O expediente ainda não começou, mas a cabeça já está na reunião, nas mensagens acumuladas e no prazo que parece impossível de cumprir. Quando essa antecipação vem acompanhada de angústia frequente, organizar melhor a manhã pode ser apenas uma parte da resposta.
Em entrevista ao La Vanguardia, a psicóloga do trabalho Lucía Prado chama a atenção para esse limite:
“Se todas as manhãs sentimos angústia diante do trabalho, as rotinas não são suficientes. É preciso analisar o que está causando esse mal-estar e de que tipo de apoio ou mudanças precisamos”.
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A dimensão do problema aparece no relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup: 40% dos trabalhadores entrevistados no mundo disseram ter sentido muito estresse no dia anterior.
O dado não significa que todo esse sofrimento tenha origem profissional, mas revela quanto ele está presente na vida de quem trabalha.
A Organização Mundial da Saúde identifica sobrecarga, insegurança no emprego e pouco controle sobre as tarefas como riscos à saúde mental. Nesse contexto, tratar o desconforto apenas como falta de disposição pode esconder condições que precisam mudar.
Embora pareça um mal dos dias atuais, o sofrimento ligado ao trabalho não começou agora. A discussão, no entanto, ganha urgência quando estar sempre disponível passa a ser confundido com comprometimento.
Prado distingue desmotivação de estresse: o desinteresse também pode nascer do tédio, da falta de reconhecimento ou da perda de sentido nas atividades.
Fazer pausas e estabelecer prioridades pode ajudar. Mas essas práticas perdem força quando a carga permanece inviável ou descansar provoca culpa.
Conversar sobre prazos, recursos e limites faz parte do cuidado, assim como buscar apoio profissional quando o sofrimento persiste.
A pergunta, portanto, vai além de como enfrentar melhor a segunda-feira: o que precisa mudar para que trabalhar deixe de ser uma fonte constante de angústia?