Quem costuma ter o QI mais alto dentro de uma família: o filho mais velho, o do meio ou o caçula? Embora muitos pais não percebam diferenças tão claras entre os filhos, a ciência tem observado que a ordem de nascimento pode, sim, influenciar alguns traços de personalidade e até aspectos ligados ao desenvolvimento intelectual.
Um dos estudos mais conhecidos sobre o tema foi realizado pela Universidade de Oslo e publicado na revista Science. A pesquisa analisou testes aplicados durante o treinamento militar de cerca de 240 mil homens noruegueses e chegou a uma conclusão curiosa: os filhos mais velhos apresentaram, em média, um QI ligeiramente maior.
Segundo os dados, os primogênitos tiveram média de 103,2 de QI, enquanto os segundos filhos registraram média de 101,2. Já os filhos mais novos ficaram com média de 100. Mas calma: isso não significa que nascer primeiro automaticamente transforma alguém em gênio.
Os próprios autores do estudo, os professores Petter Kristensen e Tor Bjerkedal, explicaram que a diferença não está ligada à genética, mas principalmente à criação e às dinâmicas familiares.
Na prática, os filhos mais velhos costumam receber mais atenção exclusiva dos pais nos primeiros anos de vida. Além disso, muitas vezes acabam assumindo responsabilidades cedo, o que pode estimular habilidades ligadas à comunicação, liderança e organização. Como comportamento, eles tendem a ser mais extrovertidos, amigáveis e assertivos.
Já os filhos do meio costumam desenvolver perfil mais conciliador e diplomático, justamente porque crescem dividindo espaço entre o irmão mais velho e o mais novo. Enquanto isso, os caçulas geralmente são vistos como mais descontraídos, curiosos e espontâneos.
Um exemplo que chama atenção é a família de Luciano Huck e Angélica. Os apresentadores são pais de Joaquim, de 21 anos, Benício, de 18, e Eva, de 13.
O filho mais velho atualmente estuda na New York University, nos Estados Unidos. Já Benício, o irmão do meio, escolheu cursar Engenharia de Produção em São Paulo e costuma ter uma postura mais reservada diante da exposição pública da família. Eva, a caçula, ainda está na escola e frequentemente aparece em momentos mais descontraídos ao lado dos pais.
Mesmo assim, especialistas reforçam que a ordem de nascimento está longe de definir completamente a personalidade ou o potencial intelectual de alguém. A psicóloga Diana Jiménez lembra que muitos outros fatores também influenciam o desenvolvimento emocional e cognitivo das crianças.
“Como o tipo de cuidador que você teve, quantos cuidadores você teve na infância, a diferença de idade entre irmãos, a importância de um gênero ou outro na sua família... Em outras palavras, muitas coisas influenciam”, destaca.