Nuno Leal Maia se reencontra com o teatro após 11 anos em "Meno Male". Lembrado pelo bicheiro Tony Carrado (da polêmica "Mandala") e pelo professor Pasquale ("Malhação"), o ator de 78 anos se dedicou nesse tempo ao cinema e séries, mantendo-se afastado das novelas. Por isso, é direto quando questionado se sente falta de fazer o maior produto da TV brasileira
"Me incomoda é fazer. Não fazer não me incomoda, é muito bom", garante aos risos. E o que o ator pensa sobre as tramas de hoje? "As novelas não sei, não tem tido coisas boas. A nossa safra de novelas caiu muito, então não tem tido coisas muito legais. Não tenho visto", dispara ao Purepeople e sendo questionado se acompanha o drama de Adriana (Letícia Colin) em "Quem Ama Cuida".
"Ah, novelas assim eu não vejo. Nem assisto, não gosto de novela. Gosto mais de ir ao cinema, ver filme, futebol, tênis, esporte. Tem outras atrações na televisão", lista. "As novelas que eu fiz eram muito boas, gostava muito", citando "A Gata Comeu" e "Top Model", no qual deu vida ao surfista Gaspar Kundera.
Nuno aproveita para destacar o trabalho de nomes como Ivani Ribeiro (1916-1995) e Antonio Calmon. "Eram autores bons. O Carrasco é bom autor também. Eu não vi mais nada do João Emanuel Carneiro, mas 'Avenida Brasil' era uma novela boa. A Gloria (Perez) também não tem feito mais nada", pontua citando a premiada autora que deixou a Globo de forma polêmica.
"Ela não me chama (para fazer novela) porque teve um problema uma vez com ela. Na época em que ia fazer o Tony Carrado, ela me convidou para fazer 'Carmem', na Manchete, que era uma novela muito boa. E eu não pudi fazer. (Ela disse) 'Ah, mas é um bicheiro, você já fez bicheiro no cinema'. Mas falei 'o que tem?'. 'Só faz bicheiro?'. 'Não, porque o papel é legal aqui'. E era do Dias Gomes (1922-1999), um autor que eu gostava também. Tive que recusar ('Carmem'), ela ficou meio chateada comigo... E me chamou uma vez para participação", recorda.
Em 2002, Nuno esteve em "O Clone", uma das novelas que parou o Brasil em ano de conquista da Seleção na Copa do Mundo.
Já nos dias de hoje, sobe aos palcos do teatro Renasissance com Suzy Rêgo e Joaquim Lopes entre outros na peça que une comédia e crítica política e de autoria de Juca de Oliveira, ícone das artes morto aos 91 anos em março passado. "Sempre fui admirador e um dos filmes que mais gosto do Cinema Nacional é 'O Caso dos Irmãos Naves' (1967, no qual Juca contracenou com Raul Cortez, 1932-2006). Toda vez que posso, assisto. É uma aula de cinema", frisa Nuno, intérprete do Nicola.
O espetáculo tem ingressos a partir de R$ 75 e as sessões de 1h de duração são às sextas (20h), sábados (21h) e domingos (18h45)