A tranquilidade que levou a princesa Diana a encontrar refúgio no Caribe nos anos 1990 está no centro de um novo capítulo da história de Barbuda. Décadas depois das visitas de Lady Di à ilha, o ator Robert De Niro aposta em um empreendimento milionário que pretende transformar a região em um destino de luxo, com residências avaliadas em US$ 12 milhões cada e estrutura voltada a hóspedes que buscam privacidade e exclusividade.
Segundo o jornal espanhol The Objective, o astro de Hollywood investiu US$ 250 milhões no projeto imobiliário The Beach Club Barbuda. A proposta prevê a criação de uma comunidade privada com 17 vilas de alto padrão, cuja venda estava prevista para o fim de 2026, caso as obras avancem sem imprevistos.
O empreendimento, porém, vai muito além de casas com vista para o mar. A ideia é reunir serviços e atrações de um resort exclusivo em um cenário conhecido pelas praias de areia branca, águas azul-turquesa e biodiversidade. Ao mesmo tempo, o projeto enfrenta resistência de moradores e associações locais, que questionam os possíveis efeitos das construções sobre o meio ambiente e o acesso às terras da ilha.
O valor estimado de cada residência chama a atenção: US$ 12 milhões, quantia que coloca o empreendimento no segmento mais exclusivo do mercado imobiliário de luxo. De acordo com o The Objective, o complexo terá 17 vilas particulares, com previsão de disponibilização para venda no fim de 2026.
O projeto foi concebido para oferecer uma experiência que combina hospedagem sofisticada, lazer e contato com a natureza. Entre as estruturas previstas estão campos de golfe com vista para o mar, áreas dedicadas à observação de aves exóticas, percursos de mergulho nos recifes naturais, sala de cinema e adegas exclusivas.
Outro atrativo anunciado é o acesso privativo à praia da Princesa Diana, um dos pontos mais simbólicos da região para quem conhece a ligação da ilha com a família real britânica.
Antes de ser associada à princesa Diana, a praia era conhecida como Coco Point Beach. O local recebeu o nome de Lady Di em 2011, ano em que ela completaria 50 anos. A homenagem foi uma forma de moradores reconhecerem o carinho pela visitante que encontrou naquele pedaço do Caribe um lugar para descansar longe dos holofotes.
Na década de 1990, Diana esteve em Barbuda em três ocasiões, entre 1993 e sua morte, em 1997. Segundo o The Objective, ela visitou a ilha tanto sozinha quanto acompanhada dos filhos, William e Harry.
Naquele período, a princesa enfrentava intensa atenção da imprensa em cidades como Londres e Paris. A discrição de Barbuda, menos movimentada do que a vizinha Antigua, era justamente um dos aspectos que tornavam o destino atraente para suas escapadas.
Durante as visitas, Diana aproveitava atividades simples, como caminhadas pela areia, natação e mergulho com snorkel nas águas tranquilas. Ela também frequentava o K Club, estabelecimento que, conforme a reportagem espanhola, passou a integrar os negócios de Robert De Niro.
A relação da princesa com a ilha ajudou a construir a imagem de Barbuda como um refúgio para quem deseja se afastar da exposição pública. Agora, essa mesma associação com privacidade e natureza faz parte do apelo comercial do novo empreendimento.
Conhecido por trabalhos como Taxi Driver e O Poderoso Chefão II, Robert De Niro também construiu negócios no setor de hospitalidade. O The Beach Club Barbuda está ligado à Nobu Hospitality, marca de luxo fundada em 1994 pelo ator, pelo chef japonês Nobu Matsuhisa e pelo produtor Meir Teper.
De acordo com o The Objective, a empresa reúne mais de 60 restaurantes e quase 20 hotéis em diferentes países. A expansão internacional da marca inclui destinos na Espanha, como Barcelona, Ibiza, San Sebastián e Marbella.
A proposta em Barbuda segue essa estratégia de combinar hospedagem de alto padrão, gastronomia e experiências exclusivas. O objetivo é atrair um público disposto a pagar por conforto, privacidade e acesso a um cenário natural preservado.
A associação com a praia que homenageia Lady Di acrescenta uma dimensão histórica ao projeto. Mais do que um endereço paradisíaco, o local carrega a memória de uma figura que, apesar da fama mundial, buscava momentos de tranquilidade longe dos compromissos oficiais e da perseguição dos fotógrafos.
O projeto também precisa ser entendido à luz da história recente de Barbuda. Em 2017, a passagem do furacão Irma provocou uma devastação de grandes proporções. Segundo estimativas divulgadas naquele ano e reproduzidas pelo The Objective, entre 80% e 90% das construções da ilha foram destruídas, incluindo casas, escolas, hospitais e hotéis.
A região retomou suas atividades, mas algumas áreas ainda necessitam de reparos. A praia da Princesa Diana está entre os locais citados pela reportagem como parte desse cenário de recuperação.
Após a catástrofe, investidores internacionais passaram a demonstrar interesse em projetos de construção na ilha. A possibilidade de novos empreendimentos, no entanto, trouxe à tona uma discussão delicada: como impulsionar a economia local sem comprometer o meio ambiente e os direitos históricos dos moradores?
É nesse ponto que o plano de Robert De Niro encontra resistência. Associações e integrantes das comunidades locais protestam contra o projeto, alegando que ele pode favorecer a apropriação de terras comunais e provocar danos à flora e à fauna.
Em resposta às críticas, o ator defende que o empreendimento será integrado à paisagem. Conforme relatado pelo The Objective, ele afirmou em entrevistas que os edifícios não terão mais de um andar e serão construídos de maneira a respeitar a vegetação.
A resistência ao empreendimento tem raízes na história da própria ilha. Grande parte da população de Barbuda descende de africanos escravizados que permaneceram na região após a emancipação, na década de 1830. Os moradores herdaram terras de antigos proprietários britânicos e mantiveram, ao longo das gerações, um sistema de propriedade comunal.
Nesse modelo tradicional, a terra era compartilhada pela comunidade e não podia ser comprada ou vendida individualmente da mesma forma que em um mercado imobiliário convencional. Esse sistema ajudou a manter o território relativamente protegido da expansão do turismo de massa.
A ilha também abriga uma biodiversidade importante, incluindo a maior área de nidificação de fragatas do Caribe, segundo a reportagem espanhola. A preservação desse ambiente é um dos pontos que tornam a região valiosa, mas também aumenta a preocupação com o avanço de construções e atividades turísticas.
Para os moradores que contestam o empreendimento, a questão não se resume à chegada de um investidor famoso ou à construção de residências milionárias. O receio é perder o acesso a terras historicamente compartilhadas e ver o território transformado por um modelo de turismo que prioriza a exclusividade.