A expressão inteligência emocional tem sido cada vez mais usada por diversos grupos, e o assunto tem gerado debate nas rodas de conversa. Sejam em atitudes silenciosas para proteger a mente, como Bruna Marquezine já fez, ou até mesmo em truques para educar e acalmar os filhos, essa temática pode ser a "chave" para várias questões.
Geralmente, pessoas com alta inteligência emocional costumam se colocar no lugar do outro, antes de agir: são os chamados seres empáticos. Diversos estudos revelam que o mundo atual está sendo, cada vez mais bombardeado por estímulos digitais, com o uso dos smartphones e das redes sociais.
Além disso, a pressão por produtividade em excesso também pode ocasionar o aumento de ansiedade, caindo o rendimento em suas atividades, e até se sentir sobrecarregado. Logo, é de extrema importância pensar em como estamos usando a nossa mente, para tentar equilibrar nossas emoções, e ganhar qualidade de vida.
Segundo Eliane Sato, especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano, e pós-graduada em Neurociências, Mindfulness e Psicologia Positiva pela PUC-PR, muita gente hoje vive no chamado mood "piloto automático", isto é, toma decisões conduzidas por padrões de forma automática, inconsciente, sem exercer o teor crítico da mente.
Vale lembrar que o cérebro é um músculo que precisa ser constantemente estimulado. A expert trouxe mais detalhes sobre o "piloto automático" atuante nas nossas emoções:
"Quando o piloto automático deixa de atuar apenas nas tarefas rotineiras e passa a conduzir decisões emocionais e comportamentais, entramos em um modo de funcionamento reativo. Respondemos aos estímulos sem reflexão, repetindo padrões aprendidos ao longo da vida", destacou.
De acordo com questões neurobiológicas, isso pode estar diretamente ligado às respostas rápidas, com base na memória emocional, já que circuitos da autorregulação e de tomada de decisão conscientes ficam menos ativados.
Você provavelmente conhece alguém que já tenha passado por isso. Podemos observar o resultado do "piloto automático" em atitudes comuns da sociedade, como dificuldade de concentração, atos impulsivos, aquele vazio emocional, e a perda de vontade nas atividades do dia a dia. Você conhece alguém que já passou por isso?
A neurocientista explica sobre o modo de sobrevivência: "A pessoa continua funcionando e entregando resultados externamente, mas experimenta uma desconexão interna. É o que eu chamo de modo sobrevivência: eficiente para lidar com a rotina, mas limitado quando se trata de viver com consciência e propósito", afirmou.
Ficar no modo automático por muito tempo, reduz a capacidade de percebermos riscos, além de favorecer a tomada de decisões impulsivas e achar normal atitudes mais apressadas, como infere a especialista.
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Pensando em maneiras de deixar a mente mais leve e tranquila, a neurocientista Eliane trouxe à tona o que chama de "mente imperturbável", ou seja, seria uma espécie de treinamento monástico, conduzida por meio de disciplina, meditação e renúncia.
Assim, o indivíduo poderia viver melhor, com uma paz interior constante e mais duradoura, independente do mundo externo. Claro, práticas regulares de atividades física e relaxamento, como pilates e ioga, também são bons aliados.
A especialista conta que este seria o segredo para a mente reconhecer emoções, entender os estímulos e responder a eles: "A mente imperturbável não é ausência de emoção. Pelo contrário: é a capacidade de reconhecer o que sentimos e escolher como queremos responder", ressalta.
Isso é de extrema importância, principalmente em ambientes com muita pressão, como no trabalho, por exemplo. Assim, podemos refletir, analisar o fato, e posteriormente, aplicar uma tomada de decisão consciente.
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Outro tópico muito importante diz respeito à prática do amor-próprio, tópico amplamente discutido entre os famosos, principalmente as mulheres. Conforme explica a médica, para desenvolver uma mente mais saudável, é necessário ter autoconsciência e fortalecer o amor-próprio, uma verdadeira responsabilidade emocional.
Quando nos observamos internamente, podemos tentar identificar padrões automáticos no nosso comportamento, interrompendo esses ciclos viciosos: "Amar a si mesmo não é um discurso motivacional. É um processo de reconhecer limites, identificar gatilhos emocionais e assumir responsabilidade pelas próprias respostas", explica.
É claro que durante o dia, você vai fazer algumas tarefas rotineiras de forma automática, mas a questão surge quando isso começa a interferir na sua vida: você não reflete na tomada de decisões importantes, seja nos relacionamentos ou com a família.
Por fim, a estudiosa ressalta que, no automático, acabamos aceitando demandas mesmo já sobrecarregados, ou então permanecemos em situações que já não faziam mais sentido, simplesmente pela inércia: "Sobreviver é apenas cumprir tarefas. Viver com consciência é compreender por que estamos fazendo cada uma delas", concluiu.