Eterno intérprete do bruxo mais famoso do cinema, Daniel Radcliffe já mostrou que vai muito além de Harry Potter. Em 2012, durante uma participação em um programa de TV na Espanha, o ator chamou atenção ao dobrar a língua em formato de 'U', surgindo a brincadeira de que ele tem superpoderes, assim como o clássico personagem do cinema. O gesto, que muita gente encara como simples brincadeira, na verdade tem algo mais profundo revelado pela psicologia.
Estudos indicam que entre 65% e 81% das pessoas têm essa capacidade, o que mostra que não se trata de uma habilidade universal. Em sua revisão 'Mitos da Genética Humana: Enrolar a Língua', o pesquisador John H. McDonald, da Universidade de Delaware, reuniu dados clássicos, como os estudos de Sturtevant (1940) e Liu & Hsu (1949), que ajudam a entender porque algumas pessoas conseguem e outras não.
Durante muito tempo, acreditou-se que enrolar a língua era uma característica puramente genética. Hoje, a ciência aponta que a explicação é mais complexa.
A habilidade envolve uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. Para formar o 'U', por exemplo, é necessário ativar de maneira coordenada diferentes músculos da língua, algo que exige controle.
A genética, sim, desempenha um papel, mas não é determinante. Há pessoas que não conseguem realizar o movimento inicialmente, mas desenvolvem a habilidade com prática. Isso reforça a ideia de que o treino e o controle muscular são fundamentais. Ou seja: não é só o que você herda, mas também como você aprende a usar seu corpo.
Outro ponto interessante está ligado à consciência corporal. Indivíduos que conseguem enrolar a língua tendem a ter uma percepção mais apurada de movimentos sutis, especialmente de partes do corpo que normalmente funcionam de forma automática.
Além disso, o fator ambiental também entra em cena: observar outras pessoas fazendo o gesto pode estimular a tentativa e facilitar o aprendizado, principalmente durante a infância.
Ainda assim, é importante esclarecer: essa habilidade não traz nenhuma vantagem evolutiva clara. Trata-se muito mais de uma curiosidade do funcionamento humano do que de algo funcional no dia a dia.