva a superestimar, de forma equivocada, nosso conhecimento sobre determinado assunto.

Como o próprio Marina escreveu em "La inteligencia fracasada: Teoría y práctica de la estupidez" ("A inteligência fracassada: Teoria e prática da estupidez", em tradução livre), "sábio não é quem sabe muitas coisas, mas quem age com sabedoria... Essa é a poética do viver".

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Criticar uma ideia não significa atacar a pessoa que a defende. Confundir essas duas coisas é justamente o que faz com que tantas discussões terminem de forma defensiva e improdutiva.

Para Marina, separar a pessoa de sua opinião não é apenas recomendável — é indispensável. Sem essa distinção, corremos o risco de cair no fanatismo. E, como ele próprio afirma, "o fanatismo aprisiona a inteligência porque a impede de aprender".

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