A atriz e ex apresentadora do "Video Show", Monica Iozzi, surpreendeu os fãs ao revelar que estava internada há uma semana em São Paulo. Na última segunda-feira (2), ela usou as redes sociais para explicar o que aconteceu e tranquilizar o público que a acompanha há anos na televisão e no teatro.
No vídeo, a artista foi direta. "Queridos, estou fazendo esse vídeo aqui para esclarecer algumas coisas. Eu estou internada há uma semana, a minha internação começou no Hospital Albert Einstein, aí eu fui transferida para o Oswaldo Cruz (SP). Hoje, ainda bem que é meu último dia aqui de internação, mas agora está tudo bem. Tá tudo bem mesmo", assegurou.
Segundo a própria atriz, o motivo foi uma reação medicamentosa severa chamada acatisia, condição ainda pouco conhecida fora dos consultórios de psiquiatria.
A repercussão do caso trouxe à tona uma dúvida comum: o que exatamente é acatisia? De acordo com a psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência e superdotação feminina, trata-se de um efeito adverso relativamente conhecido de alguns medicamentos psiquiátricos, especialmente antipsicóticos e, em alguns casos, antidepressivos.
"A acatisia é uma condição ainda pouco compreendida fora da psiquiatria, mas que pode ser extremamente angustiante para quem a vivencia. Trata-se de um efeito adverso relativamente conhecido de alguns medicamentos psiquiátricos, especialmente antipsicóticos e, em alguns casos, antidepressivos, caracterizado por uma sensação intensa de inquietação interna associada à necessidade quase irresistível de se mover", explica a médica.
Segundo a especialista, o sofrimento vai muito além de uma simples agitação. "Na prática clínica, pacientes descrevem a experiência como uma incapacidade de permanecer no próprio corpo. Não é apenas ansiedade ou agitação, é uma sensação corporal profunda de desconforto, frequentemente acompanhada de irritabilidade, tensão e sofrimento psíquico significativo".
Esse ponto é fundamental. Muitas vezes, os sintomas podem ser interpretados como crise de ansiedade ou até como agravamento do transtorno psiquiátrico original.
"Um dos grandes desafios é que a acatisia pode ser confundida com ansiedade ou com agravamento do transtorno psiquiátrico original, o que, em alguns casos, leva a ajustes inadequados na medicação", alerta Thaíssa.
A médica destaca ainda que, em mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, o reconhecimento pode ser ainda mais difícil. "Nas mulheres, especialmente aquelas com maior sensibilidade emocional ou neurodivergência, esse quadro pode ser ainda mais difícil de reconhecer, porque a inquietação interna pode ser interpretada como desregulação emocional ou crise de ansiedade".
Ao falar abertamente sobre sua internação, Iozzi acaba prestando um serviço importante. Casos que ganham projeção pública ampliam a compreensão sobre quadros que, muitas vezes, passam despercebidos.
Para a psiquiatra, o caminho é claro. "Reconhecer precocemente a acatisia permite ajustar o tratamento e aliviar um sofrimento que, embora muitas vezes invisível para quem observa de fora, pode ser profundamente perturbador para quem o vive".