Um dos maiores nomes do teatro e das novelas, Juca de Oliveira morreu aos 91 anos, neste sábado (21), após uma semana de internação, em São Paulo. O veterano enfrentava pneumonia e seu estado de saúde já havia sido classificado de "delicado" no meio da semana, quando a notícia da internação foi revelada. Reservado para família e amigos, o velório acontece até as 21h no Funeral Home, no bairro da Bela Vista, na capital paulista.
Com 60 anos de carreira, autoria de peças teatrais de grande sucesso e dono de papéis marcantes na TV, Juca lembrou certa vez o último e emocionante encontro com o pai, que se mostrou contrário à decisão do filho em seguir a carreira artística. "(Ele) sempre foi um sonhador, achava que, um dia, faria um grande negócio que mudaria a vida dele. E isso nunca aconteceu, bem pelo contrário. Minha entrada no Direito era o céu para eles. Meu pai achava que assim seguiria o caminho de primos mais abastados, que iria ganhar dinheiro", recordou em maio de 2004 para a revista "Isto É Gente".
Naquele ano, o marido da flautista Maria Luiza por 50 anos e pai da bióloga Isabela estava encerrando temporada de "A Flor do Meu Bem Querer". Sapateiro e boy de banco no passado, Juca acrescentou que a opção pelas Artes no lugar do Direito só piorou a relação com o pai. "Nunca nos demos bem e nossa relação piorou muito. Meu pai era rude, dava porrada, mas achava que, assim, ele faria de mim um homem. Para ele, ao escolher o teatro, eu enveredei para o mundo do circo. O filho deixaria de ser um advogado e seria um palhaço", relatou.
Na mesma entrevista, Juca lembrou ter feito um empréstimo para a mãe visando que a genitora tivesse seu próprio negócio. "Um dia, fui visitá-los em São Roque e fiquei chocado com o lugar horrível em que viviam. Eles estavam numa merda tão grande e eu não podia deixá-los naquelas condições. Resolvi trazê-los para São Paulo. Fiz um empréstimo e montei uma pensão para minha mãe cuidar. E foi isso que ela fez brilhantemente por 19 anos", contou, mais um veterano a sair de cena em 2026.
Ainda no começo dos anos 1960, Juca descobriu um segredo do pai, antes opositor à sua decisão de trilhar na vida artística. "Um dia, estava saindo do teatro e vi que ele estava na porta (com a voz embargada). Meu pai me confessou que comprava ingressos e me assistia anonimamente", acrescentou para recordar o último encontro durante internação do pai.
"Outra grande emoção foi em 1968. Eu era o maior sucesso com a novela 'Nino, O Italianinho', na Tupi, e ele foi internado com diabetes. A primeira vez que cheguei ao hospital foi um tumulto. As enfermeiras pediam autógrafo. Eu era o Rodrigo Santoro dos anos 60. Lembro que ele chamou uma enfermeira e comentou: “Não disse que o Nino era meu filho?”. Senti naquele momento todo o orgulho que meu pai jamais tinha manifestado. Pouco depois, ele morreu", finalizou.