'Sofri três AVCs, hemorragia cerebral, hidrocefalia, perdi a fala, tive trombose na perna e no braço, e diplopia': em 2013, cantor Netinho teve uma série de graves problemas de saúde por uso de anabolizantes receitados por médico; artista negou diagnóstico de Aids e teve infecção generalizada
Publicado em 13 de outubro de 2026 às 13:35
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Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
Muito antes de enfrentar a luta contra o câncer, o cantor Netinho viveu um verdadeiro pesadelo médico que quase lhe custou a vida. Internado por meses e alvo de especulações, o artista quebrou o silêncio e expôs os bastidores de um grave problema de saúde
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A morte do cantor Netinho, aos 60 anos, nesta terça-feira (13), após uma luta contra o câncer, deixou os fãs enlutados. Porém, muito antes de enfrentar a doença, o artista, que causou ao falar sobre as eleições de 2026, teve uma série de complicações graves de saúde que o levaram a passar mais de cinco meses internado, incluindo um bom período na CTI.

Na época, o quadro clínico gerou especulações de que as causas da internação estariam supostamente relacionadas a uma infecção com o vírus HIV. Então, o próprio cantor decidiu esclarecer o que havia acontecido em uma entrevista ao jornal Correio.

Netinho contou que tudo começou com uma dor intensa na coxa esquerda, sentida durante um ensaio com sua banda em Salvador. O cantor admitiu que havia usado anabolizantes entre 2009 e 2010 e afirmou que existia uma possibilidade de essas substâncias terem contribuído para o problema de saúde.

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Netinho negou câncer e Aids após especulações sobre internação

Em abril de 2013, Netinho foi levado ao Hospital Aliança, em Salvador, depois de sentir fortes dores na coxa esquerda e perder a capacidade de andar. Durante a investigação médica, o cantor passou por diversos exames, incluindo biópsias da coxa e do fígado e foi constatado que seu fígado já estava debilitado. 

Netinho desenvolveu uma infecção generalizada durante a internação e, diante da gravidade do quadro, familiares e amigos organizaram sua transferência para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Foi nesse período que o artista enfrentou complicações neurológicas e vasculares que colocaram sua vida em risco.

Na entrevista ao Correio, Netinho fez questão de desmentir informações que circulavam sobre sua saúde: "Nunca tive câncer, nunca tive Aids e não sou careca como muitos insistem em dizer. Todas essas especulações considero normal, pois sou uma pessoa pública e conhecida. Não se sabe exatamente o nome do que tive. Na verdade, foram várias coisas".

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"Por causa disso, minha família e meus amigos me transferiram para São Paulo. No Sírio-Libanês, sofri três AVCs, hemorragia cerebral, hidrocefalia (acúmulo de líquidos no cérebro), perdi a fala, tive trombose na perna e no braço, e diplopia (visão dupla). Quase morri", relembrou.

Netinho relacionou complicações ao uso de anabolizantes receitados por médico

Na entrevista, o artista afirmou que não sabia exatamente o que havia desencadeado a sequência de problemas de saúde. Ele levantou a possibilidade de ter uma predisposição a desenvolver aquelas complicações ou de os efeitos de substâncias utilizadas no passado terem contribuído para o agravamento do quadro.

"Até hoje não se sabe o que tive. Provavelmente, uma predisposição a ter tudo isso ou a aceleração de tudo por causa de resíduos de anabolizantes, que tomei nos verões de 2009 e de 2010. Tomei receitado por um médico em São Paulo, considerado o melhor endocrinologista da cidade. Apesar de saber dos prejuízos que essas substâncias podiam trazer, confiei no fato de estar acompanhado por um especialista e de tudo ter sido receitado e vendido por ele mesmo. Graças a Deus, aos médicos e às orações que muitos fãs e amigos fizeram, sobrevivi", disse.

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Por fim, o cantor criticou o SUS: "Agarrei-me à minha crença. À minha fé. Busquei força. Fui desenganado duas vezes, por dois hospitais. Vi a morte de muito perto. E digo: o que passei não é para qualquer um. Tive a sorte de ter condições de ir para um ótimo hospital. Sei que quem não tem esta sorte, nem um bom plano de saúde ou dinheiro, simplesmente morre neste país que não oferece uma digna saúde pública."

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