Por duas décadas, 1958 a 1978, Juca de Oliveira foi filiado do Partido Comunista, o que o levou a se exilar na Bolívia. Passados alguns anos e antes do presidente Lula atingir seu primeiro ano e meio de primeiro mandato - tomara posse em 1º de janeiro de 2003, o artista morto neste sábado (21) aos 91 anos após uma semana de internação revelou imensa torcida para um acerto do governo petista.
Mas não deixou de fazer uma ponderação crítica. "O governo perdeu uma grande oportunidade de alavancar a economia com base na grande credibilidade que eles tinham. Com o caso Waldomiro Diniz (empresário envolvido em escândalo), essa credibilidade foi abalada e eles parecem perdidos. O imobilismo impregna quem assume o poder. Não sei se existe um deslumbramento. Torço desesperadamente para que o Lula dê certo. Seria trágico perder essa oportunidade e entregar o governo aos conservadores novamente", afirmou em maio de 2004 para a revista "Isto É Gente".
Na ocasião, condenou ainda a decisão de Fernando Henrique Cardoso se reeleger, em 1998. "(Segundo mandato foi) Decepcionante. O Fernando Henrique praticamente forçou um segundo mandato. Foi uma coisa nebulosa, eles perderam grandes oportunidades. Não sei se o ego falou alto. Naquela eleição (1998), votei em Lula, de quem gosto muito", acrescentou o autor de peça escrita em homenagem à filha única.
Quatro anos antes, Juca votou em FHC, a quem havia apoiado em 1985 na corrida para a prefeitura da capital paulista - Janio Quadros (1917-1992) foi eleito. "Aquele primeiro mandato foi muito bom. Sou de uma geração que viu seus ideais se perderem. E Fernando Henrique era o nosso representante chegando ao poder", foi além Juca, que anos antes tivera um último e emocionante encontro com o pai após uma relação conturbada e marcada por agressões por parte do genitor.
A morte de Juca de Oliveira, dois dias após o falecimento de Chuck Norris (aos 86 anos), é uma baixa nas artes brasileiras em 2026. Há menos de um mês, 28 de fevereiro, Dennis Carvalho morreu de causas não reveladas pela família. E no começo de janeiro, Manoel Carlos também saiu de cena, assim como a atriz Titina Medeiros, vítima de câncer.