Nem ostentação, nem vaidade: por que Neymar, Messi e outros milionários gastam milhões em relógios? Especialista explica: 'Algo que vai muito além do preço'
Publicado em 13 de julho de 2026 às 21:00
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Peças usadas por Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo podem valer milhões. Entenda o que faz alguns modelos serem tão cobiçados
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Não é difícil encontrar celebridades ostentando relógios que custam o equivalente a mansões. Antes mesmo da Copa do Mundo de 2026, por exemplo, Neymar chamou atenção ao mostrar parte da coleção que levaria para o torneio: peças avaliadas em mais de R$ 20 milhões!

Cristiano Ronaldo, Lionel Messi, Kylian Mbappé e Erling Haaland também já apareceram em diferentes ocasiões usando modelos raríssimos de marcas como Rolex, Patek Philippe, Richard Mille e Audemars Piguet. Para quem olha de fora, uma pergunta pode surgir: por que alguém gastaria milhões em um relógio se qualquer celular mostra as horas? A resposta, segundo quem conhece o universo da alta relojoaria, é bem mais complexa do que parece!

Por que gastar milhões em um relógio?

Segundo Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas com atuação internacional e especialista no mercado de luxo, enxergar esses relógios apenas como demonstração de riqueza é uma visão limitada.

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"Essa leitura do status existe, mas ela é bastante superficial. No topo do mercado, um relógio dificilmente é comprado apenas para comunicar riqueza. Ele representa acesso a um patrimônio cultural, técnico e histórico construído ao longo de décadas, às vezes de séculos", diz ela.

Na prática, algumas dessas peças passam a ser tratadas como verdadeiros patrimônios. Isso acontece porque determinados modelos são produzidos em quantidades muito pequenas, possuem listas de espera que podem durar anos e despertam interesse de colecionadores do mundo inteiro! Em alguns casos, um relógio comprado diretamente da fabricante acaba sendo revendendo por um valor ainda maior no mercado especializado.

Mas Tamara faz uma ressalva importante:

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"Algumas peças também podem funcionar como ativos patrimoniais, especialmente quando reúnem fatores como produção limitada, relevância histórica, alta demanda e baixa disponibilidade. Mas é importante não inverter a lógica: primeiro existe a construção de valor da marca, do modelo e da relojoaria; depois vem o potencial financeiro. O relógio não nasce como investimento. Ele se torna um ativo porque carrega um significado que o mercado reconhece e preserva ao longo do tempo".

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Mais próximo de uma obra de arte do que de uma aplicação financeira

Não são todos os relógios de luxo que se valorizam. Na verdade, isso acontece com uma parcela bastante específica da alta relojoaria, normalmente envolvendo modelos históricos e muito disputados por colecionadores.

Por isso, embora algumas peças realmente sejam vistas como patrimônio, a especialista explica que elas ocupam um espaço próprio entre os grandes ativos.

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"Existem modelos específicos que passaram a integrar conversas sobre diversificação patrimonial, principalmente entre colecionadores experientes. Mas eu teria cuidado em colocar todos no mesmo patamar de ativos tradicionais".

Ela explica que cada patrimônio tem uma função diferente.

"Obras de arte, imóveis, participações empresariais e aplicações financeiras cumprem funções diferentes dentro de uma estratégia patrimonial. O relógio ocupa um espaço muito particular: ele combina liquidez internacional, forte valor simbólico e escassez. É justamente essa combinação que desperta interesse. Ainda assim, isso vale para uma parcela muito pequena do mercado e para referências muito específicas da alta relojoaria".

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Em outras palavras, para esse público, um relógio pode estar mais próximo de uma obra de arte do que de um simples acessório! 

Por que um objeto tão pequeno pode valer milhões?

Outra característica que chama atenção é o fato de um relógio reunir um valor altíssimo em um objeto que cabe no pulso. Enquanto imóveis exigem escritura, carros precisam de registro e embarcações demandam manutenção constante, um relógio concentra milhões de reais em poucos centímetros.

Segundo Tamara, essa característica realmente existe, mas não explica sozinha o interesse dos compradores.

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"Ela faz sentido como uma característica do produto, mas não como a principal razão da compra. É verdade que relógios concentram alto valor em um objeto extremamente portátil, algo que poucas categorias conseguem oferecer. Porém, dentro do universo do luxo, o fator decisivo continua sendo a credibilidade da peça: procedência, autenticidade, estado de conservação, documentação e relevância para colecionadores"

Ela ainda reforça que esse mercado funciona a partir de um reconhecimento coletivo.

"O mercado de luxo trabalha muito mais com confiança do que apenas com preço. Um relógio vale porque existe um ecossistema inteiro — formado por marcas, especialistas, leilões, colecionadores e casas relojoeiras — que reconhece aquele valor".

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Afinal, existe alguma vantagem tributária?

Quando o assunto envolve relógios milionários, também surgem especulações sobre planejamento patrimonial e tributação. Segundo Tamara, essas questões existem, mas não costumam ser o principal motivo por trás das compras.

"Esses aspectos podem aparecer em determinados contextos, principalmente em planejamentos patrimoniais mais amplos, mas eu diria que eles costumam ser mais discutidos por especialistas financeiros e jurídicos do que pelas próprias marcas. Na prática, quem compra alta relojoaria normalmente está muito mais interessado na qualidade da manufatura, na raridade, na história da peça e na legitimidade daquele objeto dentro da relojoaria suíça do que em uma eventual vantagem tributária".

Segundo ela, existe uma diferença importante entre o olhar do mercado financeiro e o desejo de quem coleciona essas peças.

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'Paixão pela relojoaria e o reconhecimento da excelência'

Embora muita gente imagine que a exclusividade seja o principal atrativo, Tamara acredita que o maior motivador é outro.

"Acredito que a paixão pela relojoaria e o reconhecimento da excelência continuam sendo os motores mais consistentes. Quem chega ao nível da alta relojoaria normalmente desenvolveu repertório para compreender o valor daquele objeto. Estamos falando de pessoas que conhecem manufaturas, calibres, processos artesanais, inovação técnica e história".

Por isso, segundo a especialista, o preço acaba sendo apenas uma consequência.

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"Exclusividade e patrimônio podem fazer parte da decisão, mas dificilmente sustentam sozinhos uma compra dessa magnitude. O verdadeiro colecionador compra porque reconhece algo que vai muito além do preço: ele reconhece tempo, conhecimento e tradição materializados em um objeto".

Uma 'conta bancária de pulso'?

Questionada sobre a ideia de um relógio de luxo funcionar como uma "conta bancária de pulso" para parte dos bilionários, Tamara reforçou que a metáfora precisa ser vista com cautela. Segundo ela, "simplifica um mercado muito mais sofisticado".

"Um relógio de alta relojoaria não substitui patrimônio financeiro. Ele representa outra forma de preservar valor: uma que reúne cultura, artesanato, escassez e história. Talvez a comparação mais adequada seja com uma grande obra de arte. Existem peças que atravessam gerações mantendo ou ampliando seu valor justamente porque carregam um legado reconhecido pelo mercado. No luxo, patrimônio não é apenas aquilo que vale muito. É aquilo cuja relevância permanece ao longo do tempo".

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