A discussão que colocou Luana Piovani e Neymar em lados opostos em 2024 ganhou novos contornos. No quarto episódio da série jornalística Revelando, lançado nesta quarta-feira (7), a atriz revisitou a polêmica envolvendo o jogador e ampliou o debate para os possíveis impactos da chamada PEC das Praias, proposta relatada pelo senador Flávio Bolsonaro no Senado.
Intitulado "Quem quer roubar sua praia?", o episódio aborda os interesses políticos e econômicos relacionados à transferência de terrenos de marinha atualmente pertencentes à União. A produção é apresentada por Luana Piovani, que reconhece, logo no início, que concentrou sua crítica em Neymar quando o assunto seria mais amplo.
"Meu erro não foi brigar com ele. Foi brigar só com ele", afirma a atriz. Segundo Luana, ela havia entendido que o jogador queria privatizar praias, mas passou a investigar outros envolvidos na discussão.
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A PEC 3/2022 propõe transferir parte dos chamados terrenos de marinha, hoje sob domínio da União, para estados, municípios e ocupantes particulares. Para governos estaduais e municipais, a transferência seria gratuita. Para particulares, dependeria de pagamento.
Os terrenos de marinha são áreas localizadas na costa, em ilhas e às margens de rios e lagoas sob influência das marés. A delimitação considera uma faixa de 33 metros a partir da linha média da maré alta registrada em 1831.
Esses espaços não correspondem necessariamente à faixa de areia. Podem incluir casas, hotéis, bares, clubes, condomínios e comunidades tradicionais. A proposta também prevê o fim da cobrança de foro, taxa de ocupação e laudêmio sobre os imóveis alcançados pela mudança.
A PEC nasceu na Câmara dos Deputados a partir de uma iniciativa do então deputado Arnaldo Jordy e passou a ter Flávio Bolsonaro como relator no Senado.
Na avaliação apresentada pela atriz no episódio, a mudança poderia facilitar a ocupação privada de áreas próximas ao litoral e dificultar o acesso da população à areia.
"Esse projeto pode mudar a praia que você frequenta", afirma Luana Piovani. Em outro momento, ela levanta a possibilidade de surgirem praias com "área VIP" e restrições para quem não estiver hospedado ou não puder pagar.
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Críticos da proposta, segundo a própria produção, apontam riscos de conflitos fundiários e ambientais, além de possíveis impactos sobre pescadores artesanais, comunidades tradicionais e ecossistemas costeiros.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, nega que a PEC permita a privatização das praias. O senador apresentou uma emenda estabelecendo que elas continuem como bens públicos de uso comum, com acesso livre ao mar.
A proposta permanece em tramitação na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado. A votação foi adiada após pedido de vista, e a página oficial da PEC registra Flávio Bolsonaro como relator.
Para sustentar o alerta sobre possíveis dificuldades de acesso ao litoral, o episódio apresenta exemplos de outros países. Luana Piovani cita Cancún, no México, onde, segundo a produção, as praias são públicas por lei, mas hotéis e condomínios ocupam áreas próximas ao mar e existem obstáculos para moradores chegarem à faixa de areia.
A atriz também menciona a Jamaica, afirmando que 99% das praias seriam de propriedade privada e que os moradores locais teriam acesso a menos de 1% delas. Outros exemplos citados são a República Dominicana e a Martins Beach, na Califórnia.
O argumento apresentado é que, mesmo quando a praia permanece pública, a privatização dos terrenos de acesso pode criar barreiras práticas para a população.
Depois de revisitar a briga de 2024, Luana Piovani volta a citar Neymar ao abordar um projeto imobiliário anunciado pela empresa do jogador. Segundo as informações apresentadas no episódio, a iniciativa Rota Due, chamada de "Caribe Brasileiro", prevê empreendimentos de alto padrão ao longo de quase 100 quilômetros do litoral de Pernambuco e Alagoas, com estimativa de R$ 7,5 bilhões.
Neymar e seus sócios negam qualquer relação entre o empreendimento e a PEC das Praias. Para a produção, porém, o projeto serve como exemplo do modelo de ocupação de grandes trechos do litoral por hotéis e condomínios direcionados ao público de alto poder aquisitivo.
O episódio também cita um projeto imobiliário em Angra dos Reis, o Bela Vista-Portugal, ligado ao empresário Renato Araújo, apresentado como aliado da família Bolsonaro. Segundo o conteúdo exibido, o empreendimento prevê 31 mansões, centro comercial, clube e marina em uma área de aproximadamente 320 mil metros quadrados, sendo cerca de 8 mil metros quadrados em terreno de marinha.
Ao longo do episódio, Luana Piovani transforma a própria experiência na discussão sobre a praia em uma crítica mais ampla à possibilidade de restringir o acesso da população ao litoral.
A atriz lembra que, para muitas pessoas, um dia na praia envolve viagem de ônibus, comida levada de casa e horas de deslocamento. Por isso, ela questiona o que aconteceria se o caminho até a areia passasse a depender de estacionamentos caros, longas caminhadas ou barreiras impostas por empreendimentos privados.
A produção termina destacando que a PEC está parada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado desde fevereiro de 2025. Para Luana, a discussão ainda merece atenção justamente porque uma proposta parada pode voltar à pauta. "Eu sou Luana Piovani. E esse foi um episódio do Revelando", encerra a atriz.
Veja o vídeo abaixo na íntegra: