menu close2 Menu
search
Cancelar
Veja todas as fotos
A lição de Albert Einstein sobre a maturidade após os 60 anos: 'Deixamos de pensar apenas em nós mesmos quando aprendemos a nos preocupar mais com os outros'
Publicado em 20 de outubro de 2026 às 09:50
Siga o Purepeople no Google Adicione-nos às suas fontes preferidas
Uma reflexão atribuída ao cientista alemão explica que muitas pessoas mudam seus objetivos de vida depois dos 60 anos.
Depois de passar anos tentando construir uma carreira, criar uma família ou alcançar objetivos que pareciam essenciais para a felicidade, chega uma fase em que outras coisas se tornam mais importantes. A aposentadoria pode ser um daqueles momentos em que precisamos repensar o que queremos fazer com nosso tempo. Os relacionamentos pessoais, passar mais tempo com a família ou amigos, ou a oportunidade de ajudar as pessoas próximas podem começar a ocupar um espaço que antes reservávamos para outras preocupações. Em muitos casos, a maturidade também está relacionada à forma como nos relacionamos com os outros e ao que fazemos com a experiência acumulada. Uma reflexão atribuída a Albert Einstein resume essa ideia: "A maturidade começa a se manifestar quando sentimos que nossa preocupação com os outros é maior do que nossa preocupação com nós mesmos."

Há momentos na vida em que as prioridades começam a mudar. E se você tem mais de 50 ou 60 anos, sabe exatamente do que estou falando. Depois de passar anos tentando construir uma carreira, criar uma família ou alcançar objetivos que pareciam essenciais para a felicidade, chega uma fase em que outras coisas se tornam mais importantes.

Os relacionamentos pessoais, passar mais tempo com a família ou amigos, ou a oportunidade de ajudar as pessoas próximas podem começar a ocupar um espaço que antes reservávamos para outras preocupações, tornando-se um fator essencial para um envelhecimento saudável. É claro que completar 60 anos não significa que todos cheguem às mesmas conclusões, nem que exista uma idade específica em que deixamos de cuidar de nós mesmos.

De fato, existem pessoas egoístas que chegam aos 80 anos sem mudar nada e continuam a priorizar seus próprios interesses. No entanto, em muitos casos, a maturidade também está relacionada à forma como nos relacionamos com os outros e ao que fazemos com a experiência acumulada.

E uma reflexão atribuída a Albert Einstein resume essa ideia: "A maturidade começa a se manifestar quando sentimos que nossa preocupação com os outros é maior do que nossa preocupação com nós mesmos."

Albert Einstein e a maturidade: aprender a olhar além de si mesmo

A citação atribuída ao físico alemão nos convida a considerar uma forma de maturidade que depende menos da idade do que da perspectiva com que encaramos a vida. 

Durante anos, podemos estar focados em nossos objetivos, nas responsabilidades que temos de cumprir ou na necessidade de provar nosso valor. Mas, com o tempo, alguns desses objetivos perdem a importância e começamos a prestar mais atenção ao que acontece ao nosso redor. E isso se alinha com outra reflexão de Einstein, que também afirmou que "uma vida tranquila e modesta traz mais felicidade do que a busca pelo sucesso".

Veja também
Frase do dia de Marco Aurélio, filósofo estoico: 'Tão grande será a sua inteligência quanto forem as coisas que você imagina com frequência; pois a alma é moldada pelas suas representações'

Isso não significa abrir mão dos seus próprios desejos ou transformar o cuidado com os outros em uma obrigação permanente. Trata-se, sim, de equilibrar esse aspecto da vida e compreender que nossas vidas não se desenrolam isoladamente. As decisões que tomamos afetam outras pessoas, assim como muito do que conquistamos se baseia na ajuda, no afeto e nas oportunidades que os outros nos proporcionaram.

A generatividade de Erik Erikson: deixar algo para aqueles que virão depois

A psicologia também estudou a preocupação com os outros que pode acompanhar a maturidade. O psicanalista Erik Erikson desenvolveu uma teoria do desenvolvimento psicossocial na qual cada fase da vida apresenta desafios diferentes. Na idade adulta, um dos conceitos centrais é a generatividade, a capacidade e a disposição de contribuir para o bem-estar das gerações futuras.

A Associação Americana de Psicologia explica esse conceito como uma preocupação que vai além do interesse individual e se manifesta, entre outras formas, em responsabilidades sociais e no desejo de contribuir para o futuro dos outros. Além disso, essa contribuição não precisa necessariamente se traduzir em grandes gestos. 

Pode envolver transmitir conhecimento profissional a alguém que está começando sua carreira, apoiar um membro da família em um momento difícil, participar de uma associação de bairro ou dedicar tempo a pessoas que precisam de apoio. Também pode se expressar na educação de filhos ou netos, sem tentar tomar decisões por eles ou protegê-los de todos os desafios que enfrentarão.

Essa ideia tem uma consequência interessante: uma vida não é medida apenas pelas metas que alcançamos, mas também pela nossa contribuição para os outros. E essa contribuição não termina quando paramos de trabalhar.

A partir dos 60 anos, surge outra forma de entender o sucesso

A aposentadoria pode ser um daqueles momentos em que precisamos repensar o que queremos fazer com nosso tempo. Para alguns, significa uma pausa na rotina que estruturava grande parte de suas vidas; para outros, abre a possibilidade de aproveitar o tempo livre e dedicar mais horas a interesses que haviam sido deixados de lado pelas obrigações do trabalho.

Nesta nova fase, compartilhar a experiência adquirida pode se tornar importante. Alguns profissionais continuam a treinar jovens, outros se envolvem em projetos comunitários e outros ainda descobrem uma satisfação especial em cuidar dos netos ou em estar mais presentes na vida de seus familiares e amigos.

Não existe uma única maneira de vivenciar esse período. Tampouco seria justo presumir que todas as pessoas com mais de 60 anos se tornam mais generosas ou que aquelas que ainda perseguem objetivos pessoais sejam menos maduras. A idade por si só não garante uma mudança de perspectiva. A generatividade é uma possibilidade de desenvolvimento, não uma qualidade que surge automaticamente com a idade.

De uma perspectiva budista, essa compreensão da maturidade, descrita como o nirvana do bem comum, está ligada à compaixão e ao bem-estar de todos os seres vivos. No entanto, envelhecer não garante essa mudança de perspectiva, pois algumas pessoas mantêm atitudes egoístas ou comportamentos típicos de fases mais infantis, sem jamais desenvolver maior empatia pelos outros.

Crescer também significa respeitar a liberdade dos outros

Cuidar daqueles que nos rodeiam não significa decidir o que é melhor para eles ou tentar resolver todos os seus problemas. Às vezes, o aprendizado vem justamente de aceitar que os outros têm o direito de cometer erros, fazer escolhas diferentes das nossas e trilhar o próprio caminho.

Isso fica especialmente evidente nas relações entre pais e filhos adultos. Apoiar alguém não é o mesmo que controlá-lo, assim como ajudar não implica esperar algo em troca. A experiência pode ser útil para orientar os outros, mas também para entender que nem todos precisam dos mesmos conselhos ou são obrigados a seguir nossas recomendações.

A maturidade, entendida dessa forma, tem muito a ver com empatia e com a capacidade de reconhecer que não somos o centro de todas as histórias. Podemos nos importar com alguém sem assumir as decisões dessa pessoa como nossas, oferecer ajuda sem impô-la e manter nossos próprios limites, estando, ao mesmo tempo, disponíveis para os outros.

A maturidade não depende apenas do número de anos que vivemos

A famosa citação de Einstein ainda ressoa justamente porque não reduz a maturidade a uma questão de idade. Fazer 60 anos pode oferecer perspectiva, mas o que fazemos com essa experiência depende de cada pessoa, de suas circunstâncias e de sua disposição para continuar aprendendo.

A filosofia também dedicou séculos a questionar o que significa viver bem e qual o papel que os outros devem desempenhar em nossas decisões. A Stanford Encyclopedia of Philosophy aborda uma questão fundamental: até que ponto devemos considerar o bem-estar dos outros sem nos esquecermos da nossa própria responsabilidade pela vida que levamos?

Cuidar dos outros não significa se excluir da equação. A chave é encontrar um equilíbrio entre as nossas necessidades e as necessidades daqueles que nos rodeiam, sem deixar que o egoísmo seja a única medida das nossas decisões ou confundir generosidade com sacrifício constante.

Talvez aí resida uma das formas mais valiosas de maturidade: compreender que não precisamos negligenciar nossas próprias vidas para contribuir com a vida dos outros. 

Basta entender que o mundo não acaba conosco e que, em qualquer idade, ainda podemos aprender a viver de forma mais consciente, generosa e respeitosa. Isso implica deixar para trás o egocentrismo que pode ter sido necessário no passado, mas que, com o tempo, se torna um obstáculo ao crescimento pessoal.

Matérias relacionadas
Frase do dia de Carl Jung, psicanalista: 'Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a compreender melhor a nós mesmos'
Frase do dia de Carl Jung, psicanalista: 'Tudo o que nos irrita nos outros pode nos levar a compreender melhor a nós mesmos'
Frase do dia de Sêneca, filósofo estóico: 'A sorte é onde a preparação e a oportunidade se encontram'
Frase do dia de Sêneca, filósofo estóico: 'A sorte é onde a preparação e a oportunidade se encontram'
Frase do dia de Friedrich Nietzsche, filósofo: 'Quem não sabe congelar suas ideias não deve se deixar levar pelo calor da discussão'
Frase do dia de Friedrich Nietzsche, filósofo: 'Quem não sabe congelar suas ideias não deve se deixar levar pelo calor da discussão'
Por Giovanna Ribeiro | Colaboradora
Jornalista pela UFF. Adora conversar com estranhos na rua. Apaixonada por arte, cultura, cinema e gente.
Palavras-chave
Curiosidades Lifestyle Bem-estar