Parece série da Netflix, mas é vida real: em 1994, um britânico partiu para dar a volta ao mundo sem usar motores; 13 anos e um crocodilo de 4,5 metros depois, ele conseguiu
Publicado em 16 de outubro de 2026 às 16:07
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Por Giovanna Ribeiro | Colaboradora
Jornalista pela UFF. Adora conversar com estranhos na rua. Apaixonada por arte, cultura, cinema e gente.
Jason Lewis percorreu 74.842 quilômetros a pé, de bicicleta, de caiaque e em um barco a pedal, circunavegando o globo e sobrevivendo a um ataque no norte da Austrália.
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Em 1994, dois aventureiros britânicos, Jason Lewis e Steve Smith, partiram de Greenwich com uma ideia aparentemente impossível: contornar o globo sem motores ou velas, impulsionados apenas por seus próprios corpos. Treze anos depois, Lewis completou a viagem solo, percorrendo, ao todo, 74.842 quilômetros.

O Guinness World Records o reconhece como a primeira pessoa a circunavegar a Terra sem motores ou velas: ele caminhou, pedalou e usou patins em linha por cinco continentes, e cruzou rios, mares e oceanos de caiaque, nadando, remando e em um barco a pedal.

Segundo o registro oficial, Lewis completou sua circunavegação do globo em 6 de outubro de 2007, após passar pelos pontos antípodas e ultrapassar a circunferência da Terra de 40.075 quilômetros. O pior momento da viagem ocorreu em 13 de maio de 2005, na Península do Cabo York, no norte da Austrália.

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O ataque de crocodilo durante a viagem de volta ao mundo

Ao se aproximar da margem, Lewis relatou ter visto dois olhos e um focinho ameaçador deslizando atrás de seu caiaque. Ele sabia muito bem o que havia lá embaixo: aquelas águas são território de crocodilos-de-água-salgada.

Ele estava no seu limite: já havia remado cerca de 35 quilômetros em cinco horas e meia, e um vazamento na lona do casco de seu caiaque o obrigava a esvaziar a água o tempo todo. Em sua história publicada na revista Sidetracked sob o título "Ataque de Crocodilo", ele descreveu a experiência como o "horror primordial de ser caçado e considerado presa".

Tocar na areia não o salvou. O animal, que ele estimou ter cerca de 4,5 metros de comprimento, avançou pelas ondas em direção ao caiaque. Lewis se abrigou atrás do casco e cutucou o focinho da criatura com o remo, mas ela abriu a boca e, sem titubiar, investiu contra ele.

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As mandíbulas do crocodilo agarraram a pá do remo, e uma luta se seguiu, terminando com Lewis cravando a pá na garganta do animal, quebrando o remo em dois. O crocodilo se virou e voltou para águas mais profundas. Usando seu telefone via satélite, o aventureiro ligou para John Andrews em Cairns, que lhe disse para sair da praia imediatamente.

O aviso era claro: se ele adormecesse ali, o crocodilo estaria à sua espera. Lewis colocou o equipamento nas costas e subiu a trilha íngreme até o topo. A noite havia caído, seus pés estavam inchados e ele estava exausto, sentado na grama varrida pelo vento, cercado por mosquitos. Lá embaixo, na escuridão, ele podia ver os olhos do animal se movendo.

Aquela cena foi apenas um capítulo de uma expedição que parece até série de ficção da Netflix. A jornada, que começou em Greenwich, terminou treze anos depois com a primeira circunavegação do planeta realizada em solitário, utilizando apenas força humana. Impressionante!

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