Apresentador da RedeTV! e antigo proprietário da emissora, Marcelo de Carvalho terá que pagar uma indenização por fala preconceituosa, racista e xenófoba. O valor foi estipulado em R$ 100 mil por danos morais coletivos pela Justiça de São Paulo e cabe recurso ao ex-marido de Luciana Gimenez, de quem se separou em 2018 após 12 anos de relacionamento.
Em sua defesa, Marcelo alega não ter cometido nenhum ato ilícito. Em julho de 2025, o empresário e apresentador postou em rede social uma mensagem na qual relacionou a criminalidade à imigração africana após o assalto do irmão do seu filho mais velho em Barcelona (Espanha).
"Trata-se de uma narrativa racista que reproduz estigmas históricos", afirmou a Educafro no processo, segundo a "Folha de S.Paulo".
Após escrever que "obviamente um sujeito de aparência africana, dos milhões que a Europa deixou entrar, deu uma trombada nele, arrancou o celular e saiu correndo", Marcelo afirmou ter exercido o direito de liberdade de expressão. Isso através, de um "fato específico" por "descrição literal e objetiva da aparência do autor do roubo".
Para o apresentador do "Mega Sonho", por isso, não teria havido racismo. "O cerne do post não é a cor da pele ou a raça em si, mas sim a relação de causa e consequência entre a política migratória europeia e o aumento da criminalidade", alegou.
"Em nenhum momento o réu se voltou contra todos os imigrantes, nem contra todos os africanos, muito menos contra qualquer afrodescendente brasileiro", reforçaram seus advogados sem conseguiram impedir a condenação do cliente famoso.
O valor a ser atualizado por correção monetária e juros será revertido ao Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos. Além disso, Marcelo terá que fazer retratação pública na web "ressaltando o respeito à comunidade afrodescendente e repudiando a generalização criminosa contra pessoas de origem africana" em post que terá que ficar 30 dias seguidos na rede social.
A defesa do apresentador voltou a alegar que o comentário não foi um ataque. "A imigração desenfreada, principalmente a ilegal, vem coincidindo com níveis de violência patrimonial e urbana que esses países não experimentavam antes, justamente onde esse fluxo se concentra", indicaram os advogados se baseando em informações da imprensa e governo.