Flávio Bolsonaro, derrotado no segundo turno das eleições de 2026, já revelou publicamente não reconhecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas. Nesta terça-feira (27), a suspeita de que o filho de Jair Bolsonaro, agora sem foro privilegiado, poderia deixar o Brasil, o colocou de volta aos holofotes por um motivo polêmico.
De acordo com informações divulgadas pela Revista Fórum, a Baires Fly, responsável pela aeronave apontada como possível meio de transporte do senador, já foi contratada pelo presidente da Argentina, Javier Milei, para uma viagem internacional.
O caso veio à tona nesta terça-feira (27), após informações sobre a movimentação de um jatinho na região de fronteira entre Brasil e Argentina. Até o momento, não há confirmação de que Flávio tenha embarcado no avião nem de que a viagem aos Estados Unidos tenha ocorrido.
A aeronave identificada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, registrado em nome da Baires Fly desde setembro de 2020. O jatinho chegou a Puerto Iguazú, na Argentina, na noite de segunda-feira (26), vindo de Buenos Aires. A cidade fica próxima a Foz do Iguaçu, no Paraná.
Segundo informações divulgadas por portais da Argentina, foram solicitados procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. A partida estaria prevista para as 2h desta terça-feira, com possível destino aos Estados Unidos.
Os registros de rastreamento mencionados até agora confirmam a chegada da aeronave à cidade argentina, mas não comprovam que ela tenha decolado posteriormente para o território norte-americano. Também não foi divulgada uma lista confirmada de passageiros.
A Baires Fly foi contratada por Javier Milei para sua primeira viagem internacional após a vitória nas eleições presidenciais argentinas, em novembro de 2023. Na ocasião, o presidente utilizou um Gulfstream V, de matrícula LV-KAX, em um roteiro que incluía Nova York e Washington, nos Estados Unidos.
O custo estimado do serviço foi de US$ 250 mil, cerca de R$ 1,25 milhão. Na época, Milei, que segundo rumores precisaria usar fralda geriátrica, viajou acompanhado da irmã, Karina Milei, do então integrante de sua equipe econômica Luis Caputo e de outros colaboradores, como Santiago Caputo e Nicolás Posse.
O empresário Gerardo Werthein, que posteriormente assumiria a embaixada argentina em Washington, participou da organização financeira da viagem. O pagamento gerou questionamentos na Argentina sobre a relação entre ele e o então presidente eleito.
O avião utilizado por Milei, no entanto, não é o mesmo associado à possível viagem de Flávio Bolsonaro. As duas aeronaves pertencem à frota da Baires Fly, empresa controlada pelo empresário argentino Luis Grande. Ele ocupa a presidência da companhia, enquanto María Belén Grande Ratti é vice-presidente e María Florencia Grande Ratti aparece como diretora suplente.
A empresa também já transportou outras personalidades argentinas. Entre elas está Claudio 'Chiqui' Tapia, presidente da Associação do Futebol Argentino (AFA), que utilizou o Gulfstream G400 LV-JQW em deslocamentos internacionais em dezembro de 2025.
A possível viagem foi noticiada poucas horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que Flávio entregasse seus passaportes comum e diplomático à Polícia Federal e ficasse proibido de deixar o Brasil.
A decisão faz parte de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz. Os investigados negam irregularidades, e, na segunda-feira (26), Flávio publicou um vídeo afirmando que havia sido intimado por agentes da PF após visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília. Ele criticou a decisão judicial, mas declarou que cumpriria a determinação.
O senador havia sido derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições, realizado no domingo (25). Antes da votação, Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e atualmente nos Estados Unidos, havia defendido publicamente que ele deixasse o Brasil caso perdesse.
Após a divulgação das informações sobre o jatinho, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, negou que o parlamentar tivesse deixado o território brasileiro.